Artur Homem escolheu a Sala de Exposições do Espaço Turismo, nas Caldas da Rainha, para apresentar as suas obras no dia 2 de março.
Começou o seu percurso artístico no fotorrealismo, inspirado pelo seu desenvolvimento no final dos anos 60. No entanto, após perceber as limitações desta vertente na liberdade criativa, rompeu com esse registo e apostou na expressividade das suas obras.
“Não era compensatório a certo momento”, contou o artista, que já em criança estava envolvido na criação de maquetes por influência do pai.
Descobriu a banda desenhada numa fase tardia da sua evolução, no secundário, e posteriormente no curso de Belas Artes, e foi deste gosto que surgiu a aguarela: “A aguarela é um desafio enorme, é muito difícil controlar a água no meio de uma superfície e as intensidades dos próprios tons”.
Nasceu no distrito de Coimbra, esteve entre Lisboa e Caldas da Rainha durante muitos anos, e as suas obras nascem dos lugares que conhece e já visitou.
O objetivo é criar uma composição que expresse um ambiente, um sentimento ou uma atmosfera. “Um conjunto de pinceladas mais ou menos desorganizadas depois, no todo, formam a representação de algo”, explicou referindo-se à aguarela da Praça da Figueira da Foz.
Para esta exposição chegou a pintar uma aguarela por dia, sendo que os quadros maiores demoraram cerca de quatro horas, os mais pequenos perto de uma hora e meia e os desenhos meia hora. “A mostra tem trabalhos de 2021 a 2024.
Achou que estas obras eram representativas do momento em que se encontra. “Tenho cinco ou seis exposições preparadas para sair, todavia, achei que estas eram uma boa notícia do trabalho que tenho andado a desenvolver”, indicou.
O artista começou a sua carreira como professor em Lisboa. “Gosto de dar aulas, gostei do contacto com os alunos e optei por querer ser professor em qualquer ponto do país. Gosto de estar nos lugares e apreciar a paisagem”, disse.
O chamado “ninho de desenhos”, no centro da exposição, surgiu de trabalhos realizados no intervalo das aulas dos cursos artísticos que leciona, nomeadamente, a disciplina de Geometria Descritiva. “Desenho baseado em coisas que me estimulam no momento ou parto de ideias que vem da atmosfera que gostaria de trabalhar”, sublinhou.
A mulher, Maria, ajuda-o com os contactos dos locais para expor, sendo que formam uma equipa que funciona: “Acordo a pensar na pintura e adormeço a pensar nos projetos de pintura, e se diversifico a minha ação para contactos e redes sociais, não vou conseguir chegar onde quero”.
Depois de agradecer à Câmara das Caldas da Rainha, ao Espaço Turismo e aos visitantes da inauguração, deu um conselho para quem quer começar a pintar: “Deve começar por aguarelas pequenas para controlar o meio”.
A exposição, composta por 35 obras emolduradas e um “ninho de desenhos”, estará disponível até dia 28 de março.




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