Escaparate

Plano de Recuperação Patrimonial

Rui Calisto

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Às vezes ponho-me a pensar acerca de quais podem ser os motivos que fazem com que o centro da cidade de Caldas da Rainha seja arquitetonicamente tão feio.
Rui Calisto

Se existe um Fundo de Reabilitação e Conservação Patrimonial (FRCP) – criado pelo Decreto-Lei nº 24/2009, de 21 de janeiro, e que se destina a apoiar a reabilitação e conservação do património imobiliário do Estado, um documento financeiro valioso para a materialização dos móbiles assentes no Programa de Gestão do Património Imobiliário do Estado, vaticinado no artigo 113º do Decreto-Lei nº 280/2007, de 7 de agosto e sancionado pela Resolução de Conselho de Ministros nº 162/2008, de 24 de outubro – que financia integral ou parcialmente, a fundo perdido, a recuperação, reconstrução, ampliação, adaptação, reabilitação e conservação dos imóveis que são propriedade do Estado, o que falta para que, de facto, sejam usados os instrumentos legais que permitam tratar estrutural e arquitetonicamente do que Caldas da Rainha possui de valioso e que, na realidade, passa por ser o seu próprio rosto, aquilo pelo qual os visitantes podem encantar-se, reconhecendo como belo todo o centro da cidade, inclusive a sua zona mais histórica?

Quanto ao património imobiliário, histórico, e que pertence a privados: É compreensível que a maioria dos proprietários não possua meios monetários para recuperar o que é seu, devido, naturalmente à política de achatamento financeiro a que a população é submetida há décadas (independente da força política que está no Governo). É inconcebível não existir um gatilho, um Plano de Recuperação Patrimonial, que permita que se façam obras, a custos acessíveis, com mão-de-obra qualificada, com verba do Estado (ou com apoios, para o efeito, vindos de fundos comunitários), afinal, estamos a falar de algo que caracteriza uma região, e que é, praticamente, uma das marcas registadas da mesma.

Caldas da Rainha, como qualquer localidade, tem por obrigatoriedade construir lugares para melhorar a saúde mental dos seus habitantes, um conceito cunhado pela ONG norte-americana “Project for Public Spaces (PPS)”, e que comumente reconhecemos como “placemaking”, que visa definir processos de desenho colaborativo de espaços públicos que levam em consideração os desejos, os interesses e as necessidades das comunidades locais, o que infelizmente não é usual, creio mesmo que os caldenses desconhecem esse conceito, o que os faz ignorar, por exemplo, que o mesmo poderia ser adaptado para locais como o Parque D. Carlos I e a Mata Rainha D. Leonor.

Mas, e quanto a projetos de restabelecimento patrimonial, que permitam aos privados recuperar o que é seu, e, visualmente, de todos nós?

Esse revitalizar do património edificado alheio pode ser, também, um meio de oferecer saúde mental aos habitantes, e visitantes, da urbe! Afinal, se nos deslocarmos, a passeio ou a trabalho, por um centro histórico, presumivelmente, estaremos a “higienizar a mente” ao observar a riqueza arquitetónica do local.

Qual o motivo que leva a atual sociedade a não se relacionar com a necessidade da recuperação do edificado do seu concelho? Porquê a comunicação social não se preocupa em divulgar a urgência em restaurar e preservar o património arquitetónico do seu burgo? “Elementar, meu caro Watson”: Porque recuperar e preservar o património edificado de uma localidade é algo pouco dado a coscuvilhices e a sensacionalismos.

Se há mecanismos fiscais e financeiros que possibilitam uma intercessão, de fundo, no edificado urbano, então, que se organizem as hostes políticas e sociais para se colocar em prática um Plano de Recuperação Patrimonial sério e definitivo.

Que as mentalidades latinas deixem de estar afundadas na mesmice, e no sofá, territórios férteis para a destruição, em massa, das identidades.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados

Fechar a estrada antes que o rio decidisse por nós

Este texto é um reconhecimento. Escrevo-o porque sei que os factos aconteceram desta forma. Porque conheço quem tomou a decisão. Porque sei como foi ponderada, discutida, insistida. E porque nem sempre quem evita a tragédia é quem aparece a explicá-la.

foto barroso

Jovem casal abriu negócio de barbeiro, cabeleireiro e esteticista

Foi no final de setembro do ano passado que César Justino, de 23 anos e Maria Araújo, de 22 anos, abriram o cabeleireiro 16 Cut na Rua da Praça de Touros, em Caldas da Rainha. O estúdio, que era previamente loja de uma florista, serve agora o jovem casal e inclui serviço de barbeiro, cabeleireiro e esteticista.

16 cut1

Concurso de cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste

O Chefe do Ano, o maior e mais prestigiado concurso de cozinha para profissionais em Portugal, revelou os 18 concorrentes apurados para as etapas regionais da sua 37.ª edição, após uma fase de candidaturas que reuniu mais de 200 profissionais.
As três eliminatórias regionais decorrerão em abril. A primeira, referente à região Centro, será realizada no dia 14 de abril, na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, nas Caldas da Rainha. A segunda, da região Sul & Ilhas, acontecerá a 22 de abril, na Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão.

concurso