A candidatura ao Programa de Inovação da Comissão Europeia, “no valor de três milhões de euros, vai ser entregue em Bruxelas no dia 14 de março, para se poder arrancar com o atlas, que pretendemos que cubra toda a Europa”, disse à imprensa, Mário Crescente, vice-presidente do conselho científico da Associação Europeia das Cidades Históricas Termais (EHTTA).
O documento, foi preparado nas Caldas no encontro, “junto dos quais serão recolhidos contributos para fundamentar a importância do atlas”, explicou o responsável.
Em Bruxelas, será apresentado “um protótipo desenvolvido nas cidades de Bath (Inglaterra), Mondariz (Espanha) e Caldas da Rainha (Portugal), as três primeiras a integrar o atlas”.
Numa primeira fase, este projeto irá reunir e georeferenciar, numa plataforma online, informação sobre cerca de 250 cidades termais da Europa, permitindo estudos, avaliações e considerações que potenciem a sua divulgação e desenvolvimento.
Segundo o responsável do conselho científico da EHTTA, um dos aspetos interessantes deste trabalho, é, por exemplo, ajudar a reconhecer “que se está a perder uma oportunidade”, ao não reabilitar “o património termal abandonado”. “Há muito recurso termal que tem propriedades terapêuticas, que está abandonado, nomeadamente na Europa Interior”, revelou Mário Crescente.
Nesse sentido, o atlas disponibilizará “informações e estudos, que permitirão aos decisores identificar em quais destes conjuntos patrimoniais se deverá investir, qual o retorno expectável, e qual o índice de utilização que se espera que venham a ter”, adiantou Mário Crescente.
A ideia é, “fazer um levantamento de todos os recursos termais, para que possam ser usados como instrumento de desenvolvimento da Europa”, funcionando o atlas como “uma aplicação de informação na ‘web’, que facilitará por exemplo, decisões sobre candidaturas a fundos para a reabilitação desse património”, exemplificou.
Quanto a Caldas da Rainha, Mário Crescente disse que tem todos os recursos, como o “parque, hospital, Bordalo Pinheiro, centro histórico, Hotel Sana, mercado, e tudo isto está condensado, portanto as possibilidades aqui são enormes, e seria fantástico que o primeiro Hospital Termal do mundo, reabrisse mostrando as suas capacidades no desenvolvimento e criação de riqueza”.
Além de ser a primeira cidade portuguesa a integrar o atlas, Caldas da Rainha foi escolhida para a realização da reunião técnica, por se tratar de “um exemplo de reabilitação do património termal, uma vez que está neste momento a reabrir as termas”, referiu o vice-presidente da câmara e membro do conselho consultivo da EHTTA, Hugo Oliveira.
A par dos recursos termais, Hugo Oliveira, vice-presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha e membro do conselho executivo da EHTTA, soma a cultura e o património.
Hugo Oliveira salienta, que termalismo, cultura e património, estão associados desde sempre e que isso mesmo deve estar refletido no projeto. “Todos os sítios onde há um espaço termal, há sempre cultura associada”, afirmou o autarca, descrevendo o projeto do atlas como “uma alavanca para o desenvolvimento turístico e cultural” das cidades termais.
Da agenda de trabalhos, que decorreu na sexta-feira, destaque para uma “ação de rua”, em que os especialistas presentes no encontro, foram ouvir as ideias e as opiniões das pessoas, sobre “o que foi, o que é, e como imagina que será no futuro uma cidade termal”.




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