No pomar no Cadaval, a ministra teve oportunidade não só de ver o primeiro dia da campanha da pera rocha no Oeste, como também de colher alguns frutos e observar as “boas práticas dos trabalhos agrícolas”, seguindo as orientações anunciadas pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério da Agricultura, que visam minimizar o risco de contágio por Covid-19 nas explorações agrícolas, centrais de embalamento e armazenamento de frutas e legumes.
Já na Coopval – Cooperativa Agrícola dos Fruticultores do Cadaval, Maria do Céu Antunes, que acompanhou o processo de chegada, embalamento e expedição da pera rocha, sublinhou que “em matéria de medidas de prevenção da pandemia há todo um trabalho que está a ser muito bem feito, porque não há agricultor nenhum que queira que a sua produção e a sua colheita seja interrompida”. Isso, segundo a ministra, também se deve à distribuição, por todos os produtores, de um manual elaborado em conjunto pela Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária e pela Direcção-Geral da Saúde.
“Vimos em todo o lado, até no próprio campo, sistemas de lavagem de mãos, casas de banho portáteis com sistemas de doseamento de álcool gel à saída, os trabalhadores todos de máscaras e luvas, com distanciamento e os bidons de colheita marcados com cores correspondentes à fileira de árvores”, exemplificou.
Além de visitar as instalações, Maria do Céu Antunes também reuniu com os produtores para ouvir as suas principais preocupações, e afirmou que “apesar da crise causada pela pandemia e de todos os efeitos na economia, as exportações do setor agroalimentar subiram 0,4% no primeiro semestre do ano, quando comparado com o mesmo período do ano passado”, acrescentando que no caso da pera rocha, “as exportações aumentaram em valor e volume”.
“Hoje representa 90% da produção nacional, dos quais 70% são exportados para países como o Brasil, Reino Unido, França, Alemanha ou Marrocos, entre outros”, revelou a ministra, adiantando que ministério prevê concluir “em breve” as negociações para abertura do mercado chinês, permitindo à fileira, que tem um grau de autoaprovisionamento de 192%, começar a exportar para aquele país. Contudo, não avançou com uma data de conclusão do processo, uma vez que ainda está a ser negociado com a China o dossiê da exportação de laranja portuguesa.
Campanha conta com 12 mil trabalhadores temporários
A ANP conta com cinco mil produtores associados, cria 4.700 postos anuais e durante a campanha consegue empregar mais de 15 mil pessoas por dia. Nas próximas semanas o trabalho a tempo inteiro nos pomares da região feito maioritariamente por “cerca de 12 mil trabalhadores temporários”, que a ministra garantiu que “não vêm de fora”, apontando que “todos os trabalhadores migrantes que estão aqui a trabalhar, já cá estavam”. No caso daqueles que foram contratados por empresas de trabalho temporário coube às próprias empresas “realizar os testes” de despistagem da doença.
“Mais do que os testes, é preciso serem seguidas as normas de distanciamento, uso de máscara e desinfeção, um conjunto de boas práticas que o Ministério fez chegar aos produtores”, esclareceu a ministra, que relembrou que no mês de agosto vão ser feitos os adiantamentos das ajudas incluídas no Pagamento Único (PU2020), no valor de 112 milhões de euros, dirigido a cerca de 137 mil beneficiários.
Assim, e de acordo com a regulamentação comunitária, será feita uma antecipação extraordinária do pagamento aos agricultores de 70 milhões de euros na medida de apoio à Manutenção da Atividade Agrícola em Zonas Desfavorecidas, de 31 milhões de euros na medida de apoio à Produção Integrada e de 11 milhões de euros na medida de apoio à Agricultura Biológica, desde que reunidas as condições regulamentares relativas ao controlo prévio ao pagamento.
A antecipação destas ajudas são também “uma forma de reconhecimento do papel importante da agricultura e dos agricultores portugueses, que permitiram que as cadeias de produção e abastecimento em Portugal funcionassem durante todo este tempo difícil e que continuássemos, embora com constrangimentos, a crescer nas exportações”, sublinhou a ministra da agricultura.
Relativamente à campanha de colheita da pera rocha, que “está a ser encarada com preocupação ao mesmo tempo, com alguma confiança”, prevê-se que haja um decréscimo de 30% em relação ao ano passado, com 130 mil toneladas do fruto. Essa diminuição da produção, segundo o presidente da ANP, poderá “trazer algum desafogo em termos de escoamento”, mas, “tudo é uma incerteza pela situação de pandemia a nível mundial”, esperando que não venham a verificar-se “interrupções de tráfego e navegação”.
Apesar disso, “a pera este ano tem mais qualidade”, sublinhou Domingos Santos, adiantando que o fruto está significativamente melhor do que o ano passado ao nível de açúcares.







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