Essa posição foi defendida pelo autarca, durante o debate, que decorreu no dia 29 de junho, no pequeno auditório do CCC, promovido pelo Conselho da Cidade – Associação para a Cidadania das Caldas da Rainha, com intuito de “apelar à participação cívica das diferentes comunidades do Oeste, com partilha e encontro de ideias e, porventura, abrir portas para linhas de trabalho e encontro de soluções sustentadas de futuro”.
Apesar dos restantes autarcas não considerarem que as Caldas deva ser a melhor localização, o edil garante que vai “continuar a debater e a tentar convencer os colegas” que o seu concelho tem as melhores condições técnicas e geográficas para a instalação de um novo hospital na região.
Tinta Ferreira também alertou que “essa decisão não será nem local, nem regional, mas sim de âmbito nacional”, já que os municípios encontram-se a debater para que haja fundos comunitários, previstos para o período 2020-2030, para a construção de um novo hospital e requalificar as estruturas existentes, “sob pena dos cidadãos do oeste não terem os cuidados de saúde devidos”.
Presentes também estiveram os presidentes das autarquias de Torres Vedras, Peniche, Bombarral, Lourinhã e ainda o vice-presidente da câmara de Óbidos.
Para o autarca de Peniche, Henrique Bertino, é “impensável que continuemos com esta indecisão” e por isso, “proponho que os autarcas votem em função de um estudo, que deve ser feito tendo em conta o acesso para todas a populações dos concelhos da região”. Já o seu colega de Torres Vedras, Carlos Bernardes, entende que cabe aos 12 municípios da Comunidade Intermunicipal avançar com os estudos.
Os presidentes das Câmaras de Bombarral e da Lourinhã não fazem questão que o hospital seja erguido nos seus concelhos, sendo que “importante é a construção de uma nova unidade com todas as valências”.
O vice-presidente da Câmara de Óbidos, José Pereira, também concorda com a posição dos anteriores colegas, bem como com o investimento nas unidades atuais da região.
“Tanto os autarcas como a população devem lutar pela nova unidade”
Além dos autarcas, o debate sobre a temática “As razões técnicas para um novo Hospital no Oeste” também contou com as intervenções de Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos, e Durão de Carvalho, engenheiro da Associação dos Engenheiros e Arquitetos Hospitalares, moderados pela jornalista Marina Caldas.
No que diz respeito à nova unidade do Oeste, Durão de Carvalho referiu que é “necessário começar pela definição do perfil e do programa funcional” que a unidade deverá ter. Projetos esses que terão que ser elaborados pelo Ministério da Saúde.
Do planeamento da unidade “deverá ainda constar um estudo da estrutura demográfica, epidemiológica e sua evolução na área de influência, um levantamento da situação existente, uma definição da carteira de serviços e a dimensão”, explicou o engenheiro.
Mas antes de falar sobre as razões para a construção de um hospital, Durão de Carvalho recordou que a unidade existente, que serve 300 mil habitantes de três concelhos, tem “uma atividade muito reduzida relativamente à população que serve”. Além disso apresenta uma atividade assistencial, com uma “quota de mercado bastante baixa, rondando os 55%”, uma dispersão que “considero negativa” dos recursos pelas três unidades, com custos operacionais elevados conforme a monitorização do Serviço Nacional de Saúde, que rondam anualmente os oitenta milhões de euros e um número de trabalhadores dos diversos setores profissionais abaixo da média nacional.
Frisou ainda as valências “que deviam de ter internamento e que não têm no Centro Hospitalar do Oeste”, como é o caso da psiquiatria, da cardiologia, da neurologia e da oncologia médica, e as novas, “que também deviam de existir, sem necessitar de internamento”, como é o caso da estomatologia, da infeciologia, da reumatologia e da anatomia patológica. Face isto, “o passo seguinte é definirmos qual é a dimensão que o novo hospital deve ter”.
Para o responsável terá de ser um hospital para responder às necessidades da população, com uma dimensão igual à do Hospital de Loures. Além disso “deverá ter capacidade para realizar mais consultas do que aquelas que atualmente fazemos”.
O novo hospital, no seu entender “deverá ter 414 camas, 43 gabinetes de consulta, 9 salas de operações (5 salas de cirurgia programada, 3 de cirurgia de ambulatória e 1 de obstetrícia), uma Unidade de Hemodialise, com 20 cadeirões, uma Unidade de Cuidados Intensivos polivalente de nível II e III, com 24 camas, e uma Urgência Médico Cirúrgica”. Este planeamento de hospital, que prevê uma área que ronda entre os 50 a 60.000 m2, terá um custo previsível entre 100 a 120 milhões.
