Rotários homenagearam o empresário de sucesso António Júlio e o professor por paixão Rui Correia

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Mais de 100 pessoas juntaram-se ao Rotary Clube das Caldas da Rainha, no passado dia 23, no restaurante A Lareira, para homenagear o percurso profissional de dois caldenses. O fundador e administrador da empresa Auto Júlio, António Júlio, foi distinguido pela sua carreira, e o professor Rui Correia como profissional do ano. Dedicação e criatividade foram algumas das qualidades que amigos e familiares fizeram questão de destacar acerca dos homenageados, naquele que é um dos eventos rotários mais importantes do ano. O empenho como a chave para o sucesso do seu trabalho une os homenageados deste ano pelo Rotary Clube das Caldas da Rainha.
Cerimónia de homenagem ao percurso profissional de dois caldenses

A cerimónia iniciou com os rotários responsáveis pelo protocolo desta cerimónia, Manuela Franco e Joaquim Monteiro, a assinalarem o aniversário do Rotary International, que comemorou 119 anos no dia 23 de fevereiro. Depois de apresentarem a história da organização, disseram que “é um orgulho, mas igualmente uma responsabilidade dar continuidade a uma visão de incentivar a união das comunidades baseadas na amizade e no servir e, simultaneamente, inovar e adaptar a nossa ação aos desafios da atualidade, mantendo os valores rotários”. 

Dezenas de amigos e familiares reuniram-se na sessão, onde foi possível conhecer melhor o percurso profissional dos distinguidos. 

Foi o rotário caldense Carlos Lopes quem apresentou o currículo do professor, salientando que “se vos selecionámos para serem hoje homenageados nós também estamos de parabéns”. 

Rui Correia nasceu em 1965 em Viseu. Passou a infância e juventude na Figueira da Foz, após uma passagem por África. Fez graduações em História e mestrado em Estudos Americanos. É professor de História na Escola Básica de Santo Onofre, onde também exerce o cargo de vice-presidente do Conselho Executivo. É vice-presidente da Associação Património Histórico e diretor da revista Risco. Foi vereador da Câmara Municipal das Caldas.

O facto de transformar o ensino de história com métodos inovadores, influenciando gerações de estudantes e professores, fez com que fosse o vencedor do Global Teacher Prize Portugal em 2019.

É autor de livros e publicações que contribuem para o estudo de apreciação da história e pedagogia, tornando-o uma referência na área. Com suas análises e crónicas sobre temas políticos e educativos, Rui Correia tornou-se uma voz influente na discussão pública, promovendo uma sociedade mais informada e reflexiva. É colaborador da SIC Notícias com coluna de crónicas políticas e educativas.

Rui Correia, que é professor por paixão e que ao longo dos anos tem tido preocupações em inovar no ensino, começou por referir que não se recorda de, quando era jovem, ter alguma vez pronunciado “quando for grande, vou ser professor”. “Durante a minha adolescência descobrira o jazz e a poesia e, nesse Portugal antigo, não era coisa por que alguém fizesse vida”, contou.

Revelou que na escola tinha “genuíno prazer no ato de aprender. Nem era tanto aprender. Havia entre nós uma espécie de volúpia que resultava do ato de pensar, argumentar e até zangar-nos por causa de ideias”.

Disse que tem “medo e melindro-me com a palavra excelência e com aquilo que se pode fazer com ela e exijo que todos entendam a regalia e o sacrifício que é o ato de estudar. E que estudar é tudo”.

É na sala de aula que “rio muito com os meus miúdos”. “Choro muito com os meus miúdos. Dói fundo quando percebo que tenho alunos que já viveram mais, com doze anos de vida, do que eu. Todos os professores sabem o que estou a dizer. Sei chegar-me aos miúdos. Não por estratégia. Conheço os incertos lugares que habitam porque nunca me esqueci de ser um adolescente. Sei exatamente o que significa sê-lo. Lembro-me de tudo”, salientou.

E foi com quinze ou dezasseis anos que percebeu que “gastar a vida toda a poder dar aos mais novos tudo o que quer que eu tenha para que possam ser melhores do que eu sou e fui, isso seria uma grande vida. Uma grande história”.

Aguarda por aqueles “professores, seres humanos, discretos e notáveis, que sabem que são os alunos que fazem deles professores”. “O que temos pela frente exige a delicadeza, persistência, exigência, humor e sensibilidade. Nada floresce sem isso. Ninguém aprende sem amabilidade. Cuidemos bem uns dos outros, que é para isso que cá estamos. Para nada mais”, concluiu.

