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Antigo Hotel Lisbonense

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Fachada desabou e obras de reconstrução foram suspensas A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) ordenou a suspensão das obras e a apresentação de um plano de segurança adequado, na sequência da derrocada de uma fachada do Hotel Lisbonense, situado na entrada principal da cidade das Caldas da Rainha, cerca das 14h30 da passada […]
Antigo Hotel Lisbonense

Fachada desabou e obras de reconstrução foram suspensas A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) ordenou a suspensão das obras e a apresentação de um plano de segurança adequado, na sequência da derrocada de uma fachada do Hotel Lisbonense, situado na entrada principal da cidade das Caldas da Rainha, cerca das 14h30 da passada quinta-feira, que provocou ferimentos num operário, de 32 anos, que laborava na reconstrução do imóvel histórico e que ficou soterrado. De acordo com a ACT, a vítima “realizava na altura do sinistro trabalhos de construção civil que consistiam na abertura de rasgos no solo destinados à edificação de pilares por debaixo da fachada do Hotel. Os trabalhos em questão visavam o reforço o reforço da sustentação da fachada”. Paulo Jorge Cruz realizava os trabalhos para a Euroluguer, subcontratada da firma FDO Construções, empreiteiro geral, referiu a ACT. Segundo a FDO 12 – Investimentos Imobiliários, “o trabalhador encontrava-se dentro de um poço de bombagem” e foi acompanhado logo no local por uma equipa médica da VMER (viatura médica de emergência rápida). Acabaria por ser transportado para o hospital com suspeita de fractura numa perna, o que não se veio a confirmar, vindo a ter alta. “Da derrocada resultou um ferido ligeiro, assistido no Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, não existindo qualquer fractura, apenas escoriações na perna esquerda”, revelou a FDO. “A vítima estava numa zona onde estão a ser colocadas as sapatas para a construção da obra, fundeada num piso subterrâneo e não teve tempo para sair quando houve o colapso da estrutura”, explicou o comandante operacional distrital da Protecção Civil, Moura Gomes. Equipas cinotécnicas de resgate da GNR percorreram a zona dos destroços para averiguar se havia mais alguém entre os escombros, mas os outros quinze operários que se encontravam no local saíram ilesos do desmoronamento das paredes, havendo apenas mais um ferido ligeiro, um bombeiro que participava nas operações de socorro, que envolveram um contingente constituído por 91 elementos e 22 viaturas da Protecção Civil, Bombeiros, PSP, GNR e INEM. Devido à proximidade, os idosos que se encontravam no edifício da Misericórdia viveram “momentos de alguma tensão e ficaram nervosos mas vieram a ser acalmados”, revelou ao JORNAL DAS CALDAS o provedor, Lalanda Ribeiro. “Tivemos alguma preocupação mas felizmente não houve outras consequências”, referiu, indicando que “havia carros no átrio que foram logo retirados”. “É um autêntico milagre em como só uma pessoa ficou ferida com alguma gravidade”, manifestou ao JORNAL DAS CALDAS o presidente da Câmara, Fernando Costa, adiantando que “um maquinista salvou-se porque se pôs debaixo de uma máquina, que ficou destruída”. Para o autarca, não há uma explicação para a derrocada, não acreditando que tenha havido dolo. “Não creio que tenha havido qualquer intenção”, acrescentou, reagindo assim a eventuais suspeitas de que o construtor teria interesse em deixar cair a fachada mas admitiu que “houve negligência e menos cuidado na execução da obra”. “Já estavam a fazer fundações noutros pontos e a fachada não ruiu, mas agora a base da parede deslocou-se”, apontou, aguardando pelos resultados do inquérito iniciado pela empresa construtora com vista a apurar a causa do incidente. A ACT foi avisada pela Procuradora da República das Caldas da Rainha e na sequência das averiguações efectuadas no local pelos inspectores foram determinadas “medidas imediatas quer de suspensão das obras em curso quer de apresentação de um plano de segurança adequado, no qual estejam evidenciados e convenientemente avaliados todos os riscos específicos existentes na obra”. A estrutura em ferro que suportava a fachada foi cortada face ao perigo de colapso. Câmara exige manutenção da arquitectura As obras em curso visam o restauro do antigo Hotel Lisbonense, do século XIX, onde o rei D. Carlos I e a Família Real permaneciam quando iam a banhos às Termas das Caldas. A unidade hoteleira acabaria por entrar em declínio na década de 70 do século XX, tendo chegado a receber cidadãos das ex-colónias. Após várias tentativas de recuperação que nunca chegaram a ser efectivadas, a reconstrução do hotel, devolvendo-lhe a sua função inicial, mantendo algumas fachadas, foi a condição imposta pela autarquia para autorizar a construção de um grande centro comercial nas traseiras do imóvel, cujas obras não foram interrompidas com o incidente da passada quinta-feira. Segundo o presidente da Câmara “ao que tudo indica a queda da fachada não terá tido nada a ver com as obras do centro comercial contíguo, na medida em que a parte da fachada que ruiu era a mais afastada do centro comercial e aquela onde ainda não tinham sido colocados pilares de ligação à obra”. Fernando Costa afirmou que a autarquia “não vai recuar na exigência da reconstrução do hotel com a sua imagem arquitectónica tradicional” apesar de ter ruído parte da fachada principal do antigo edifício. “A execução do centro comercial estava condicionada à execução do hotel e em tempos similares e se o hotel atrasa o centro comercial não abre”, frisou. A empresa encarregue da obra chegou a pedir à Câmara Municipal para demolir as paredes do antigo hotel, alegando razões de segurança e dificuldade em fazer a obra com o edifício de pé. Fernando Rocha Pereira, administrador da FDO, deslocou-se à Assembleia Municipal para sensibilizar os deputados para a necessidade da demolição das paredes da fachada sul e poente “com posterior reconstrução mantendo na íntegra a traça existente”, para garantir a segurança. “Aquilo não é um edifício, é um conjunto de quatro paredes”, afirmou, considerando que existe o risco de derrocada. O presidente da Câmara confessou ter sido apanhado desprevenido, mas a Assembleia aprovaria a proposta para que fossem derrubadas duas das paredes, sendo a empresa sujeita a uma caução de um milhão de euros, que reverteriam para a Câmara caso as outras paredes caíssem. A FDO acabou por decidir não derrubar duas das paredes, ao contrário do que tinha requerido, alegando que a demolição podia pôr em perigo as outras duas. Só seria necessário destruir parte de uma das paredes para fazer a obra de reconstrução. Para o vereador do PS, António Galamba, “a maioria PSD fez cedências à empresa responsável pela recuperação do Hotel Lisbonense ao permitir a demolição da fachada poente do edifício”, o que, no seu entender, poderá ter causado desequilíbrios. O presidente da Câmara explicou que “a justificação para a demolição da fachada poente era necessária para alargar o número de quartos e poderem ter dimensão para ser considerado um hotel de quatro estrelas, o que Caldas não tem”. Francisco Gomes

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