Sexo na terceira idade Como cada vez há mais idosos, devido ao aumento da esperança de vida, é pertinente falar de sexualidade na terceira idade, “um assunto em que as pessoas são reprimidas mais do que os próprios jovens”, referiu António Santinho Martins, sexólogo convidado das IV Jornadas sobre o Envelhecimento, que decorreram nos dias 17 de 18 de Abril na Expoeste, numa organização da Câmara Municipal das Caldas da Rainha e Grupo Concelhio de Apoio à Pessoa Idosa. O ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica e actual docente de Psicologia da Sexualidade na Universidade Lusófona, foi protagonista de um dos mais animados painéis do evento, ora não fosse o tema em análise ainda “um tabu”, como fez questão de frisar a moderadora Clara Ribeiro, assistente social da Câmara. Sem rodeios nem meias palavras, Santinho Martins começou por dizer que na terceira idade “há um declínio hormonal e muitos medicamentos são profundamente castradores em relação à actividade sexual”. Para além das doenças, há a acrescentar factores psicológicos, uma vez que “não é fácil aceitar o envelhecimento”. “A mulher tem mais problemas sexuais do que o homem. Na mulher, o problema mais importante é a falta do desejo, depois a falta de excitação. Em relação ao homem é a ejaculação prematura e depois a erecção e o desejo”, indicou o especialista. Mas o sexólogo salvaguardou que “quando se fala em relação sexual normalmente pensamos que tem de haver introdução do pénis na vagina. Não é verdade. Uma relação sexual pode ser excelente mesmo sem que haja o coito”. Segundo apontou, o segredo está no beijo, no abraço, na carícia e na pele, “o órgão sexual por excelência quando nos acariciamos”, Santinho Martins desmistificou a ideia de que o amor “é indecente” na terceira idade, e aproveitou para sublinhar que “há uma ideia errada de que os indivíduos que exageraram na juventude vão pagar mais tarde, porque a sexualidade na terceira idade normalmente deriva de uma boa sexualidade que se teve para trás”. A assistência, repleta de idosos e técnicos de instituições sociais, teve também oportunidade de intervir, fazendo perguntas e relatando histórias de vida. Uma das questões levantadas foi acerca do estimulador Viagra. “Deve ser receitado pelo médico, porque se a tensão arterial for muito baixa, o Viagra pode baixá-la excessivamente, aumentar a frequência cardíaca e levar a pessoa a ficar aflita”, manifestou o orador. “Acredito que pode ter havido mortes com pessoas que estavam a tomar o Viagra, mas porque o coração já não aguentava o esforço da actividade física, a culpa não era o medicamento. O Viagra quando apareceu foi a salvação de muitas pessoas que tinham 70 ou 80 anos, mas se calhar queriam o Viagra não era para companheira que tinham em casa com a mesma idade, mas iam com outras de 30 ou 40 anos, pensavam que tinham rejuvenescido e que eram tarzans, e o coração não aguentou”, comentou o sexólogo, que comparou o coito “ao equivalente a subir dois lanços de escada”. Um dos participantes na sessão perguntou depois “se é aconselhável manter relações sexuais com normalidade, se se deve ter orgasmo e ejacular”. A resposta de Santinho Martins foi que “se a pessoa tem desejo e capacidade física, deve praticar. Quanto a ejacular, que dá a sensação de prazer máximo, há hormonas que se libertam durante o acto sexual e orgasmo que são também fundamentais para manter a ligação entre as pessoas, dando uma sensação de tranquilidade e serenidade, não é por acaso que se diz que as pessoas na véspera de falarem em público devem ter relações sexuais para acalmarem a ansiedade”. Das IV Jornadas Envelhecimento e Sociedade fizeram parte outros painéis com interesse para a terceira idade, relacionados com doenças infecto-contagiosas (Tuberculose e Sida), doenças neurológicas (Doença de Parkinson e Alzeihmer), o luto no idoso, o papel dos cuidados de saúde primários no idoso, actividades físicas, ocupacionais e de lazer. A iniciativa foi completada com uma mostra de várias instituições sociais do concelho e uma exposição técnica. Testemunhos sobre a palestra da sexualidade Francisco Santos, 76 anos “Moro na Cidade Nova e mandaram-me da Câmara uma carta a convidar-me a assistir. Gostei de ouvir e das explicações que o orador deu a algumas perguntas. Com o decorrer dos anos as coisas vão-se modificando, não se é sempre jovem. Quem lê sabe, para outros faz confusão. Acho que respondeu às dúvidas. Eu fiquei mais esclarecido” Maria do Rosário, 65 anos “Recebi um convite da Câmara e vim a todas as sessões. Não tinha dúvidas porque leio muito, mas é bom para quem não tem conhecimento de que é assim mesmo como ele disse. Estas palestras são muito importantes” Francisco Gomes
“Tabu” desmistificado na Expoeste
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