Decorre até ao final de Junho O Projecto “Mercúrio#2”, uma acção concebida pela Turma de 2.º Ano de Animação Cultural da ESAD das Caldas da Rainha, visando promover várias iniciativas no campo do Teatro e das Artes Plásticas. O evento articula espectáculos e exposições criados, organizados e/ou produzidos pelos estudantes dos vários Cursos no âmbito da sua actividade curricular durante o ano lectivo de 2007/08, enquadrando ainda apresentações de espectáculos originariamente extra-curriculares. “Trata-se de promover uma antecipação pedagógica da futura actividade profissional de mais de uma centena de alunos, lançando sementes para que esta floresça efectivamente”, manifesta Mário Caeiro, responsável pela Direcção de Projecto. Este Festival Itinerante por vários concelhos tem a seguinte programação até ao final do mês: Auto das Regateiras – de António Ribeiro Chiado – Dia 25 Junho – 21:30 Teatro Miguel Franco – Leiria O Auto das Regateiras é uma espécie de ‘sainete’ português (o sainete é um tipo de comédia espanhola sobre e para as “classes populares”), que põe em cena um conjunto de personagens-tipo de Lisboa do Séc. XVI, principalmente do bairro popular de Alfama, onde a peça se situa. Uma velha irascível, que se dedica à má-língua com as comadres e trata mal a filha e a criada negra (uma originalidade no teatro da época), uma família liderada pelo patriarca Pêro Vaz (personagem que se exprime a maior parte das vezes por provérbios e possui um catarro persistente), um parvo vicentino, três mancebos renascentistas, um padrinho e uma criada com o insólito nome de Grimanesa… eis a galeria de personagens que dão vida a esta peça sobre um casamento combinado que acaba em bailarico. Os Físicos – de Friedrich Dürrenmatt – 19 Junho – 21:30 – Auditório da ESTG Leiria; 21 Junho – 21:30 – EPAC Azambuja; 24 e 25 Junho – 21:30 – ESAD Sala 16 Ed. Pedagógico 2 – Caldas da Rainha; 27 Junho – 21:30 – Cine-Teatro de Alcobaça Baseado no texto homónimo de Friedrich Dürrenmatt, o cenário onde se desenrola a peça é o de uma casa de saúde mental de luxo. Três doentes são alvo da nossa atenção. Vamo-nos apercebendo que cada um deles usa o nome de um físico famoso, do qual adopta os comportamentos e hábitos: Newton, Mobius e Einstein. Os doentes são ajudados regularmente por três enfermeiras pessoais, há vários anos – Doroteia, Mónica e Irene, respectivamente. Num dado momento, somos confrontados com um acontecimento inusitado nas rotinas da casa. Uma das enfermeiras é assassinada e a polícia chamada ao local… La Vie en Rose – de Enda Walsh – 18 e 19 Junho – 21:30 – Teatro da Rainha – Caldas da Rainha La vie en rose é a história de duas adolescentes que desde sempre foram amigas inseparáveis. Pig e Runt como se costumam chamar, vivem num mundo aparte que eles próprios construíram. Nesse mundo há lugar para a violência, o álcool, a noite, a música e acima de tudo uma amizade que pode ser destruída pelo amor… A peça conta ainda com alguns apontamentos autobiográficos por parte das actrizes que já tinham um especial carinho por esta história. Hipólito – de Eurípides – 18 Junho – 16:00 – Teatro Chaby Pinheiro – Nazaré; 22 Junho – 17:00 – Centro Cultural Gonçalves Sapinho – Benedita; 23 Junho – 21:30 – Centro Cultural Gonçalves Sapinho – Benedita Na mitologia grega, Hipólito era filho de Teseu e de Hipólita rainha das amazonas, que herdou da mãe o gosto pela caça e pelos exercícios violentos. Cultuava Artemis e menosprezava Afrodite. Ela, enciumada, vingou-se fazendo Fedra, segunda esposa de Teseu, apaixonar-se por ele. Fedra rejeitada por Hipólito e envergonhada pelos seus sentimentos, suicida-se. Ao ser encontrada, possui na mão uma tabuinha acusando Hipólito de a ter violentado. Perante este facto,Teseu pede a Poseidon que castigue Hipólito… Tragédia datada do ano de 428 a.C.. Duas Madrugadas numa noite só a partir de Hiroshima Meu Amor – de Marguerite Duras – 21 Junho – 21:30 – Teatro Chaby