Escola de Quadros da Juventude Popular leva figuras do partido a Peniche

Francisco Gomes

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Entre 11 e 14 de outubro decorreu no Hotel MH Atlântico, em Peniche, a Escola de Quadros da Juventude Popular, onde foram discutidas várias temáticas, como o futuro da Europa, os desafios da defesa nacional, o futuro da comunicação social, entre outras.
Debate sobre a Europa no Mundo contou com Paulo Portas

O primeiro debate foi dedicado ao futuro da Europa e contou com o eurodeputado e cabeça-de-lista do CDS-PP às eleições europeias de 2019, Nuno Melo, e com o deputado João Pinho de Almeida.

Na sua intervenção, Nuno Melo antecipou que “Portugal vai perder 7% dos fundos de coesão, enquanto há outros países que vão ganhar e outros que vão perder, o que não é aceitável, sobretudo quando se discute a criação de impostos europeus que se pede que sejam pagos por todos por igual”.

O eurodeputado do CDS-PP alertou para o facto de a distribuição dos fundos de coesão, que poderiam aproximar os mais pobres dos mais ricos, ser “assimétrica”.

Em relação à política de acolhimento de migrantes, Nuno Melo defendeu que o controlo de fronteiras terá que acontecer na Europa, já que “existem dados que apontam para que uma parte significativa dos migrantes que pede para entrar na Europa tem antecedentes criminais”.

João Almeida falou aos jovens alunos da Escola de Quadros sobre o “cada vez maior alheamento dos cidadãos em relação às políticas europeias e ao reconhecimento da sua importância no desenvolvimento das últimas décadas”, alertando para “a necessidade de denunciar o populismo e hipocrisia dos que recusam e atacam a Europa, diariamente, mas estão na primeira linha da reclamação de todas as responsabilidades que a Europa tem para com o país”, referindo-se ao BE e ao PCP.

No segundo dia, destaque para a sessão sobre ‘Os Desafios da Defesa Nacional’, que teve como convidado o tenente-general Faria de Menezes, agora na reserva, que defendeu que a resposta à falta de quadros nas Forças Armadas “tem de passar por um maior investimento, e não pelo regresso do Serviço Militar Obrigatório, que não resolve o problema da falta de militares”. Segundo apontou, o atual modelo assenta em contratos de curta duração, sendo que o défice de quadros ”só será contrariado com melhores salários e uma carreira com quotas definidas para o ingresso na Administração Pública ou nas forças de segurança”.

O dia terminou com um debate sobre ‘Portugal na Europa’, onde o convidado Marques Mendes defendeu mais competitividade fiscal, a aposta na internacionalização da economia e o controlo da dívida pública, que considerou “uma bomba ao retardador que pode contagiar o país com uma pneumonia se a Europa tiver uma constipação”.

No terceiro dia, entre outras sessões destaque para um painel que abordou o tema ‘A geopolítica do entretenimento’ e onde Diogo Belford Henriques falou sobre séries de televisão e de como, com algumas delas, se pode aprender política, ciência política e relações internacionais. São exemplo disso as séries Game of Thrones, House of Cards e Downton Abbey.

O último debate do dia, sobre a Europa no Mundo, contou com Paulo Portas, que abordou o tema do Brexit. Confessando a sua grande preocupação com a falta de entendimento sobre a saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo, mas otimista sobre um acordo de última hora, Paulo Portas defendeu que não só o Reino Unido precisa do continente como também o continente precisa do Reino Unido, quer pelas exportações que ligam ambos, quer pela questão da segurança.

Olhando a Europa como um continente com problemas de competitividade, a deixar-se ficar para trás na guerra da economia digital, relativamente aos Estados Unidos e à China, Paulo Portas afirmou ainda que a Europa está a ficar “envelhecida, antiga, zangada e hostil em relação aos outros”.

No último dia, a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, aproveitou para comentar a remodelação governamental, afirmando que Governo e primeiro-ministro estão fragilizados.

Uma remodelação feita “por arrasto de uma demissão”, do ministro da Defesa, que “veio por arrasto penoso de uma situação insustentável” com o caso do furto de armas de Tancos, e que “é a prova dos nove da extraordinária fragilidade do primeiro-ministro”.

No seu entender, as exonerações dos ministros da Defesa, Azeredo Lopes, da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, e a sua substituição, respetivamente, por João Gomes Cravinho, Marta Temido, Pedro Siza Vieira e Graça Fonseca, “não resolvem os problemas do país, porque quem precisa de ser remodelado é António Costa”, que “não tem capacidade para liderar o Governo”.

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