Há um factor que costuma ficar fora do debate ruidoso sobre vírus, vagas e campanhas: o meio onde tudo acontece.
Nenhum agente respiratório actua no vazio. Actua em corpos cansados, espaços fechados e num ar degradado.
O que observamos todos os Invernos não é apenas “mais gripe”. É, sobretudo, mais tempo em interiores mal ventilados, com ar recirculado, seco e carregado de partículas, compostos orgânicos voláteis (COVs) e aerossóis. Esse é o verdadeiro multiplicador silencioso do risco – e, por isso mesmo, o mais ignorado.
É aqui que Caldas Azul LIVE faz a diferença: medir para cuidar. Porque a qualidade do ar não é um detalhe técnico; é um determinante primário de saúde. Ventilação adequada, renovação efectiva de ar, controlo de humidade e redução de poluentes diminuem a carga infecciosa efectiva – independentemente do nome do vírus da estação.
Quando o ar é limpo e a humidade está num intervalo saudável, o corpo responde melhor: as mucosas mantêm a sua função de defesa, o sistema imunitário actua com mais eficácia e a transmissão cai – sem alarmismo, sem medo: prevenção inteligente baseada em dados.
E a boa notícia é que isto começa de forma simples. Três parâmetros bastam para iniciar uma política pública de ar limpo:
CO₂ (um indicador prático de ventilação e “ar usado”);
Partículas finas (o que não vemos, mas respiramos);
Humidade (conforto e risco de bolores, ácaros e alergias).
Por isso, antes de campanhas emocionais – pró ou contra – convém recentrar o essencial: não se protege saúde respiratória com narrativas. Protege-se com ambientes saudáveis, monitorização, prevenção estrutural e literacia.
Respirar bem é o primeiro acto de saúde pública. Tudo o resto vem depois.
Pergunta: se podemos medir para cuidar, porque continuamos a aceitar escolas, serviços e hospitais sem garantia pública de ar limpo?
Nota: Em Portugal, a qualidade do ar tem enquadramento legal. No ar ambiente, vigora o regime de avaliação e gestão da qualidade do ar previsto no Decreto-Lei n.º 102/2010 (na sua redacção actual). Nos edifícios de comércio e serviços em funcionamento, existe obrigação de assegurar requisitos de qualidade do ar interior (QAI), nos termos do Decreto-Lei n.º 101-D/2020 (na sua redacção actual), sendo a avaliação, o registo, os limiares, os critérios de conformidade e a metodologia de medição definidos pela Portaria n.º 138-G/2021.
O Índice de Qualidade do Ar (IQAr), divulgado ao público na plataforma QualAr da APA, sintetiza a qualidade do ar ambiente em cinco classes — muito bom, bom, médio, fraco e mau — e é determinado, em regra, pelo poluente que apresente a pior classificação no período considerado.
José Filipe Soares
MSc Engenharia e Tecnologias da Saúde · MBA em Gestão
Nota do autor: o texto segue a ortografia culta da Língua Portuguesa, por respeito à sua matriz histórica e etimológica. A evolução da língua não exige o apagamento das raízes.



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