Pinheiro – Nazaré Um homem e uma mulher conhecem-se, apaixonam-se e envolvem-se, sabendo de antemão que a esta relação já a sentença de morte havia sido lida mesmo antes de ela nascer. Esta é uma história de amor como tantas outras. Como tantas outras histórias de amor nasce de um encontro ocasional. Esta é uma história de construir e destruir barreiras, de morrer e renascer, de amar e odiar. É uma história de limites que se fingem ultrapassados, mas que na realidade nunca existiram. Esta é a minha história de amor, é a história de amor do Pedro, é a história de amor da Sara… E é a história de amor de qualquer mortal que um dia temeu o amor tanto quanto a própria morte… Artes Plásticas Tiago Pereira – ESAD – Caldas da Rainha – Até 20 Junho – Horário 20:00 – 22:30 Através de ilusões de óptica – produzidas por películas espelhadas – e por via de limitações no acesso ao espaço, pretende desafiar o modo como o espectador interage com a obra e, até certo ponto, causar sensações de vertigem e de claustrofobia. Instalada num espaço de passagem, a peça funciona como evidente convite ao risco do seu atravessamento. André Gomes – Teatro da Rainha – Caldas da Rainha – Até 19 Junho – Horário 20:00 – 22:30 O trabalho de André Gomes promove uma reflexão sobre o tempo, a memória e o artista. Quando chega o momento do fazer, do acto artístico, as imagens sofrem uma reconstrução, e estabilizam-se sob a forma de uma ‘última imagem’ que só provisoriamente culmina o processo: cada desenho fecha e abre um ciclo de imagens como que de um filme do mundo, sob o crivo do pensamento artístico. Mais que uma suspensão gráfica do tempo, o trabalho de André Gomes permite-nos assim surpreender a própria interpretação dinâmica que a memória faz do real, num infinito desdobrar de camadas inter-relacionadas e inter-referenciais. Os desenhos exibem uma escala de grandes dimensões e um registo agressivo do carvão sobre o papel, demonstrando a forma como as coisas são indefinidas na nossa mente. As obras assumem assim uma deriva nostálgica onde as personagens das cenas vagueiam algures entre a vida e a morte; a luz e a sombra; o preto e o branco. É através da intenção do artista que lhes é dado esse novo lugar. Nelson Carlos – Teatro da Rainha – Caldas da Rainha – Até 19 Junho – Horário 20:00 – 22:30 O trabalho que Nelson Carlos tem vindo a desenvolver tem como principal referência o modelo paisagístico, nomeadamente a partir do motivo da montanha, abordado em diferentes media (pintura, desenho, escultura, vídeo e fotografia), e desenvolvido sistemática e metodicamente como que numa obsessão. Numa das séries, “Caminhos”, as fotografias pedem ao espectador que se passeie por elas. No fundo, o trabalho que tem vindo a desenvolver ao espectador é um estado de contemplação. As fotografias são compostas principalmente por caminhos que apontam o olhar do observador para um horizonte sem um fim específico. Fica levantada a dúvida sobre o que fica no fim de tal percurso. Ao cabo de tantos caminhos, sem nenhum sítio específico onde vão dar, fica-se com uma noção de estar perdido num espécie de labirinto sem uma saída possível. A paisagem é aqui também utilizada como metáfora, em situações e sentimentos humanos. No fundo, o que é pretendido é criar no espectador um ambiente de reflexão sobre o espaço que nos rodeia e a problemática da vida contemporânea: a falta de consciência da necessidade de contemplação, face ao imediatismo do mundo em que vivemos. É preciso parar, olhar e sentir. Francisco Oliveira – Teatro da Rainha – Caldas da Rainha – Até 19 Junho – Horário 20:00 – 22:30 O trabalho de Francisco Oliveira tem como objectivo ‘criticar’ sem apontar o dedo a ninguém especificamente. As suas pinturas e objectos têm por background a cultura urbana e ostentam claramente uma estética pop. Através das minhas obras, tento apontar situações caricatas do quotidiano, mas sempre de uma maneira muito genérica, tentando