Memória curta?

Alberto Campos

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Todos estamos emocionados e agradecidos a todo o pessoal das diferentes classes médicas envolvido no tratamento desta pandemia, pondo diariamente a sua vida em risco ou, até, perdendo-a para salvar o próximo.

As condições de trabalho que esses dedicados profissionais enfrentam em algumas circunstâncias, nomeadamente em outros países, são verdadeiros suicídios. Apesar de conscientes disso eles persistem. Bem hajam!

Algumas religiões falam dos seus santos mas, para mim, estes são, de momento, os meus santos.

Sem melhores palavras que lhes confira a minha gratidão, pergunto, a propósito – passado tudo isto como iremos “arrumar a casa”? Passado tudo isto será que voltaremos a ver o pessoal médico insatisfeito, trabalhando nos hospitais públicos sem as devidas condições, sem equipamentos adequados às necessidades, sem justas remunerações e progressões nas suas carreiras?

Por força das circunstâncias profissionais que o nosso país político lhes tem oferecido sistematicamente, parte desse pessoal médico tem vindo a optar pelos hospitais privados definitivamente ou em tempo pós laboral do SNS, chegando mesmo a emigrar para países que lhe oferecem boas condições de trabalho e remuneratórias, assim como rápida progressão nas carreiras. Ora, tudo isto é muito mau, em último caso, para nós – utentes do SNS.

Ultimamente tenho pensado que uma vez “limpo” o SNS, com a partida dos mais idosos, com o aparecimento de um maior número de descontentes com o SNS, que optam por subscrever seguros de saúde, poderá este ficar muito “aliviado” no futuro e, sobretudo, com utentes mais novos, muitos deles desempregados, em consequência do futuro que se avizinha para a economia nacional, ou utentes verdadeiramente pobres. Em qualquer dos casos incapazes, face às suas debilidades, de exercerem qualquer força reivindicativa sobre o SNS. E os nossos políticos hábeis em esquecer promessas, como nos têm habituado, passando esta pandemia, provavelmente se irão esquecer da necessária construção de novos hospitais públicos, da urgente atualização dos existentes, das remunerações e carreiras do pessoal médico, e de tudo o mais que vier a ser necessário para que os utentes do SNS possam usufruir de bons atos médicos a que têm direito.

Parece-me que, por tudo isto, passada esta pandemia, os políticos serão obrigados a uma reflexão muito séria sobre o futuro que querem para o SNS, para os hospitais privados e, sobretudo, para os utentes. Ou então terei que, mais uma vez, dizer o que sempre tenho pensado e que de facto tem acontecido com os políticos:

-Os políticos têm memória curta!

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