No próximo domingo, no Caldas Café Concerto, no Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha, efetuarei o lançamento do livro: “Malhôa Inédito: Genealogia; Centro de Documentação; Documentação Inédita e Esparsa”.
Trata-se de um estudo que aborda a genealogia de José Malhôa (1855-1933), contendo inclusive, a revelação de um irmão desconhecido do pintor, além de manifestar a necessidade da criação do “Centro de Documentação José Malhôa”, fundamental para o resgate e a preservação do nome e do património do seu patrono, bem como uma grande nota explicativa acerca da necessidade de se resgatar a documentação inédita de e sobre o pintor, que está espalhada por Portugal e Brasil.
O evento terá início às 17 horas, com a apresentação do Coro Infantil e Solistas do Secundário de Música do Conservatório das Caldas da Rainha, sob regência da maestrina Maria João Veloso, acompanhada pelo tecladista Cláudio Duarte, em seguida, subirá ao palco o pianista Tiago Mileu, que interpretará duas obras: Bagatelle (“Fur Elise” Wo0 59) de Ludwig van Beethoven, e Phantasie-Impromptu (Op.66 em Dó # menor) de Chopin.
No seguimento, teremos o lançamento do livro “Malhôa Inédito”, de minha autoria. Acompanhar-me-ão, na mesa principal, Fernando Tinta Ferreira, presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, e José Pereira dos Santos, em representação do Grémio Literário de Lisboa.
José Vital Branco Malhôa, o grande nome da história cultural das Caldas da Rainha, no ano de 1863 mudou-se para Lisboa, e em 1867, com modestos 12 anos, iniciou os estudos na Real academia de Belas-Artes. Foi um homem das artes plásticas por toda a vida, dedicando-se, com afinco, ao estudo e à execução de relevantes obras, que dignificam Portugal, no país e no mundo. O seu nome “andou na boca do povo” em inúmeros países, tendo, inclusive, efetuado exposições de grande monta no Rio de Janeiro, Paris e Madrid. É reconhecido internacionalmente como o pioneiro do Naturalismo português (porém, também pode ser integrado na corrente Impressionista), deixando para a posteridade o seu nome gravado a ouro nos anais da História da Pintura na Europa.
O seu talento natural permitiu-lhe navegar entre a paisagem, as cenas de género, as de costumes, os retratos e os nus, sendo, inclusive, um grande inovador no que trata à mistura de cores e à busca de contrastes. Sua excecional versatilidade ofereceu-nos sumptuosos remates pictóricos, e o seu brilhantismo no estudo de pigmentações (que se aproximou muito da paleta cromática de 114 cores) define-o muito bem, alçando-o a píncaros de qualidade extrema.
Quando entramos num Museu é fácil identificar um Malhôa. A sua marca distintiva coloca-o a par dos génios.
Será que, se tivesse outra nacionalidade, o seu nome estaria ricamente inscrito ao lado de Claude Monet (1840-1926), Edouard Manet (1832-1883), Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), Camille Pissarro (1830-1903), Vincent van Gogh (1853-1890), Edgar Degas (1834-1917), Paul Cézanne (1839-1906) ou Eliseo Visconti (1866-1944)?
Naturalmente, é algo que não podemos saber, o que devemos, isso sim, é resgatar o seu nome, para bem da arte portuguesa e da cultura de um modo geral.



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