Coube a João Silva, diretor do Agrupamento de Escolas Raul Proença, proferir umas palavras sobre o professor distinguido, revelando que é a humildade que coloca “nos seus atos que o torna diferente”. “Sempre que faz uma conquista gosta de a partilhar com os outros e sempre que falamos com ele estamos a aprender e é essa forma de nos fazer crescer a todos que o tornam único”, salientou.

Nuno Costa, da Figueira da Foz, seu amigo de longa data, disse que a palavra “desassossegador”, é o que o melhor define.

Homenagem a António Júlio

Foi a rotária Isabel Puga quem apresentou António Júlio, que teve uma trajetória de inovação e compromisso. Filho de um pintor de construção civil e de uma vendedora de peixe, António Júlio nasceu na cidade de Guarda em 1950. Passando por Matosinhos, veio parar às Caldas em 1955. Frequentou a Escola Industrial e Comercial Rafael Bordalo Pinheiro, onde frequentou o curso de eletricista. Assentou praça no Regimento 7, em Leiria, em 1971, e nesse mesmo ano foi combater para Ultramar, assumindo a função de telegrafista.

Regressou a Angola em 1974, trabalhando na manutenção da empresa do seu pai durante os três anos seguintes.

Após esse período mudou-se para Coruche, onde foi encarregado geral de uma firma de vigas de betão, tendo abandonado esse projeto passados três anos para se estabelecer por conta própria num negócio que o obrigou a vender todos os ativos para pagar a fornecedores. 

Nesse mesmo período candidatou-se a uma vaga de vendedor de Lamborghinis, tendo a partir daí também passado a vender automóveis Mitsubishi. Em 1978, devido à instabilidade que a empresa onde trabalhava estava a atravessar, fez uma oferta de compra dessa mesma empresa, ficando a pagar mensalmente 500 contos à Mitsubishi.

Hoje detém um grupo com 15 empresas que vão desde Cantanhede até ao Guadiana. Emprega 500 pessoas e fatura 180 milhões.

Durante o discurso de agradecimento, o empresário fez questão de dedicar o prémio à sua mulher, Luísa Sousa, que “me atura todos os dias”.

António Júlio falou sobre o entusiasmo de ser empresário e que partilha a distinção com os seus colaboradores porque sem eles “não tinha sido distinguido”. “Eles são a base real da Auto Júlio”, salientou, acrescentando que está presente o funcionário mais antigo, João Duarte, que tem consigo cerca de 40 anos de atividade. “Tenho aqui o meu filho, que é a pessoa que neste momento representa a maior parte do Grupo Auto Júlio”, adiantou.

“Hoje somos uma das maiores empresas do distrito de Leiria, mas à base de muito trabalho”, contou, revelando que tem perspetivas para continuar a crescer e ir mais longe ainda este ano. 

“O dinheiro não é tudo da vida e nem está em cima dos princípios”, concluiu.

“Homem persistente, resiliente em que nada o move de atingir os seus objetivos”, foram algumas palavras usados pelo seu funcionário João Duarte para caraterizar o também “homem com um H grande, muita criatividade e uma capacidade de influenciar para se fazer”.

O antigo presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, recordou que conheceu António Júlio no exercício das suas funções à frente do Município e que se tornaram amigos, mas “cumprindo as regras entre as instituições”. “O António Júlio quando queria falar alguma coisa da empresa com a Câmara pedia uma audiência ao presidente da autarquia”, contou. “Não era nos encontros que nós tínhamos em privado que tratávamos dos assuntos da empresa. Tem esse princípio e hoje isso deve ser mais valorizado”. Reconhece no empresário uma pessoa “inconformado que quer sempre mais”, valorizando o seu perfil “persistente no mundo do negócio”. “É um grande homem que tem servido as Caldas da Rainha através da atividade empresarial”, concluiu.  

O vice-presidente da Câmara das Caldas, Joaquim Beato, que esteve presente em representação do Município, destacou que os homenageados têm a “capacidade de serem lutadores para serem melhores naquilo que fazem”. “Quem está com eles aprende mais”, salientou, enaltecendo “o contributo que António Júlio tem dado às Caldas e o contributo que Rui Correia tem dado na formação dos jovens deste concelho”. “A Câmara Municipal está orgulhosa de homenagear estes dois caldenses”, salientou. 

Cristina Teotónio, governadora assistente do Distrito de 1960, esteve presente na cerimónia e fez algumas reflexões do que é o Rotary, destacando o objetivo de “criar um melhor mundo”. Realçou ainda o papel do Rotary na promoção da paz.

A presidente do Rotary Clube das Caldas da Rainha, Hélia Silva, referiu que os distinguidos têm “paixão pelo seu trabalho e que abraçam e estimulam a criatividade, para criarem oportunidades e alcançarem o sucesso naquilo que fazem”.

O evento contou com a atuação de alunos do Conservatório de Caldas da Rainha, que cativaram o público com a música.

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