Faltam instâncias de participação e da inacessibilidade dos eleitos

Rui Martins

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Recentemente, e no contexto de uma recente vaga de insegurança na freguesia onde resido tive oportunidade de falar com vários moradores e comerciantes (que são, aqui, a principal vítima) e a sensação geral que ficou foi a de que, por um lado, as pessoas se sentem abandonadas pelos seus representantes colectivos, sejam eles do quadro associativo, sejam eles (sobretudo), do seu quadro electivo sendo que aqui oiço frequentemente a expressão "vêm aqui em campanha mas depois passam quatro anos sem os vermos".

Isto merece reflexão. Por um lado quanto à excessiva dependência este o mundo associativo e as autarquias não somente em Lisboa mas em todo o país. Seria desejável, com efeito, que as verbas fossem cedidas a título excepcional, de forma não discricionária, sob concurso aberto e transparente e com mecanismos que afastam os políticos eleitos do processo decisório de quem irá ou deixará de receber financiamentos para cortar estes cordões umbilicais e aproximar a sociedade civil de quem a representa e a afastar de dependências perigosas, castradoras ou limitadores de quem atribui financiamentos.

De sublinhar que estes riscos são mais intensos, por uma questão de escala e proximidade, nas freguesias do que nas câmaras municipais uma vez que a sua pequena escala dificulta a acção fiscalizadora das oposições em Assembleia de Freguesia e produz pouco interesse por parte da acção fiscalizadora do 4º Poder (a Imprensa).

Por outro lado, e muito mais importante, importa perceber porque é que, em 2020, continuamos a ter políticos eleitos que ainda acreditam que é possível ganhar eleições saindo dos gabinetes apenas uma vez de 4 em 4 anos em arruadas cada vez menos populares, cada vez menos significativas e relevantes para o resultado eleitoral.

Com efeito, não podemos esperar que é ainda possível fazer campanha, apenas, de 4 em 4 anos e contar que nada mude, nunca. Os políticos eleitos não devem estar em campanha apenas nos vinte dias que precedem as eleições mas sim, durante todo o seu mandato.

Não naquele tipo de campanha estafadas, batidas e que fazem (dá para ver) com fastio e fraco entusiasmo, mas em campanhas de nova geração: de proximidade permanente, de porta aberta e compromisso directo e empenhado com a comunidade: campanhas eleitorais permanentes e de proximidade: é assim que conhecerão com precisão os problemas que preocupam os seus eleitores e que reforçam a qualidade da democracia e a protegem contra a ascensão dos totalitarismos que estão hoje – mais do que nunca – à espreita da ocasião perfeita para ascenderem ao poder.

Se os eleitos locais não forem capazes de responderem à ascensão dos populismos e à desilusão crescente com a democracia. Se não ouvirem este desespero surdo dos cidadãos e não resolverem os problemas – graves – de acessibilidade dos cidadãos à classe política (tanto mais inacessível quanto mais alto for a instância representada: Presidência (que só responde por mensagens-tipo), Governo (idem), Assembleia da República (onde a regra, entre deputados, é a da não-resposta) então criamos espaço para o crescimento do Populismo que já se apossou de EUA, Brasil, Polónia, Hungria e Roménia à custa do desespero dos cidadãos perante esta inacessibilidade participativa.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados

Fechar a estrada antes que o rio decidisse por nós

Este texto é um reconhecimento. Escrevo-o porque sei que os factos aconteceram desta forma. Porque conheço quem tomou a decisão. Porque sei como foi ponderada, discutida, insistida. E porque nem sempre quem evita a tragédia é quem aparece a explicá-la.

foto barroso

Jovem casal abriu negócio de barbeiro, cabeleireiro e esteticista

Foi no final de setembro do ano passado que César Justino, de 23 anos e Maria Araújo, de 22 anos, abriram o cabeleireiro 16 Cut na Rua da Praça de Touros, em Caldas da Rainha. O estúdio, que era previamente loja de uma florista, serve agora o jovem casal e inclui serviço de barbeiro, cabeleireiro e esteticista.

16 cut1

Concurso de cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste

O Chefe do Ano, o maior e mais prestigiado concurso de cozinha para profissionais em Portugal, revelou os 18 concorrentes apurados para as etapas regionais da sua 37.ª edição, após uma fase de candidaturas que reuniu mais de 200 profissionais.
As três eliminatórias regionais decorrerão em abril. A primeira, referente à região Centro, será realizada no dia 14 de abril, na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, nas Caldas da Rainha. A segunda, da região Sul & Ilhas, acontecerá a 22 de abril, na Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão.

concurso