Foi no âmbito do 80º aniversário do capitão Salgueiro Maia que os artistas e Rogério Vigário, CEO da MVC, assumiram conjuntamente a responsabilidade da elaboração de duas peças em tributo ao “herói” de Abril.
A iniciativa partiu de Carlos Oliveira. A empresa MVC tem uma parceria com o escultor caldense, nomeadamente na pedra para os seus monumentos. “Como a 1 de julho comemoravam-se os 80 anos do capitão Salgueiro Maia se fosse vivo, nós decidimos fazer uma homenagem à sua coragem e ao seu legado, uma vez que foi uma figura importante da revolução que em 1974 e que muitas vezes é esquecida”, contou o escultor ao JORNAL DAS CALDAS.
Os dois artistas prepararam obras em pedra para recordar o capitão e aempresa MVC cedeu material e instalações para o evento.
Carlos Oliveira também contactou a esposa do militar de Abril, Natércia Maia, que apadrinhou a iniciativa e também esteve presente na cerimónia, partilhando momentos de grande emoção com todos os participantes.
Ao JORNAL DAS CALDAS manifestou que a iniciativa a deixou “muito emocionada”, agradecendo à empresa e aos artistas, que “colaboraram no projeto de uma forma muito empenhada”.
Destacou ainda os músicos presentes na cerimónia, a cantora Joana Rodrigues e o músico Tiago da Neta, que “abrilhantaram o evento”. “Mimaram-me com duas canções que me dizem muito, como “Samaritana”, que o meu marido gostava muito de cantar, e a outra foi “Olhos Negros”, onde fizeram uma interpretação formidável”, relatou.
Na sessão foi apresentada a obra de Carlos Oliveira, que é um alto-relevo em pedra do capitão Salgueiro Maia. A obra, que ainda não está finalizada, é realizada em calcário de Moleanos. Tem uma escala de dois metros e vinte de altura por dois metros e quarenta de comprimento, um metro de largura e cerca de seis toneladas e meio de peso.
Rui Basílio recriou uma peça simbólica, maioritariamente pintada de negro com uma escala de dois metros e sessenta de altura. “É uma perfuração na pedra em que me baseio num movimento como se houvesse um disparo e que cria pontos de interação com a peça e depois com esses pontos recriar a imagem de Salgueiro Maia”, explicou.
O artista visual acredita que as obras vão ser “grandes monumentos nacionais”, mas reconhece que para os “mais jovens é difícil sentir na pele” aquilo que Rogério Vigário e Carlos Oliveira sentem, uma vez que “presenciaram a revolução dos cravos”.
“Foi uma figura importante para a nossa liberdade, mostrou muita garra e uma personalidade destemida”, disse Rui Basílio, que tem 33 anos e que na sua peça limitou-se a transmitir o seu tipo de observação e entendimento do momento perante aquilo que é a sua geração.
A empresa MVC existe há 33 anos e dedica a sua atividade à transformação de pedras como o Vidraço Moleanos, Calcário Candeeiros, Moca Creme, Rosal, entre outras.
Segundo Rogério Vigário, “ultimamente entrámos na área de trabalho mais específico a nível artístico, colaborando com artistas como Carlos Oliveira e Rui Basílio, porque consideramos que é um caminho que enriquece a pedra”.
Rogério Vigário destacou também o valor simbólico da iniciativa, uma vez teve uma vivência perto de Salgueiro Maia. Foi no serviço militar como soldado que conviveu pessoalmente com o capitão de Abril durante cerca de um ano. “Em Santarém, estava sob orientação dele a ajudar a inventariar o Museu da Cavalaria”, recordou, revelando que “havia uma grande proximidade e isso mexe comigo e é um orgulho receber aqui esta homenagem”, salientou. Do capitão recorda que era uma pessoa “simples e humilde”, que “tratava todos por igual”.
Carlos Oliveira referiu que a ligação ao capitão remete ao seu pai, que “tinha uma profunda admiração e um respeito enorme por Salgueiro Maia”. “Se a minha peça não for servir este país noutro sítio vou colocá-la em Salir de Matos no meu ateliê e crio no local o Largo Capitão Salgueiro Maia”, afirmou o escultor das Caldas da Rainha. A cerimónia contou com a presença do eurodeputado Teófilo Santos e dos presidentes da Câmara de Alcobaça, Hermínio Rodrigues, de Peniche, Henrique Bertino, de Óbidos, Filipe Daniel, e do Corvo, José Silva, do comandante da divisão de Caldas da Rainha da PSP, Hugo Marado, da Associação Salgueiro Maia, através do tenente-coronel Ley Garcia, e do embaixador Luís Lorvão.







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