Uma viagem à Serra d’El Rei para conhecer a história de amor de D. Pedro I e Inês de Castro

Marlene Sousa

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No dia dos namorados, 14 de fevereiro, o museu D. Pedro I (na Serra d’El Rei, Peniche), que é inspirado na história de amor proibido entre o infante D. Pedro e Inês de Castro, e a sua relação com a região Oeste, comemora o seu segundo aniversário. O espaço museológico irá receber excursões e inaugurar duas exposições temporárias que envolvem a Fundação Inês de Castro (de Coimbra) e a turma de Oficina de Escrita da Universidade Sénior de Peniche.
Jorge Amador, presidente da Junta da Serra d’El Rei, é o responsável pelo museu

Esta atração turística da Serra d’El Rei em dois anos já recebeu mais de cinco mil visitantes. “É a história de amor de 700 anos e todo este cenário da paixão proibida que atrai as pessoas ao museu”, disse o presidente da Junta da Serra d’El Rei, Jorge Amador.

O amor proibido entre o infante D. Pedro e Inês de Castro marcou a história de Portugal. Há quase 700 anos, a freguesia de Serra D’El Rei foi o cenário da paixão proibida, que está na origem da lenda das ferraduras ao contrário. E para contar os segredos do mais famoso romance português, abriu em 2018 o museu D. Pedro I, que é já uma atração turística da Serra d’El Rei, em Peniche.

No rés-do-chão, depois da entrada, está a exposição permanente deste museu, “Serra d’ El-Rei na rota do romance de Pedro e Inês”, que evoca os amores daquelas duas figuras incontornáveis da história portuguesa na sua relação com esta região oestina. A mostra, que é ainda composta por esculturas de artistas locais, exibe trajes do Museu Nacional do Teatro e da Dança e recupera o amor de Pedro e Inês nas artes e nas letras em Portugal.

Recorde-se que longe da intriga e da corte, fora das principais estradas do reino, D. Pedro e Inês de Castro terão vivido na Serra D’el Rei, entre 1346 e 1352, alguns dos anos mais calmos e felizes de um amor trágico e proibido.

Ficaram alojados nesta região, com Pedro no Paço da Serra e Inês no Palácio do Moledo, seis quilómetros a sul. Aqui terão nascido os primeiros três filhos do casal.

O seu amor nunca aceite, acaba em tragédia por questões políticas. Diz a história que D. Inês de Castro morreu degolada, por ordem de D. Afonso IV, em Coimbra, em 1355. A revolta de D. Pedro, motivada pela dor, desgosto, loucura e raiva foi tétrica e violenta. “D. Pedro I acaba por se vingar de quem matou a amada arrancando os órgãos vitais à mão”, relatou Jorge Amador.

A passagem do casal por esta localidade deixou marcas na história e no património. “No Paço Real viveram D. Pedro I, D. Fernando, D. João I e D. Afonso V. Naturalmente que a Serra desenvolveu em função do conjunto de privilégios que eles davam”, relatou, o presidente da Junta, que é o responsável pelas visitas guiadas ao museu.

“O objetivo é realçar a passagem de D. Pedro, a sua importância histórica, e também naturalmente falar dos amores de Pedro e Inês, porque eles tiveram aqui uma parte importante dessa história”, explicou Jorge Amador.

O museu localiza-se no quintal da antiga habitação centenária do dr. Lima, uma das casas mais antigas do lugar. Foi Jorge Amador quem deu início a este projeto e com a reabilitação do imóvel foi criada a sede da Junta da Freguesia e o museu.

No chão que leva à sala principal existe a imagem das ferraduras, que conduz à lenda das ferraduras ao contrário.

Diz-se que D. Pedro, enamorado por D. Inês, usava todas as artimanhas para se encontrar com a sua amada longe dos olhares desaprovadores de seu pai, o Rei Afonso IV, e dos seus apoiantes na corte. Alguns desses encontros aconteceriam quando se instalava no palácio da Serra D’El Rei sob o pretexto de ir caçar, e não fazia mais do que secretamente visitar a sua amada escondida no Palácio do Moledo.

Para isso, conta a lenda, D. Pedro ferrava o cavalo com as ferraduras ao contrário para que quando saísse pensassem que entrava e vice-versa, e de forma a evitar olhares indiscretos.

Na galeria de exposições a mostra reúne ainda duas esculturas de José Aurélio, uma escultura de Susana Correia, com azulejo vidrado, que é a marca da freguesia, e seis gravuras relativas ao amor do casal feitas por Charles Chandal (séc. XIX).

Está exposto também um vestido oferecido por uma estilista italiana, que idealizou para Inês de Castro, para além de uma placa do rancho folclórico local, que festeja este ano os 40 anos e que tem o nome de D. Pedro I.

Existe ainda um espaço audiovisual, com um filme sobre Pedro e Inês.

No piso superior do museu encontram-se quinze vestuários que fazem parte da primeira coleção da história de Pedro e Inês feitos por criadores do Modatex – Centro de Formação Profissional da Indústria Têxtil, Vestuário, Confecção e Lanifícios em parceria com as rendilheiras. A tradicional Renda de Bilros da Serra d’El Rei está a decorar o vestuário.

Está igualmente patente uma exposição de Nélia Caixinha, “D. Pedro I e D. Inês de Castro – O Rei Saudade e Sua Rainha”.

A divulgação desta história de amor e lágrimas é feita ao abrigo do protocolo firmado entre a Fundação Inês de Castro, o Município de Peniche e a Freguesia de Serra d’ El-Rei. Um euro é o preço da entrada.

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