Histórias do Termalismo

24. Síntese

Jorge Mangorrinha

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O termalismo, ou crenoterapia, define-se por um conjunto de meios técnicos, sanitários, médicos, sociais, administrativos e de acolhimento, tendo como finalidade o uso terapêutico das águas minerais naturais, do gás e das lamas termais, para o tratamento clínico em ambiências e espaços arquitetónicos propícios.

O que diferencia o termalismo de outras terapias continua a ser o recurso à água mineral natural, considerada bacteriologicamente própria, de circulação profunda, com particularidades físico-químicas estáveis na origem (dentro da gama de flutuações naturais). O seu sucesso também se faz pela conjugação dos benefícios da água com fatores geográficos e comportamentais, porque o clima, os jardins, os bosques, os parques florestais, os lagos e o silêncio são fatores estimulantes, favoráveis a modificações positivas no organismo humano.

Em Portugal, o crescimento do termalismo ocorreu nos séculos XIX e XX, embora a fundação (século XV) e a refundação

(século XVIII) do Hospital Termal das Caldas da Rainha sejam acontecimentos incontornáveis na história da assistência, neste caso por via da terapia pelas águas.

Depois, no início da segunda metade do século XX, o termalismo social conheceu alguma estabilidade e o Estado criou comparticipações significativas nas despesas com tratamentos e estada termal. Algumas termas desenvolveram-se graças a essa política social, porém, o panorama mudou, mais recentemente, porque cessou a comparticipação da estada e iniciou-se um período de crise e degradação do parque termal português. Contudo, foi após este período que, ainda no final do século XX e com regulação no início do seguinte, surgiu o conceito alargado de turismo de saúde e bem-estar aplicado às estâncias termais, aliando o repouso físico e psicológico à tradicional e clássica função terapêutica das termas, com relaxamento e harmonia, o que potenciou a diversificação da oferta e a valorização do tempo e das atividades para além do tratamento. O parque termal português tomou novo fôlego, até às crises seguintes (financeira e pandémica).

A atividade termal tem sido, assim, uma prática social, com benefícios terapêuticos e suporte para o lazer, mas muito sensível às crises dos tempos históricos. O futuro contém desafios, nos quais se insere o das Caldas da Rainha, como referência secular e potência na saúde e no turismo, tal como na governança da cidade, se for feita com “golpe de vista” (cit. Doc. Reproduzido em anexo) e, digo eu, se estiver atenta à voz dos cidadãos e dos especialistas.

Este anónimo, que redigiu o manuscrito reproduzido em anexo, assim agiu, durante os anos de 1797 e 1798, na sua estada nas Caldas, onde fez um curioso levantamento do funcionamento do Hospital Termal: “Eu como me achei nesta vila, sem embaraço que me estorvasse a minha curiosidade, me vali de pessoas que[,] pelos seus encargos, sabiam a verdade do que me informei” (cit. Doc. Reproduzido em anexo).

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