Longe do rigor das primeiras edições, onde eram escassos os sinais de modernidade nas várias tasquinhas, a organização do Mercado Medieval de Óbidos, que decorreu de 18 a 28 de julho, tentou mais uma vez o melhor equilíbrio entre o “bem receber” e ser o mais fiel possível aos tempos que recria.
Ainda há quem se lembre de ter de pagar com uma moeda própria ou de utilizar apenas talheres que existiam na época, mas nos últimos anos tornou-se mais fácil fazer uma refeição ou petiscar neste evento.
Começam também a aparecer sinais menos positivos, com demasiadas modernidades que acabam por estragar algumas imagens. No desfile diário havia figurantes a captar imagens com telemóveis e nas mesas apareciam alguns utensílios de plástico, entre outras situações.
O presidente da Câmara, Filipe Daniel, faz um “balanço muito positivo” desta edição e revela que durante os 11 dias o evento teve cerca de 130 mil visitantes.
A 21ª edição do Mercado Medieval de Óbidos juntou 22 associações do concelho “que participaram ativamente, com mais de mil pessoas, na criação e manutenção de um ambiente único”.
O autarca salienta como “as associações exibiram artes e ofícios tradicionais, oferecendo ao público a oportunidade de apreciar a excelente gastronomia local” e também “o impacto económico direto que resultou do evento, com as associações a conseguirem receitas na ordem de um milhão de euros”.
Filipe Daniel refere que estas verbas são cruciais para os orçamentos destas coletividades e para “os melhoramentos necessários nas suas atividades futuras”.
“A participação da comunidade foi notável, representando cerca de 10% da população do concelho de Óbidos”, sublinhou.
O presidente da Câmara lembra ainda que este evento também é importante para “os diferentes agentes económicos: hotelaria, serviços e restauração, os quais são importantes agentes de ativação do nosso território”.
Um dos objetivos do mercado medieval passa ainda pela formação de públicos, e “por dar a oportunidade aos nossos grupos de teatro, às nossas associações, e aos alunos que estão a terminar a sua formação em áreas mais artísticas – e aqui estamos a trabalhar muito em articulação com a ESAD.CR – de os envolver naquilo que são os projetos comunitários que existem”.
No balanço, o presidente da Câmara sublinha “a qualidade dos grupos de música, dos artistas, dos animadores, e também da cenografia”.
No total, foram mais de 400 atuações, mais de 300 espetáculos em palco, para além das atuações musicais, teatrais e de dança diárias, das arruadas, dos cortejos e dos torneios a cavalo.
Ricardo Duque, administrador da Óbidos Criativa, garante que que há uma preocupação permanente para que o Mercado Medieval de Óbidos seja uma referência nos eventos de recriação histórica, em particular no que respeita os eventos medievais.
“Sendo um dos mais antigos do país, queremos ter essa chancela de qualidade e de diferenciação, mas também, e ao mesmo tempo, de responsabilidade social”, comentou o presidente do conselho de administração da empresa municipal responsável pela organização.
O Mercado Medieval de Óbidos regressa em 2025, de 17 a 27 de julho.




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