Entre 13 e 16 de julho, “Mandrágora”, de Niccolò Machiavelli (1469-1527), esteve em cena no Largo da Copa, nas Caldas da Rainha, com as bancadas sempre cheias de público e com muitos sorrisos e aplausos.Entre 13 e 16 de julho, “Mandrágora”, de Niccolò Machiavelli (1469-1527), esteve em cena no Largo da Copa, nas Caldas da Rainha, com as bancadas sempre cheias de público e com muitos sorrisos e aplausos.
Com encenação de Fernando Mora Ramos, a partir de uma tradução original de Isabel Lopes, na estreia, como nos restantes dias, “o público começou a aplaudir ainda antes do termo do espetáculo, prevendo o fim de uma intriga que gerou as mais díspares reacões. Pelo meio houve sorrisos introvertidos e gargalhadas expansivas, suspiros de espanto e até esgares de repulsa, tudo o que o teatro pede quando as personagens são boas e os atores lhes fazem justiça”, descreve o Teatro da Rainha, que deu forma a esta peça, que estava praticamente caída no esquecimento.
“Mandrágora” apareceu em 1518, na cidade de Florença, em Itália, obtendo bastante sucesso, de tal modo que foi posteriormente representada na corte do papa, levando a que outras peças fossem encomendadas ao autor.
É uma peça que mistura teatro cómico e popular com teatro latino, sendo nela percetível a dimensão do pensamento de Maquiavel.
“Falamos de um autor dito amoral por haver sido um feroz opositor da hipocrisia na sociedade do seu tempo, mais empenhado em mostrar-nos como atuava o poder e se comportavam as pessoas do que em teorizar acerca de ideias e utopias”, manifesta a companhia teatral.
“Esta versão respeita a vivacidade dos diálogos e oferece aos sucessivos atos uma modernidade que garante o tom divertido do original, num texto temperado pelo picante das relações nos domínios da sexualidade, do poder, da justiça, do dinheiro e da religião”, acrescenta.
Segundo o Teatro da Rainha, “trata-se de uma comédia que usa o riso para desmascarar a hipocrisia latente nas diversas formas de poder, denunciando a avidez e a ausência de escrúpulos, as manigâncias, os fins que não conhecem meios, a obsessão com o lucro imediato”.
Mandrágora, a planta, ganhou fama graças a crendices que associavam a forma humana da raiz ao poder fecundador e supostamente afrodisíaco das bagas por ela produzidas. Símbolo do amor no antigo Egito, na Europa pré-industrial era desenterrada próximo do solstício de verão, antes do sol nascer, na última fase da lua. Aqueles que ousavam colhê-la tapavam os ouvidos, a fim de se protegerem contra a surdez e a loucura provocadas pelos gritos lancinantes do vegetal ao ser arrancado e quem lhe desse uso impróprio corria sério risco de vida.
Não foi inocente a referência que Maquiavel lhe fez na comédia agora recuperada pelo Teatro da Rainha, dirigida a um público sobre quem pesava uma fé inabalável em mitos e superstições.
Em palco estiveram os atores Fernando Mora Ramos, Fábio Costa, Ricardo Soares, José Carlos Faria, João Melo, Nuno Machado, Isabel Lopes e Cibele Maçãs. Formaram o coro Marta Taveira, Raniele Barbosa, Tânia Costa, Diogo Marques, Diogo Tomaz, Victor Duarte e Fernando Rodrigues, interpretando composições musicais de Tiago da Neta.




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