Os “cintos” que podem mudar comportamentos

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Estava aqui a pensar…

 

Podemos aprender muitas coisas com os objetos que utilizamos no dia-a-dia. Os cintos de segurança existentes nos carros é um exemplo disso.

Úteis e essenciais para nos proteger e salvaguardar em caso de acidente rodoviário, o cinto de segurança é ativado quanto maior for o impacto, impedindo que o corpo seja projetado para fora do veículo. Uma maravilhosa invenção responsável por salvar vidas num mundo cheio de velocidades e negligências na condução.

Mas aquilo que me levou a pensar no assunto é exatamente o seu funcionamento. Se quisermos retirar o cinto de segurança, temos de o fazer suavemente, sem empregar muita força ou brusquidão. Se o tentarmos tirar dando puxões, empregando muita força ou num gesto rápido, ele vai bloquear e não vai ceder. Ao invés, se o fizermos lenta e suavemente, ele liberta nosso corpo. Porque a sua função é mesmo essa, prender nosso corpo no uso de uma força brusca, libertar-nos no uso de um gesto simples e suave. Portanto se estivermos com muita raiva e sem paciência, convém acalmar para tirar o cinto de segurança, porque com movimentos bruscos, o cinto vai apertar e apertar…

Bem, cintos de segurança à parte, acredito ser um ensinamento para as nossas vidas. Quantas vezes estamos irritados com o mundo, com a vida, connosco, com o que calhar? Quantas vezes a paciência não está em nós e disparamos em todas as direções? Resultado? Comportamento gera comportamento e a nossa alteração emocional e reação perante as coisas só vai provocar nos outros, desconforto também, originando na maior parte das vezes também respostas inadequadas, comportamentos impróprios, raiva e incompreensão.

E muitas vezes o fazemos sem ter a noção, sinal de que não estamos a saber gerir as nossas emoções, pondo à vista desarmada aquilo que sentimos, sem filtros, sem barreiras.

Concordo que possa ser libertador e faz bem partilhar aquilo que nos incomoda. Mas estou a referir-me a reações que muitas vezes temos a determinadas situações, fruto do acumular de tensão dentro de nós. E a verdade é que o outro não tem culpa daquilo que estamos a viver e sentir e por conseguinte também não tem o direito de ter que vivenciar essa pressão.

O que faz falta muitas vezes é parar uns segundos. Controlar reações. Hoje posso não estar bem ou nos melhores dias. Mas calma, tudo passa, tudo é fase. Deparo-me com algo que me está a criar atrito, então vou respirar fundo, pensar no cinto de segurança e concluir que quanto mais brusca for a minha reação, menos ela me vai libertar. Contar até 10, fechar os olhos, respirar fundo, pouco importa a estratégia. O que importa mesmo é parar e não reagir de imediato, na certeza de que se o fizermos não vai correr bem.

Vamos então usar um cinto de segurança também nas nossas vidas, na forma como encaramos o mundo e reagimos às suas contrariedades. Faz parte da vida nos presentear com momentos menos felizes mas a forma como os encaramos faz toda a diferença. Reagir com calma e ponderação. Todos ficamos a ganhar.

Pensei nisto e gostei de partilhar!

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