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Vestígios arqueológicos junto da Estalagem do Convento

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O acompanhamento arqueológico da refomulação do colector de esgotos e da instalação do colector de águas pluviais na Rua Dr. Luis Octávio de Amorim Garcia permitiu identificar vestígios arqueológicos nas proximidades da Estalagem do Convento, em Óbidos. Segundo o Boletim Municipal de Óbidos, durante o acompanhamento da obra, detectou-se o extremo de uma estrutura em […]

O acompanhamento arqueológico da refomulação do colector de esgotos e da instalação do colector de águas pluviais na Rua Dr. Luis Octávio de Amorim Garcia permitiu identificar vestígios arqueológicos nas proximidades da Estalagem do Convento, em Óbidos. Segundo o Boletim Municipal de Óbidos, durante o acompanhamento da obra, detectou-se o extremo de uma estrutura em alvenaria de pedra e parte de uma interface escavada no nível geológico, com enchimento do período medieval cristão, o que justificava plenamente uma intervenção arqueológica de maior dimensão. Assim sendo, foi decidido em articulação com o Executivo Municipal realizar uma sondagem para obter uma leitura da ocupação do sítio e estudar as medidas de minimização adequadas. Os trabalhos colocaram a descoberto parte de uma casa de habitação, com as suas fachadas Norte e Este em alvenaria de pedra ligada por argamassa de cal e areia; apresentava um pavimento em pedra e comunicava para a rua através de um portal com soleira em cantaria. Os dados de campo sugerem que a casa poderá ter sido construída no séc. XIX. Esta casa consta no levantamento topográfico efectuado à vila em 1938, mas fontes orais indicam que foi demolida em meados do séc. XX, por se encontrar em mau estado de conservação. Paralelamente, identificou-se o pavimento da Rua Dr. Luís Octávio de Amorim Garcia, que à época era constituído por uma simples camada de pedras miúdas e fragmentos de telha (não apresentava calçada). Em seguida, os trabalhos possibilitaram a detecção de um canal para águas pluviais e/ou residuais, em alvenaria de pedra unida por argamassa de cal e areia, tudo de notável qualidade. O canal mostra uma secção trapezoidal invertida, com paredes fortemente inclinadas e fundo bastante estreito; não deveria apresentar cobertura. Esta estrutura enche uma vala escavada para o efeito no nível geológico, com aproximadamente 4 m de largura. De acordo com dados ainda preliminares, o abandono e o enchimento do canal podem ter ocorrido nos sécs. XII a XIII, pelo que se sugere uma cronologia de construção islâmica. Este caso evidencia bem a importância do acompanhamento arqueológico na execução de obras em centros históricos como o da vila de Óbidos.

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