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Câmara de Óbidos quer criar rede de transportes de viaturas eléctricas

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A Câmara Municipal de Óbidos vai apresentar uma candidatura ao QREN, para criação de uma rede de transportes de viaturas eléctricas. Foi uma das propostas apresentadas por um vasto conjunto de especialistas internacionais que esteve, de 7 a 11 de Abril, em Óbidos, para encontrar soluções para tornar Óbidos na primeira eco-vila do País. Margaret […]
Câmara de Óbidos quer criar rede de transportes de viaturas eléctricas

A Câmara Municipal de Óbidos vai apresentar uma candidatura ao QREN, para criação de uma rede de transportes de viaturas eléctricas. Foi uma das propostas apresentadas por um vasto conjunto de especialistas internacionais que esteve, de 7 a 11 de Abril, em Óbidos, para encontrar soluções para tornar Óbidos na primeira eco-vila do País. Margaret Bell, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, sugeriu um clube de veículos eléctricos, disponíveis na vila e alugados à hora pela população e pelos turistas nas suas deslocações. O transporte em autocarros eléctricos de turistas instalados em hotéis junto às praias para o centro histórico de Óbidos, foi outra das propostas apresentadas por esta investigadora. Uma das ideias passa por ter um “minibus eléctrico para trazer as pessoas dos hotéis e dos resorts junto às praias, para o centro histórico, local onde se encontra a maior parte das estruturas patrimoniais e de cultura”, defendeu Margaret Bell, considerando que “Óbidos pode ter toda a sua rede de transportes eléctrica porque é mais limpa e mais silenciosa”. O presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Telmo Faria, achou esta proposta muito interessante, referindo que vai apresentar um projecto ao QREN muito inovador em termos de mobilidade. “A professora da Universidade de Newcastle, especialista nesta área, apresentou-nos autocarros com cerca de 40 lugares totalmente eléctricos e com consumos muito interessantes. Vamos falar com o nosso parceiro da Rodoviária do Tejo que faz o projecto do OBI connosco para tentarmos fazer a substituição gradual”, disse, acrescentando que “o objectivo é incentivar a população, criando alternativas com o mínimo de impactos possíveis”. A energia renovável foi vista por estes investigadores como um factor chave para o desenvolvimento. A principal vantagem de Portugal é a energia solar (e eólica), mas a combinação de energias renováveis pode vir a ser uma solução para um futuro sustentável. A alimentação eléctrica da vila a partir de “hortas solares fotovoltaicas” é uma das ideias do Município de Óbidos. Segundo Telmo Faria, a ideia é criar no concelho várias explorações de energia através de painéis fotovoltaicos que têm ponto de ligação à rede pública da EDP, produzindo energia eléctrica a um preço muito baixo que permita criar rentabilidade e o retorno quer para o investimento quer para a população. O autarca revelou que é aguardada uma autorização, que foi solicitada à EDP, para serem indicados os pontos possíveis de ligação dessas hortas. O autarca disse ainda que a legislação que regula a actividade de produção de energia eléctrica que se integre no Sistema Eléctrico Independente, mediante a utilização de recursos renováveis ou resíduos industriais, agrícolas ou urbanos, tem de ser modificada. O presidente da Câmara revelou ainda que a Autarquia vai avançar para uma central de biomassa no concelho. “Preferencialmente vamos querer instalar a central no futuro Parque do Bom Sucesso, precisamente para fazer o aproveitamento e transformação energética a partir dos resíduos quer desse parque, quer das podas, quer da muita lenha que existe no nosso concelho”, indicou. Os investigadores reuniram-se no âmbito do curso StaR, que se insere no Programa StaR City of the Future, e teve como tema “Integrated Sustainable Systems”. Kate Hornsby, administradora do StaR, disse que ficou muito impressionada com o trabalho que tem sido desenvolvido no concelho de Óbidos e revelou que “está no caminho certo para se tornar numa vila mais sustentável”. Segundo esta gestora, “só vamos conseguir fazer uma mudança positiva em termos de sustentabilidade se trabalharmos em todos os sectores. Não podemos mudar os transportes ou os resíduos e deixar para trás a energia ou a água, tudo está interligado e só vai resultar em conjunto com a população”. No que diz respeito à água, os especialistas propõem uma gestão urbana das águas pluviais, feita em conjunto com os agricultores, por forma a evitar, ao máximo, que substâncias nocivas, usadas na agricultura, vão para os cursos de água. Também nos resíduos sólidos urbanos há propostas. Garantem os especialistas que “as pessoas têm de pagar pela quantidade de lixo que produzem, ou seja, a taxa a pagar tem de cobrir os custos reais com a recolha e tratamento dos resíduos”. Quanto mais lixo produzir, mais paga, numa tentativa de fazer com que a população recicle mais. Na área da arquitectura sustentável, os peritos asseguram que Óbidos pode dar algum contributo, em termos de ideias, para outras regiões do País com as mesmas características. “Temos de ensinar as pessoas a utilizarem de novo as suas casas, com recurso a novas tecnologias”, sublinham. Marlene Sousa

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