Está no momento de preparar o inverno?

Vanda Jorge, especialista em Medicina Interna na Clínica CUF Mafra e no Hospital CUF Torres Vedras

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2020 ficará seguramente marcado para a história mundial como o ano, até agora, da mais ameaçadora doença do século XXI, a Covid-19.
Vanda Jorge, especialista em Medicina Interna na Clínica CUF Mafra e no Hospital CUF Torres Vedras

Um efeito colateral desta pandemia, com consequências potencialmente mais graves, consistirá no receio de contágio, em particular nos doentes crónicos, isto é, portadores de doenças cardiovasculares, respiratórias ou oncológicas, entre outras. O compulsivo ou voluntário adiamento de consultas, meios complementares de diagnóstico, acesso aos serviços de urgência ou suspensão de medicação crónica terão repercussões significativas, em termos do controlo sintomático e da história natural da doença.

Especialistas apontam ainda, para a elevada probabilidade de Portugal vir a enfrentar uma segunda vaga de Covid-19 no inverno em conjunto com a gripe sazonal, colocando sob maior pressão a sociedade civil.

Face ao exposto, é indispensável e prioritário começarmos desde já a delinear estratégias para a promoção da saúde, prevenção e tratamento da doença.

O que devo fazer?

Marcar uma consulta junto do médico assistente para efetuar a vigilância necessária da saúde, não deixando patologias por diagnosticar e tratar. Evitar, deste modo, diagnósticos tardios, que podem tornar patologias previamente tratáveis em situações irreversíveis.

Manter o seguimento correto das doenças crónicas, impedindo exacerbações ou complicações. Assegurar a adesão terapêutica mantida, sem falhas na toma da medicação habitual.

Realizar os exames complementares de diagnóstico solicitados e necessários para o esclarecimento das situações.

Devo efetuar a vacina da gripe?

Sim, se pertencer a um grupo de risco. A vacina diminui muito a probabilidade de contrair a infeção e também minimiza substancialmente as possíveis complicações da gripe. Quem deve ser vacinado?

– pessoas com 65 anos ou mais;

– pessoas com doenças crónicas dos pulmões, do coração, dos rins ou do fígado;

– diabéticos em tratamento;

– grávidas;

– outras doenças que diminuam a resistência às infecções.

Devo manter as vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV) dos meus filhos?

Sim. As crianças devem efetuar atempadamente as vacinas recomendadas. A vacinação

no âmbito do PNV é uma medida de saúde pública prioritária, uma vez que previne doenças como o sarampo, a tosse convulsa, o tétano e doenças muito graves como a meningite.

As grávidas devem realizar a vacinação contra a tosse convulsa, nunca para além das 28 a 32 semanas de gestação, e que visa proteger o bebé nos primeiros meses de vida.

É seguro ir a uma unidade de saúde?

Sim. As unidades de saúde re-organizaram-se e adaptaram-se a esta nova realidade.

Seguem protocolos rigorosos e circuitos que garantem a segurança dos doentes e profissionais de saúde, pelo que não deve haver lugar a receios aquando das deslocações.

O que posso fazer mais?

De uma maneira geral, devemos ter em atenção a três aspetos principais no Inverno: nutrição, desidratação e conforto térmico. Ou seja, devo:

– preferir alimentos ricos em nutrientes para ajudar o sistema imunitário no combate a infecções;

– é fundamental manter uma boa hidratação para que o organismo possa repor as perdas e fluidificação das secreções;

– o vestuário deve ajustar-se à temperatura exterior, com especial atenção às extremidades – mãos, pés e cabeça.

Um bom inverno para todos.

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