No entanto, segundo o engenheiro, iria permitir “concentrar os recursos existentes dispersos por três unidades potenciando o trabalho em equipa, com consequente melhoria de qualidade, a completa e a racional utilização dos recursos tecnológicos, que hoje se encontram dispersos, a eliminação de circuitos e processos penosos para doentes e profissionais, a atração de novos profissionais e a manutenção dos existentes”, e garantia uma quota de “mercado normal”.
Igualmente substituía as instalações inadequadas, sem funcionalidade e condicionantes da atividade clinica e da qualidade disponibilizada aos doentes e ainda reduziria os custos operacionais nos hospitais centrais.
Construído de raiz, a nova unidade terá “um custo de orçamento anual da ordem daquele que já tem hoje, mas com melhorias significativas”.
Como tal, Durão de Carvalho recomendou que “tanto os autarcas como a população devem lutar pela nova unidade, de modo a que seja construído na próxima legislatura, com todas estas condições apontadas”.
Novo hospital “por uma questão de qualidade e de racionalidade”
Já António Curado, médico e presidente da mesa da Assembleia do Conselho da Cidade, frisou que “a zona oeste é uma das mais carenciadas do país em cuidados hospitalares públicos”, e como tal é “preciso um novo hospital, por uma questão de qualidade e de racionalidade”, permitindo assim a resolução da dispersão de recursos, da falta de camas de internamento, da falta de unidade de cuidados intensivos, da dificuldade de atrair profissionais qualificados e das acessibilidades rodoviárias e de helitransporte.
Igualmente permitirá um aumento da diferenciação técnica do hospital, redução das afluências de doentes aos hospitais de Lisboa, adequação para 300 habitantes, redução dos custos de exploração e da logística de hospitais, integração paisagística do novo edifício, parqueamento apropriado, nova estrutura física e operacional de hospital moderno, projeto de eficiência energética, servir uma população abrangente a todo o oeste e equidade na acessibilidade a tecnologias médicas, promover o desenvolvimento do potencial turístico e económico da região, permitir camas de cuidados continuados nas atuais estruturas, melhorar as condições de trabalho e de segurança dos profissionais e aumentar a satisfação dos utentes.
Contudo, “coloca-se a questão do estudo de perfil assistencial, onde o número de camas adequado deveria de ser entre 350 e 450, bem como a manutenção de todas as atuais 23 especialidades e a localização”.
No que toca ao projeto de financiamento, António Curado esclareceu que “teremos de ter em conta o novo quadro comunitário de apoio 2030”, que além de permitir a construção da nova unidade, permitirá a requalificação dos espaços devolutos. A unidade de Peniche poderá ser aproveitada para camas de cuidados continuados e nas Caldas, a “implosão dos edifícios e criação de espaço verde a montante do Hospital Termal”.
O responsável também alertou que “o facto de haver um novo hospital não invalida, de modo nenhum, um investimento em cuidados de saúde primários e de proximidade”. Nesse sentido, “não podemos deixar de olhar para as necessidades atuais e investir na organização atual”.
A construção tem sido “sucessivamente adiada”
O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, explicou que a decisão de construção do novo hospital tem sido “sucessivamente adiada pelos políticos”, sendo algo que “não podemos continuar adiar”. Isso, segundo o responsável trará “mais custos a todos os níveis para os portugueses”, e portanto é “urgente investirmos mais no serviço público e resolvermos alguns dos problemas periféricos que temos, como é o caso desta região, que deverá ter uma atenção especial”.
Aproveitou para recordar que “o Oeste é uma das regiões do país tradicionalmente mais carenciadas no que diz respeito ao acesso aos cuidados de saúde”, o que “não tem tido a devida atenção”.
O responsável também referiu que “apesar das pequenas divergências que possam existir entre os autarcas, existe um consenso quanto à necessidade de um novo hospital para região e se houver um consenso e uma união de vontades é evidente que o governo consegue arranjar algum dinheiro, nem que seja numa parceria com alguém”.
No que diz respeito à localização, o bastonário frisou que “essa é uma questão que deve ser debatida entre os autarcas e os cidadãos”, apesar de a “decisão final ser sempre política”.
Na opinião do presidente do conselho diretivo da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, “todas estas problemáticas serão seguramente resolvidas com a realização do estudo técnico”.




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