Centro no Montejunto recupera animais selvagens

Francisco Gomes

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O Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Montejunto (CRASM), situado na aldeia de Tojeira, freguesia do Vilar, concelho de Cadaval, tem recebido muitas aves entregues pela GNR, que as recolhe depois de alertada por habitantes sobre o estado debilitado em que são encontradas.
Falcão peregrino entregue no CRASM

Os militares do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) do Destacamento Territorial de Mafra da GNR recuperaram no dia 16 uma ave de rapina juvenil, identificada como falcão peregrino, na Venda do Pinheiro, no concelho de Mafra, tendo sido entregue ao CRASM para observação e posterior libertação no seu habitat natural.

A ave foi encontrada por um popular residente na localidade, que verificou que a mesma não conseguia voar, apesar de se ter constatado que não apresentava sinais de estar ferida.

Durante uma ação de patrulhamento, militares do Núcleo de Proteção Ambiental do Destacamento Territorial da GNR de Alenquer recuperaram uma ave juvenil da espécie mocho galego, na localidade de Rocha Forte, no concelho do Cadaval, no passado dia 3.

O alerta foi dado por um popular, indicando que o animal não conseguia voar. Verificava-se existirem sinais de estar ferido no bico.

Posteriormente a ave foi entregue ao CRASM, para observação e libertação no seu habitat natural.

Em junho, durante uma ação de patrulhamento, militares do SEPNA do Destacamento Territorial de Alenquer recuperaram uma ave de rapina juvenil, um peneireiro, na localidade de Figueiros, no Cadaval.

No momento em que a ave foi encontrada não conseguia voar, no entanto, não apresentava sinais de estar ferida. O peneireiro foi posteriormente entregue ao CRASM.

Outra ave de rapina juvenil foi recolhida na Ota, em Alenquer. O alerta foi dado por uma habitante que passeava o seu cão e que se deparou com o animal debilitado e sem conseguia voar. A águia d’asa-redonda foi levada pelos militares para o CRASM

Os militares do mesmo SEPNA recuperaram outro peneireiro, na localidade de Aldeia Gavinha, em Alenquer, após o alerta dado por uma menina de nove anos, Caetana, que ao brincar no jardim da sua casa viu o animal aninhado e que não conseguia voar. A menina avisou os pais, que, de imediato, contataram o SEPNA para proceder à recolha da ave. No local foi explicado à menina o que iria ser feito ao peneireiro, uma vez que a mesma se mostrou muito preocupada com a ave. O peneireiro foi entregue no CRASM para ser observado e libertado no seu habitat.

Entretanto, os militares do SEPNA, em conjunto com a Secção de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário do Destacamento Territorial de Mafra, libertaram cinco aves de rapina, denominadas de coruja das torres, que tinham sido entregues, ainda crias, no CRASM, para avaliação. Uma vez que se encontravam em boas condições, foi solicitada a cooperação dos militares, no sentido da libertação das aves.

Fundado a 1 de setembro de 2007, o CRASM é um projeto conjunto da Quercus, Junta de Freguesia de Vilar e Grupo de Escuteiros de Vilar, contando com o apoio da Câmara Municipal do Cadaval.

Faz parte da Rede Nacional de Centros de Recuperação, coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e funciona fundamentalmente como uma clínica veterinária para fauna selvagem, acolhendo animais que são encontrados debilitados ou feridos acidentalmente ou devido à ação humana. Após a recolha, os animais são avaliados e é feito um diagnóstico, seguido de um plano de tratamento, que tanto pode ser algo complexo como uma cirurgia, ou um simples tratamento de suporte e alimentação para recuperar animais debilitados.

Posteriormente, os animais permanecem nas instalações do centro, em câmaras de maiores dimensões – túneis de voo, para recuperarem a sua condição física e reaprenderem os mecanismos de sobrevivência em estado selvagem. Só depois podem ser devolvidos à natureza.

Para além dessa missão principal, o CRASM realiza ações de educação ambiental para alertar sobre a necessidade da conservação da natureza em geral e da Serra de Montejunto em particular.

As instalações do CRASM situam-se numa das encostas da Serra de Montejunto, a uma altitude de 239 metros, onde existe também instalada uma estação meteorológica, que permite a recolha e registo de dados ambientais relevantes, cuja visualização é disponibilizada em tempo real via internet.

O CRASM depende de ajudas de particulares e empresas, pelo que os contributos podem passar pelo apadrinhamento de animais em recuperação, doação de materiais ou equipamentos úteis ao funcionamento das instalações, e voluntariado, integrando a equipa de voluntários (de recuperação ou educação ambiental).

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