Desde junho que os hotéis estão na fase de reabertura, embora alguns só decidiram abrir durante o mês de julho, altura em que há mais movimento de pessoas devido às férias de verão e suspensão das ligações aéreas no país.
Os hotéis reabrem a pouco e pouco, cientes de que o mais importante é passar a “mensagem de segurança”, cumprindo e reforçando as políticas de segurança e higiene definidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e reunidas no Guia de Boas Práticas da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP). O selo “clean & safe”, criado pelo Turismo de Portugal, está a ser adotado pela maioria dos hotéis, mostrando que em conjunto com o próprio consumidor, irá exigir o cumprimento das normas de segurança, transmitindo a confiança fundamental ao visitante.
Hotel Maré na Nazaré abre com confiança e segurança
O Hotel Maré, na Nazaré, abriu portas com o selo Clean & Safe, “complementando com outras medidas desenvolvidas através do nosso protocolo interno, como novas formas para efetuar check-in e check-out através de ferramentas web, entre outras medidas, essenciais nesta nova realidade”, disse ao JORNAL DAS CALDAS, Miguel Sousinha, proprietário do hotel e também presidente da delegação de Leiria da AHRESP.
“Adotámos ainda um conjunto de medidas ao nível do distanciamento e outras de forma a providenciar ainda mais segurança aos nossos clientes e colaboradores, além da necessária formação das nossas equipas de forma a “mitigar os efeitos da pandemia e continuar a garantir crescimento turístico e económico”.
“Vivemos por esta altura tempos novos ao nível da procura e teremos que adaptar a nossa oferta de forma a contribuir para que os nossos clientes se sintam em segurança”, adiantou.
Sendo o turismo um importante setor de atividade para a economia portuguesa, “todos nós levamos muito a sério a definição de estratégias com vista à abertura do país. As atitudes, medidas e comportamentos dos portugueses e de Portugal posicionaram-no como um exemplo a seguir”, apontou.
O proprietário do Hotel Maré disse que ainda se encontram com cerca de 75% dos recursos humanos em layoff, tendo a empresa “feito um esforço económico expressivo para garantir a remuneração e subsídios por completo de todos os nossos colaboradores até ao momento”.
“Antes mesmo da recuperação das perdas é necessário que o governo central e as autarquias ajudem as empresas a sobreviver”, sublinhou, acrescentando que é “tempo do Estado ser chamado a contribuir e ser solidário para com os agentes económicos, que ao longo de muitos anos contribuem com o pagamento dos seus impostos, gerando riqueza e bem-estar para todo o país”.
Mesmo no contexto atual, Miguel Sousinha considera que “haverá vários mercados, mas em muito menor dimensão”. “Haverá certamente algum mercado externo, mas essencialmente teremos turismo de proximidade, mercado nacional e mercado espanhol”. No entanto, revelou que a “procura ainda é muito diminuta”, considerando que “devido aos sinais existentes, a recuperação se fará muito lentamente e demorará algum tempo a voltarmos a ter os níveis de atividade dos últimos anos”. “Hoje teremos que olhar o nosso negócio ao dia e mais tarde à semana”, manifestou.
Para o empresário, “fazer qualquer previsão no atual contexto é prematuro, pois enquanto não existir um fármaco, a vacina ou a imunidade de grupo existirá sempre o receio em viajar”.
A previsão do dirigente é que “as taxas de ocupação rondarão os 50% em agosto, que é considerado o melhor mês da nossa operação, que em anos anteriores rondavam os 98%”.
Quanto aos preços praticados, o empresário informou que “dado não se tratar de uma crise de procura ou de oferta como existiu em outras crises, não será natural a descida de preços, mas, de modo a impulsionar o mercado, será natural a existência de algumas promoções ou campanhas”.
Questionado se está apreensivo em relação aos mercados externos, Miguel Sousinha referiu que “é nosso entendimento que dada a falta de ligações aéreas expressivas, a existência de constrangimentos como quarentenas obrigatórias em determinados mercados emissores, o aumento do número de casos em Portugal nos últimos dias e também o apelo de vários governos para que os seus cidadãos façam turismo interno irá resultar numa diminuição expressiva destes mercados”.
“A retoma dos mercados externos ainda se encontra com muitas reticências, nomeadamente a possível existência de uma segunda vaga em alguns países, mas mesmo tudo a correr bem antes de abril do próximo ano os mercados externos não terão expressão”, salientou.
A recuperação da perda “nunca será antes de 2022 e demorará alguns anos”. A sua empresa teve que recorrer a capitais externos para ultrapassar esta crise. “Será necessário voltar a capitalizar a empresa, dado a expressão das perdas sofridas até ao momento. Nós vínhamos de investimentos na modernização da unidade, com planos de negócios bem definidos nunca pensando na existência de uma situação de faturação zero”, declarou.
“Este é o tempo de mudança e de unir esforços para podermos seguir em frente”, salientando que “nunca podemos esquecer que esta região é diversificada, atraente e segura, com compromisso de receber bem e em segurança todos os que nos visitam”. “Acreditamos que os turistas vão procurar destinos com hotéis de menor dimensão, praias maiores e recursos ligados à natureza e bem-estar e o Oeste tem um enorme potencial na oferta desse tipo de produtos”, afirmou.





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