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Entrevista com João Carlos Barreiras Duarte, vice-presidente da Câmara Municipal do Bombarral

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Quais são as principais novidades do XXV Festival do Vinho Português? O Festival do Vinho Português assinala este ano a sua 25 edição, tratando-se de um momento que consideramos importante comemorar de uma forma mais acentuada. Nesse sentido procuramos apresentar algumas inovações relativamente às edições anteriores. Refiro-me por exemplo ao facto de contarmos este ano […]
Entrevista com João Carlos Barreiras Duarte, vice-presidente da Câmara Municipal do Bombarral

Quais são as principais novidades do XXV Festival do Vinho Português? O Festival do Vinho Português assinala este ano a sua 25 edição, tratando-se de um momento que consideramos importante comemorar de uma forma mais acentuada. Nesse sentido procuramos apresentar algumas inovações relativamente às edições anteriores. Refiro-me por exemplo ao facto de contarmos este ano com uma garrafa alusiva ao certame. Trata-se de uma edição especial e limitada a pouco mais de mil garrafas, que uma forma de marcarmos as comemorações das 25 edições do Festival do Vinho Português. Para o efeito conseguimos alguns apoios, sendo a garrafa, a gravação do rótulo em dourado assim como o vinho uma oferta de um patrocinador. Qual é o orçamento que o Festival do Vinho dispõe para este ano? Este ano o Festival do Vinho do Bombarral dispõe de um orçamento de 120 mil euros, mas temos alguns patrocínios e apoios, em relação aos espectáculos, às garrafas de vinho alusivas ao XXV Festival do Vinho Português e aos copos, que são oferecidos por uma entidade bancária. Se não fossem os patrocínios que conseguimos reunir, seria muito difícil, com o valor que temos em orçamento, realizar o certame com qualidade. Feitas as contas, o certame acaba por se tornar barato para a Câmara Municipal, até porque prevemos obter receitas na ordem dos 25 a 35 mil euros. A cada edição que passa, uma das mensagens que costuma passar é que o certame tem por objectivo promover o vinho e não a música, mas este ano o programa demonstra uma maior aposta na área da animação? De facto, em primeiro lugar, o que deve motivar as pessoas a visitar o certame são as suas vertentes vitivinícola e gastronómica. A aposta que é feita, essencialmente, na música tradicional portuguesa acaba por ser um complemento ao Festival. Ao nível da animação o destaque deste ano vai sem dúvida para as actuações da fadista Patrícia Cruz, de Paco Bandeira e também de Quim Barreiros. Para animar o Festival contamos ainda com o grupo coral “Os Vindimadores” da Vidigueira, com as “Sete Saias”, “As Rebeldes”, além das bandas e dos ranchos do nosso concelho. Para além da música, no primeiro dia do certame vamos ter uma grande Gala Equestre, que promete deslumbrar todos os presentes. Do programa de animação consta ainda uma passagem de modelos, na Praça do Município, na qual esperamos contar com a presença de Merche Romero. O que é que os visitantes podem esperar do certame em termos de empresas vitivinícolas? Em relação às empresas vitivinícolas, conseguimos ter todo o território nacional representado. Contamos, inclusive, com as ilhas da Madeira e dos Açores. Para além das empresas contamos também com outras entidades ligas ao sector, tais como a Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa, a Associação de Escanções de Portugal, a Federação Nacional das Adegas Cooperativas (FENADEGAS) ou a Leader Oeste. Existem algumas críticas relativamente ao Festival, nomeadamente ao nível do local da sua realização, ao nível dos stands e da data. O que é que tem dizer em relação a isso? O evento realiza-se num dos locais mais nobres e bonitos do concelho do Bombarral, que é a Mata Municipal. Quer se queira quer não este é um sítio muito bonito e adequado para acolher um certame deste género, até pela altura do ano em que se realiza. Mas de facto temos que ter alguns cuidados a nível ambiental a fim de preservar todo este património natural, algo que temos conseguido. Quanto à questão que colocou sobre o stands, desde há três anos que optamos por contratar uma empresa de eventos para os montar e para tratar das questões relacionadas com a iluminação. Apesar do acréscimo em termos de custos, só a montagem absorve cerca de 40% do orçamento, este é um investimento necessário, porque se traduziu no aumento da qualidade e do conforto para os expositores, além de permitir uma uniformização do certame. Há mais algumas novidades? Além da questão da garrafa alusiva à 25ª edição do certame, este ano vamos organizar um jantar comemorativo desta efeméride, que deverá ter lugar numa quinta ligada ao sector vitivinícola do Bombarral. Como é tradição, o momento será aproveitado para a entrega dos prémios do concurso nacional de vinhos engarrafados. Outra das novidades prende-se com o facto do leilão de vinhos se realizar este ano na Mata