Fenadegas quer reconhecimento pelo apoio social aos viticultores

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No âmbito da Festa das Adiafas, na qual se inseriu o XX Festival Nacional do Vinho Leve do Cadaval, realizou-se no dia 18 de outubro a reunião geral de adegas associadas da Fenadegas – Adegas Cooperativas de Portugal.
O presidente do Conselho de Administração da Fenadegas, Jorge Basto Gonçalves

No âmbito da Festa das Adiafas, na qual se inseriu o XX Festival Nacional do Vinho Leve do Cadaval, realizou-se no dia 18 de outubro a reunião geral de adegas associadas da Fenadegas – Adegas Cooperativas de Portugal.

Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, o presidente do Conselho de Administração da Fenadegas, Jorge Basto Gonçalves, salientou que mais uma vez “nesta campanha e sempre que há situações de crise no mercado de vinho, são as adegas cooperativas nas mais diversas regiões do país o garante do apoio aos viticultores”.

“Neste momento as adegas cooperativas estão com uma grande preocupação com o advento de vários fatores que influenciaram muito negativamente a sua realidade”, apontou, acrescentando que “um primeiro ponto negativo foi a retirada de vinhos do mercado que acabou por ter um ter um rateio na ordem dos 46%, que muito demonstra que realmente há claramente um excedente de vinhos no setor”.

Para Jorge Basto Gonçalves, ao “invés do rateio que muito penalizou o setor, deveria ter sido dada a devida e justa prioridade aos stocks excessivos a quem os produziu e não a quem os comprou, permitindo até a dúvida sobre a sua origem”.

Para além desta situação em várias regiões vitivinícolas do continente, os agentes económicos do comércio “reduziram o seu volume de compra de uvas, o que levou a um acréscimo muito preocupante de uvas vinificadas pelo setor cooperativo face à continuação de stocks elevados”.

“Não há realmente um apoio específico ao setor cooperativo, por exemplo num ano como este em que o excesso de vinhos existe no mercado nacional e onde grande parte das empresas compradoras de grandes quantidades de uva e de vinho se abstiveram de fazer as suas compras, e em todas as regiões as adegas cooperativas foram confrontadas com um acréscimo de entregas dos seus associados, porque no fundo estão a cumprir um papel social”, explicou o presidente da Fenadegas.

Esta realidade demonstra de forma evidente o “caráter prioritariamente social do setor cooperativo, nem sempre evidenciado e reconhecido como é devido”, declarou Jorge Basto Gonçalves, salientando que em anos de crise as adegas cooperativas “são, nas mais diversas regiões do país, o garante do apoio aos viticultores”.

O responsável disse que era fundamental haver uma política que reconheça “o papel fundamental para a sociedade da intervenção do setor cooperativo, que tem uma componente social inegável”.

Alegou que tem questionado o Governo porque é que “sistematicamente reduz a importância do setor social das adegas cooperativas, que dada a gestão delas não podem estar 100 por cento condicionadas a uma lógica de mercado, sem qualquer apoio para que se possam reestruturar e dinamizar”.

Entende a Fenadegas que em sede de Orçamento de Estado esse reconhecimento deve ser devidamente assegurado, quer ao nível dos impostos, permitindo a retoma da comercialização do vinhos para níveis de 2019, no mercado interno, bem como sejam consagradas medidas de apoio à capitalização das adegas cooperativas e sua reestruturação.

Quanto à exportação de vinhos, o presidente da Fenadegas afirmou que “festejámos com alguma alegria as metas que estamos a atingir do envio do nosso vinho para outros países, mas tentámos ocultar da opinião pública que nós importamos mais vinhos do que aquilo que exportamos”.

Na reunião debateram também alguns efeitos da imposição dos novos mercados, como seja a “certificação da sua sustentabilidade no setor das adegas cooperativas e ainda a introdução das novas normas de rotulagem nos vinhos que se irão aplicar a partir de dezembro deste ano”.

“Vinho português ganha notoriedade no universo internacional”

Jorge Basto Gonçalves diz que a Guerra na Ucrânia e mais recentemente os conflitos entre Israel e Palestina não está a afetar a exportação. 

“Felizmente em grande medida por intervenção de uma organização privada que o setor criou nós conseguimos ter uma ação consertada a nível da exportação que tem tentado minorar os impactos negativos que foi a queda significativa do mercado da Rússia e dos países com ela ligados bem como agora esta nova guerra que é numa área em que não tem o mesmo impacto de comercialização de vinhos”, contou.

Nos mercados em que estão a trabalhar a Fenadegas tem uma “visão muito positiva porque temos progredido na generalidade, não só em termos da quantidade de vinho comercializado como em termos do valor por litro”.

Segundo este responsável, isto significa que Portugal está a ganhar alguma notoriedade relativamente importante no universo internacional.

“Nós estamos convencidos que brevemente atingiremos o ponto em que o reconhecimento da qualidade dos vinhos portugueses acrescido do fator de que ainda são vinhos com um preço relativamente reduzido em termos daquilo que é o preço do “não vinho de qualidade” no âmbito do mercado internacional, vai trazer ainda mais capacidade aos nossos”, apontou.

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