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“A cultura da irrelevância está a crescer exponencialmente”

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Este é um dos títulos de um pertinente e excelente texto de Pacheco Pereira, no “Público”, e não posso estar mais de acordo com ele. Sou um homem de esquerda e, como tal, não me identifico com o pensamento político do cronista, ponto final. Mas neste seu retrato da Comunicação Social que para as grandes […]

Este é um dos títulos de um pertinente e excelente texto de Pacheco Pereira, no “Público”, e não posso estar mais de acordo com ele. Sou um homem de esquerda e, como tal, não me identifico com o pensamento político do cronista, ponto final. Mas neste seu retrato da Comunicação Social que para as grandes massas temos, designadamente, no que se refere aos canais generalistas da TV, como ele, acho que o espectáculo é, por demais confrangedor e o que é para os realizadores de informação, sobretudo acontecimento de primeiro plano é “futebol, futebol, futebol, fumei, pequei, vou deixar de fumar, a Esmeralda entre o pai afectivo e o pai biológico, futebol, directo do acidente na A1 que provocou três feridos, os pais da pequena Maddie, futebol, tenho um cancro, tive um cancro, vou ter um cancro, futebol, futebol, futebol”. Este retrato caricaturado da nossa informação televisiva, que Pacheco Pereira nos dá, infelizmente, não é tão exagerado quanto isso. Há noticiários que são quase assim; e, assim, se “puxa”, pelos cidadãos portugueses, para um tipo de cultura próxima da dos mentecaptos. De facto, os três canais generalistas (um pouco menos a RTP, reconheça-se) têm uma programação que quase conduz o povo à indigência intelectual e cultural. Mediatizam tudo o que há de pior na sociedade portuguesa. São uma montra “pimba” de um País, que à força de “levar” com lavagens cerebrais daquele “lixo” televisivo, estará condenado, certamente, ao atraso, caminhando novamente para níveis próximos do terceiro mundo. Chega-se ao desplante do quase enaltecimento do “jet set”, trapaceiro e saloio, onde pontificam criaturas que de ética dão o exemplo contrário, como sejam muitos dirigentes (quando não autênticos meliantes) do futebol. Mas que há a fazer (?), quando alguns deputados resolvem rebaixar-se ao indecoroso jantar de vassalagem oferecido a Pinto da Costa, no próprio Parlamento? Bem pode Sócrates falar nas auto-estradas da informação, nas novas tecnologias, que estas, em muita da sua utilização, serão, também, para “puxar” para baixo. Serão, infelizmente, instrumentos ao serviço de uma cultura de banalidades; e alguns desses computadores, em vez de instrumentos ao serviço da educação, da cultura, do saber, um dia destes, deitarão do disco rígido um aroma quase inodoro, quando não pestilento. Fernando Rocha

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