Férias

Isabel Vasco Costa

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Teremos férias? Talvez sim, se o temível coronavírus tirar férias, cansado de tanto mal fazer.
Isabel Vasco Costa

Mas será que fazer o mal causa cansaço? Aos homens, sim. Podemos garantir que os gestos ou os atos que se praticam com maldade, por serem semelhantes às atitudes para trabalhar, cansam. A fadiga até deve ser superior, devido ao medo de se vir a ser descoberto e castigado. Porquê, então, todos nós praticamos más ações? Podemos desculpar-nos com imensas razões que se resumem numa só: porque queremos ser felizes mais e sempre.

Sempre e mais felicidade é algo que está ao alcance de qualquer pessoa, mas tem de “passar além da dor” (“Mensagem”, poema “Mar Português”, Fernando Pessoa).

Neste preciso momento, são numerosas as dores, corporais, espirituais ou ambas, que vêm ter connosco. Algumas são recebidas com alegria por pessoas que têm a convicção de que cada dor oferece um bem maior capaz de “afogar” essa dor. É, por exemplo, a dor da mãe e do pai que veem nascer o filho que lhes trará trabalhos, insónias, cansaços mil…e um milhão de alegrias. Não há maior gratificação que a de saber que se fez algo grande. E não existe nada maior que dar a vida. Por isso, médicos, enfermeiros e todos quantos se dedicam a salvar vidas não são pessoas revoltadas, mas felizes.

Para os revoltados, as dores são sempre enormes, injustas e inúteis. E, por serem inevitáveis, estes serão uns revoltados perenes, e quantas vezes vingativos, enquanto não se dispuserem a “tirar umas férias” como o coronavírus.

Durante as suas férias, o corona vai deixar de causar tosse, febre, falta de ar, morte e contágios. Perante estas maldades, a maioria das pessoas, gente corrente, cresceu tanto em bondade que parece estar a ser capaz de abafar o mal. A docilidade às normas de higiene propostas pelos profissionais de saúde parecem ser a causa da vitória sobre o mal, mas não é tanto assim. A grande causa desta vitória é mais profunda e humilde: está escondida na bondade e na inteligência de quem soube obedecer.

A maldade fugiu de muitos lares onde, infetadas ou não, as pessoas se empenham em tornar a vida mais agradável aos que lhes estão próximos. A bondade espalhou-se e foi “contagiando” outros, muitos outros. Agora, levantam-se cedo e fazem uma breve oração – o pequeno-almoço da alma – pedindo forças para cumprir as tarefas do dia que, assim elas desejam, servirão para glória de Deus.

Deste modo, o sorriso manter-se-á nos seus lábios de pessoas serenas, e elas comunicarão um alento de alegria e paz aos que estiverem por perto ou por longe, talvez até no purgatório. Sim, que isto de férias não é coisa que se tire (tirar férias), mas coisa que se dá, até a quem padece no purgatório.

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