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Petição para retirar nome de Salazar de ruas do Cadaval e de Peniche

Mariana Martinho

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Uma petição online, que tem como título “Retirar Salazar de nome de rua” e que pretende promover o debate sobre a “remoção urgente” do nome do antigo estadista da toponímia de 22 concelhos do país, entre os quais Peniche e Cadaval, já conta com mais setecentas assinaturas.

Lançada no início do mês de agosto, por um professor de História, Luis Braga é dirigida aos presidentes das Câmaras Municipais e das Assembleias Municipais de Ansião, Armamar, Cadaval, Campo Maior, Castelo Branco, Carregal do Sal, Coimbra, Lages do Pico, Leiria, Lisboa, Melgaço, Odemira, Paredes, Penedono, Peniche, Santa Comba Dão, Santarém, Santo Tirso, Tomar, Vila Flor, Vila Nova de Gaia e Viseu.

Como enuncia na petição, “a 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa”.

A petição surge no seguimento do recente debate público sobre a “memória política do passado e sobre os monumentos que, no espaço público, recordam, entre outros, factos como o racismo ou a opressão permitiu constatar que existem em Portugal muitos arruamentos, bairros, largos ou praças com o topónimo António de Oliveira Salazar”.

O autor escreveu ainda que no debate sobre a questão, “a permanência dessa situação tem sido explicada com visões, simplificadas e não científicas, como a que alega que Salazar foi uma figura histórica e, por isso, não se deverá mudar o nome do arruamento porque significaria o seu apagamento da História”. Trata-se assim de uma “homenagem muito estranha no contexto de uma Democracia, construída no contraste profundo com a ditadura protagonizada pelo homenageado”.

A petição solicita então às autarquias que confirmem se existe ou não “tal topónimo e divulguem os documentos em que se baseou a decisão administrativa de atribuir ou manter tal designação num arruamento do Concelho” e que “promovam o debate público junto da população e dos órgãos autárquicos, tendo em vista a remoção urgente de tal designação da via pública”.

“Sem estender a argumentação, que nos parece óbvia no contexto de um regime democrático, é muito estranha e deve ser afastada como indigna de “nome de rua”, a consagração da memória positiva de Salazar, um ditador, opressor da liberdade do povo português, cuja ação política belicista e colonialista mutilou e roubou tantos jovens à vida e às suas famílias. Tal pessoa, cuja existência histórica precisa de ser estudada, e não exaltada, não deve receber, por desleixo ou intenção, uma das homenagens cívicas mais elevadas que um concelho português pode fazer no seu espaço público”, frisa o autor.

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