Municipal. Desta forma cria-se uma interactividade com os próprios expositores e visitantes. Nesse sentido, propomos à Associação de Escanções de Portugal para decantarem um vinho antigo, podendo todos os visitantes assistir a este acto. Outra das vertentes importantes do Festival do Vinho é a gastronomia. O que é que a organização efectuou no sentido de cumprir as exigências legais? Contrariamente à edição anterior, as tasquinhas vão regressar para o interior do recinto, ficando no lado oposto ao da entrada do certame. Por uma questão de salvaguarda, consultámos a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) no sentido de estar tudo dentro da Lei. A divulgação também desempenha um papel importante para o sucesso do evento… Concordo plenamente. Podemos realmente ter um bom certame mas se ninguém souber que ele se realiza e não houver uma boa promoção do mesmo, as pessoas não nos visitam. Apesar de já termos um bom número de visitantes, é necessário haver uma boa divulgação. A pensar nisso vamos publicitar o certame, alguns dias antes do seu início, em alguns jornais de tiragem nacional. E para os profissionais do sector, vão ter lugar algumas iniciativas? Como acontece todos os anos, o certame conta uma vez mais com uma reunião das adegas cooperativas de todo país. Este encontro é organizado pela FENADEGAS e terá como temática “A vitivinicultura que futuro?”. Do lado da autarquia é dado apoio logístico, disponibilizamos o auditório, alguns recursos humanos e ajudamos na organização. Acha que é possível melhorar a organização do Festival o Vinho Português? De que forma? É sempre possível melhorar e, na minha opinião, umas das formas que poderia contribuir para tal seria a criação de uma empresa municipal vocacionada para os eventos. Isto é algo que venho defendendo ao longo dos últimos anos. No caso do Festival do Vinho, por exemplo, a maioria das pessoas ligadas à organização do certame trabalham também noutras áreas. Com uma empresa municipal isso já não acontece, porque as pessoas tratam apenas do evento em questão, o que traz mais-valia e rentabilidade, tanto em termos financeiros, como ao nível dos meios operacionais. Tendo em consideração a crise que se verifica na agricultura portuguesa, sector vitivinícola incluído, como é que encara o futuro do certame? Pelas suas características penso que o Festival do Vinho Português tem um grande futuro pela frente. O certame existe desde os anos 60 e, apesar não se ter realizado de forma continuada, já conta com 25 anos de existência. Quando entrei para organização do Festival, há 13 anos atrás, tracei como metas tornar o certame anual e implantá-lo no panorama nacional. Esses objectivos acabaram por ser atingidos. Apesar do evento ter a finalidade de promover o sector vitivinícola e os vinhos produzidos em território nacional, o Festival do Vinho acaba por ser um espaço de negócio. Os agentes comercializam os seus vinhos e ainda obtêm contactos para futuros negócios. Muitos estrangeiros vêm ao Bombarral ao Festival do Vinho e aproveitam para fazer encomendas ou para ficar com o contacto dos produtores. Quanto ao futuro do sector, na minha opinião os vinhos da nossa região têm tudo para evoluir, como provam as medalhas que os nossos néctares têm ganho em mercados muito rigorosos, como o francês, o alemão ou o inglês. A juntar a qualidade dos nossos vinhos, é agora necessário desenvolver-se o trabalho ao nível da gestão das empresas vitivinícolas, que tem passar, não só pela produção e pela comercialização, mas também pelo engarrafamento e pela imagem dos vinhos. Nesta área ainda há muito por fazer. Apesar da crise ser uma realidade, acredito que os nossos produtores conseguirão ultrapassar todas as adversidades se continuarem a apostar na produção de vinhos de qualidade. O Festival do Vinho continua a ser, como várias vezes afirmou, o principal cartão de visita, em termos turísticos, do concelho do Bombarral? O Festival do Vinho continua sem duvida a ser um dos principais cartões de vista do concelho. Neste âmbito penso que a Câmara Municipal deve desenvolver algumas ideias para promover o turismo, aproveitando o sector vitivinícola. Com uma boa estratégia ao nível do sector do turismo poderíamos potenciar o nosso concelho, canalizando alguns investimentos para o Bombarral. Sem um plano turístico, as acções são desenvolvidas de forma desgarrada, quando deviam estar todas interligadas. Com as potencialidades que o nosso concelho tem, penso que é possível fazer com que muitas mais as pessoas nos visitem. Gostaria de deixar alguma mensagem aos nossos leitores? Gostaria de deixar um convite a todos os leitores do Jornal das Caldas no sentido de visitarem o XXV Festival do Vinho Português, o certame vitivinícola mais antigo do País. As entradas livres; temos tasquinhas com a melhor gastronomia regional, temos provas gratuitas, vinhos a preços muito convidativos e também um vasto programa de animação.

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