levar o espectador a reflectir sobre os assuntos retratados. Nádia Duvall – Centro Cultural Gonçalves Sapinho – Benedita – Até 20 Junho – Horário 8:00 – 20:00 Nádia Duvall realiza as suas pinturas dentro de tanques de água, segundo métodos específicos por si desenvolvidos. O processo é metodicamente registado, sendo assim valorizado enquanto tal e enquanto corpo experimental. Após ter criado finas películas de pintura, o corpo da artista desliza para debaixo das mesmas, localizando-se entre a pintura ela própria e a tela (superfície pictórica). O corpo e o espírito da artista unem-se conceptualmente, através de movimentos fluídos e precisos que geram velaturas de cor e luz. Cada impulso conferido é como uma respiração ofegante do ‘aqui’ e do ‘agora’, permitindo à pintura que cresça de modo automático e livre. Cada gesto é um sopro de inspiração para os movimentos seguintes. Estes permitem a película de pintura habitar entre o espaço ‘virtual’ e real, como uma extensão do corpo e da tela. O resultado final é, na sua essência, o acervo de memórias de gestos fugazes que permitem a todo um espaço vazio ter uma presença sólida. E, a todo o material e imaterial um estado solene de comunicação. Nádia Duvall venceu o Prémio Pintura BANIF 2008. Tiago Baptista – Biblioteca Municipal da Azambuja – Até 30 Junho – Horário 10:30 – 18:00 Apresenta uma série de dispositivos – ou chamemos-lhes situações ou acontecimentos – que de alguma maneira não funcionam ou são absurdos. Qualquer personagem pode ‘espalhar-se ao comprido’, algo pode correr mal, alguém pode ser castigado justa ou injustamente. Não se sabe. Estes dispositivos encenados têm quase uma dimensão literária, como se nos contassem uma história, mas a sucessão dos acontecimentos e a sua lógica ou pressuposta coesão e normalidade são desconhecidos ou dificilmente descodificados. Tiago Baptista recorre muitas vezes à história da pintura, especialmente a um imaginário clássico de paisagem enquanto palco para dispor as personagens a fazer as acções a que as sujeita. O seu trabalho, para além de uma experiência visual, pretende ser uma reflexão em redor do que é realmente real ou verdadeiro, do que é o absurdo, se a nossa imaginação pode ser ridícula mesmo sendo imaginada. Aula Aberta Par – Pensar a Representação – Viagem a Veneza – por Emídio Ferreira – Dia 25 Junho – 15:00 – ESAD Auditório I – Caldas da Rainha No ano de 2007, no âmbito das actividades lectivas e com o apoio da Escola, o professor Emídio Ferreira levou os seus discentes a Veneza, no quadro da cadeira de História da Arte II. Esta Aula Aberta de Artes Plásticas é o contributo do Grupo de Investigação PAR – Pensar a Representação para o Festival “Mercúrio#2”, correspondendo a uma apresentação pública do relatório dessa viagem. Acompanhado de uma vertente audiovisual realizada pelos próprios alunos, Emídio Ferreira mostrará transparências do Carnaval de Veneza, cidade mítica de Arte e Cultura. Conferência-Instalação – Museu Imaginário: Uma Inconferência – Dia 26 Junho – 19:00 – ESAD ED. PED. 2 SALA 21 – Caldas da Rainha – Conferencista-performer Nelson Guerreiro Esta conferência-performance, apresentada como uma inconferência num gesto de apropriação terminológica de e.e. Cummings, procurará reflectir sobre a fruição artística na contemporaneidade, a partir do tema da ideia de Museu, um dos dispositivos-chave do campo cultural. O ponto de partida é a noção de ‘museu imaginário’ de André Malraux; o ponto de chegada a proposta de um novo dispositivo crítico e produtivo, de carácter híbrido e parasita, que tira partido de um espaço-tempo inevitável na vida quotidiana dos Museus – o espaço entre duas exposições ou instalações temporárias – para, simultaneamente, abrir o Museu a uma nova funcionalidade e oferecer ao público um novo elemento de programação.
Alunos da ESAD dinamizam Festival Mercúrio
18 de Junho, 2008
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