Realizado por Vasco Durão, foi filmado nos Pavilhões do Parque D. Carlos I, na Mata Rainha D. Leonor e na casa na Serra do Bouro de Maria Adília dos Santos, tendo sido apresentado ao público no passado dia 7, no Centro Cultural e de Congressos (CCC) das Caldas da Rainha.
A equipa de quatro alunos da Universidade de Middlesex, com uma grande paixão pelo cinema e pela criação de novas linguagens, constituída também por Gonçalo Pereira (cinematógrafo) e Israa Al-Edamee (editora), concorreu com a curta-metragem a quatro festivais internacionais e portugueses. “Aguardamos os resultados”, disse Ana Araújo, confessando que não estava à espera de ganhar o prémio de melhor filme do segundo ano de 2019 do curso de cinema. “Todos os filmes foram fantásticos. Houve um aluno que fez um documentário sobre ele próprio, como é viver com autismo e pensávamos que esse ia ser o vencedor”, relatou.
A jovem caldense destaca a qualidade do curso e afirma que está a adorar viver em Londres. “Como não temos família temos uma grande amizade com os amigos”, revelou a produtora da curta-metragem, indicando que a sua turma tem cerca de dez portugueses. Em 2017 entraram 800 portugueses para a Universidade de Middlesex.
Depois de terminar o curso, que é de três anos, pretende ficar mais um ano em Londres, até porque considera que “há mais oportunidades no mundo na indústria de cinema”. “Não tenho planos de voltar para Portugal, gosto muito de vir cá passar férias, mas voltar definitivamente acho que não”, salientou Ana Araújo, que fora da faculdade trabalha num restaurante.
A história original foi escrita por Ana Araújo, que relatou que “quando comecei a escrever o guião, inspirei-me numa história verídica de alguém que perdeu o seu parceiro e o filme centrar-se-ia na solidão e na tristeza da pessoa. No entanto, ao longo do processo de escrita, senti-me mal em estar a reviver algo tão real como ficção, o que levou a uma mudança drástica e um final inesperado”. A história foi depois adaptada pela visão do realizador Vasco Durão.
A curta-metragem, que tem a duração de 15 minutos, passa-se no mundo pós-apocalíptico. Depois de uma guerra nuclear que diminuiu drasticamente a população mundial, a personagem Amelia, de 60 anos, interpretada pela atriz portuguesa Custódia Gallego, luta pela sobrevivência. Faz experiências com a plantação de vegetais e resta-lhe alguns recursos, como o seu último coelho e algumas galinhas que lhe dão ovos. Tem um armário com um cadeado onde guarda as coisas para ela mais preciosas, como chocolate, cigarros, medicamentos, fósforos, entre outros. A curta-metragem mostra a rotina de Amélia e de repente, um bater de porta inesperado surpreende a sobrevivente. É Tom, um jovem de 16 anos cuja personagem é interpretada pelo ator Lourenço Mimoso.
Tom, com uma ferida na perna pede ajuda, mas Amélia hesita e decide ajudar quando ele diz que tem comida. Ele rouba-lhe medicamentos e fósforos e a história baseia-se na relação improvável que eles criam, até porque a sobrevivência está em risco. O público é surpreendido com um fim “inesperado, mas que apetece continuar a ver”.
Ana Araújo aproveitou o momento para fazer agradecimentos. “Não posso sequer tentar enunciar todos os nomes daqueles que colaboraram connosco na curta-metragem”, disse.
Desde o início, este grupo sabia que queria filmar em Portugal. Queriam criar um filme diferente, que se destacasse entre os outros e os ajudasse a crescer. Saíram das suas zonas de conforto, convidaram os atores Custódia Gallego e Lourenço Mimoso, que aceitaram contar esta história com eles.
Na apresentação do filme no CCC, todos foram unânimes: a interpretação de Custódia Gallego no “Sweet Amelia” foi “brilhante”. A atriz, que esteve presente nas Caldas durante a exibição do filme, adorou trabalhar com os jovens.
“Todo o cinema que se faz em Portugal é um bocadinho assim, com a ajuda deste e daquele, e não só com dinheiros e com o esforço dos que estão diretamente envolvidos”, contou Custódia Gallego. “Agora é mais fácil tecnicamente porque o material é mais barato e acessível”, adiantou, recordando que “quando era película era uma desgraça autêntica”.
Para Custódia Gallego, foi muito bom “este intercâmbio”, revelando que faz muitas curtas-metragens para as “escolas portuguesas e são estímulos novos” que servem para a sua formação e experiência. Para esta curta-metragem, a atriz destacou “o facto dos jovens terem utilizado as suas referências e os sítios onde viveram e onde fizeram o seu crescimento, para facilitarem a sua linguagem artística e de formação”.
A atriz que interpretou Amelia elogiou ainda o trabalho dos alunos que nos três dias de filmagens tinham “tudo muito bem organizado, com uma pré-produção como eu acho que se deve fazer profissionalmente, o que facilitou a vida fantasticamente a todos que participaram”.
Também o diretor de fotografia, Gonçalo Pereira (cinematógrafo) referiu o trabalho que um filme dá a fazer. “Quando vimos uma obra audiovisual, na televisão ou no cinema, é difícil imaginar – como espetadores – todo o suor envolvido na criação e no desenvolvimento daquele trabalho”, disse, acrescentando que “existem várias fases e processos”.
A pré-produção da curta-metragem levou três meses. “Foram três meses intensos de trabalho para produzir o filme”, revelou, referindo que “valeu a pena”.
“Sweet Amelia” já foi apresentado em Londres e em Setúbal e ambas as sessões encheram a sala. Também o auditório do CCC esgotou para a exibição do filme.
A curta-metragem teve a ajuda da Câmara Municipal das Caldas da Rainha e da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório.
Outra caldense na curta-metragem
Os cabelos e maquilhagem da curta-metragem “Sweet Amelia” foram da responsabilidade da caldense Inês Antunes, que está a tirar o curso de cabelo, maquilhagem e efeitos especiais na Universidade de Birmingham, em Inglaterra. “Eles precisavam de uma maquilhadora que soubesse fazer feridas e uma amiga nossa em comum mandou-me mensagem e as datas que eles vieram às Caldas filmar coincidiram com as minhas férias em Portugal”, contou.
Inês Antunes, de 19 anos, que terminou o secundário no Colégio Rainha D. Leonor, na área de Ciências e Tecnologias, acabou o primeiro ano do curso de efeitos especiais. A jovem caldense gostava de ingressar na área demaquilhageme caraterização no mundo do cinema. “Quando acabar o curso é que posso ver as oportunidades que tenho, mas adorava voltar para Portugal”, salientou.
Créditos do filme: Atores: Custódia Galelo como Amelia; Lourenço Mimoso como Tom. Equipa técnica: Direção – Vasco Durão; Produção – Ana Araújo; Co-produção – Angelina Venâncio. Produtores executivos – Mário Rui Araújo, Alexandra Durão e João Paulo Durão. Diretor de Fotografia – Gonçalo Pereira. Iluminação – Kristiana Zhekova e Som Harrison Toward; Diretor de Elenco – Carolina Jesus; Cabelos e maquilhagem – Inês Antunes; Bastidores – Marcelo Colaço; Banda Sonora Original – Marta Pereira.






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