Antigas tribos de Ferrel nas ruas da vila

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Macacos, Ursos e Leões, as antigas tribos de Ferrel, no concelho de Peniche, são alvo de um projeto de painéis tornado público e que pretende lembrar a história antiga das divisões territoriais da vila.

Ferrel estava dividido em territórios dominados por tribos. A primeira, a dos Ursos, instalou-se a norte da freguesia, na atual Rua da Fundação, devido a um naufrágio de piratas na praia da Almagreira. Assim se terá formado a tribo, que terá encontrado refúgio nesse local e aí permanecido. Supõe-se que a ascendência desta tribo seja viquingue, apesar da ausência de estudos que o confirmem, tendo em conta as várias invasões de povos nórdicos que Portugal sofreu entre os séculos VIII e XII.

O nome atribuído a esta tribo pode ter origem na mitologia escandinava. O urso possui um simbolismo associado à classe guerreira.

A tribo dos Ursos é principalmente conhecida por ser comerciante. É dela que surge uma das figuras emblemáticas do local – o almocreve. Vendedor de peixe ambulante, ia buscar o peixe a Peniche para vendê-lo em terras vizinhas.

Delimita-se o território correspondente à tribo dos ursos desde a Rua da Fundação em direção à Rua do Talefe, e Rua da Fundação à Rua 1.º de Dezembro, unindo-se rumo à Rua de Talefe.

Já a tribo dos Macacos é delimitada pela Rua da Paz, a norte pela Rua 1.º de Dezembro e estende-se a sul até ao Largo de Nossa Senhora da Guia e à Rua Padre Santo António, termina a nascente na Rua Dom Carlos.

A tribo dos Macacos poderá ter origem nos francos, quando estes se instalaram no local da Atouguia da Baleia, no século XII, e povoaram a região compreendida entre Óbidos e a Lourinhã.

Os Macacos caraterizam-se por uma personalidade mais calma e discreta. A população recorre inclusivamente à expressão “cada macaco no seu galho” para descrever a tribo. A sabedoria associada poderá também justificar o nome.

São trabalhadores agrícolas respeitados pelas outras tribos graças à sua personalidade apaziguadora.

Os Leões, tribo que possivelmente surgiu com a chegada dos francos no século XII, são mais zaragateiros, mais impulsivos para luta. Eram essencialmente agricultores.

O território desta tribo estende-se da Rua da Paz rumo à Rua 5 de Outubro, passando pela Avenida do Mar até à Rua Caminho das Mulheres. A norte até à Rua do Jardim e a sul até à Rua do Brejo.

Há quem diga que a origem do nome se deve um morador, muito respeitado pelos locais, de nome Ramiro Leão. É também um animal que se distingue pela sua ferocidade e poder.

Este foi um trabalho desenvolvido com base na investigação de Raquel Hermínio e com a Comissão de Monumentos de Ferrel, da qual foi membro, e que faz parte do livro “Ser Ferrel: A história de um povo contada por uma antropóloga”.

Segundo o presidente da junta cessante, Pedro Barata, os painéis constam de um “projeto preparado em 2023, que sofreu vários atrasos e teve agora um sprint final para finalização”. Em cada zona foi colocada uma tela com a representação em grandes dimensões, e nas 90 ruas adjacentes, foram colocadas pequenas réplicas, para assinalar o território.

As obras foram executadas pelos funcionários da junta, com apoio da empresa Fernando Gomes – Bazar Gomes, na colocação e transporte, e de alguns materiais da empresa Nuno Dias – Construção Civil. O investimento total foi de 2.512,46 euros.

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