Falta de financiamento pode terminar promoção transnacional do Bordado das Caldas

Marlene Sousa

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A Associação do Bordado das Caldas da Rainha ou Bordado Rainha D. Leonor, representada pela bordadeira Ana Maria Pereira, participou na 5ª edição do “Fili in Trama”, certame internacional sobre rendas e bordados - “Quinta Mostra Mercato Internazionale del Merletto e del Ricamo”, que decorreu de 15 a 17 de setembro, no centro histórico de Panicale, em Itália.
– Para estes responsáveis há todo o interesse em estabelecer um protocolo de cooperação com as entidades italianas

No certame participaram 60 expositores italianos e de outros países. A caldense foi acompanhada por Mafalda Pereira, da FIA – Feira Internacional do Artesanato, e Rita ramos, tradutora.

A bordadeira fez um balanço muito positivo da sua participação no evento, destacando a sua importância na partilha de conhecimento cultural e na promoção da cidade das Caldas. Ficou encantada com a beleza de Panicale, uma vila medieval e com a forma como a Câmara acolheu os participantes de fora.

O certame decorreu na vila de Panicale e as exposições decorreram nas casas das pessoas que disponibilizaram salas para as diferentes mostras. Também havia alguns expositores nas ruas da vila.

Esta iniciativa representa o culminar de uma série de encontros que tiveram início em junho de 2013, altura em que a especialista italiana em artes decorativas, Genevieve Porpora, esteve nas Caldas para investigar as semelhanças entre os bordados locais e o “Punto Umbro” que se utiliza no seu país. As semelhanças entre os dois bordados são muitas. Através do Museu Malhoa, a antropóloga chegou ao investigador Mário Tavares, à professora Idalina Lameiras e à bordadeira Liseta Pereira, tendo convidado estes caldenses a divulgar o bordado local em setembro de 2013 no primeiro Mercado Internacional de Rendas e Bordados que teve lugar em Panicale.

Desde essa altura que o certame internacional tem contado com a representação do Bordado das Caldas, através do apoio financeiro do GAL Trasimeno Orvietano.

Segundo Mário Tavares, para o ano a presença dos representantes do Bordado das Caldas no certame internacional está comprometido porque já não pode ser financiando pelos italianos. “É muito importante que este intercâmbio continue e que seja oficializado”, sublinhou o investigador caldense, que quer que a associação do bordado prossiga com a parceria.

Para que difusão transnacional do bordado das Caldas avance, a associação contatou a Leaderoeste – Associação de Desenvolvimento Rural para que consiga fundos para subsidiar a presença dos bordados no certame italiano. Segundo Ana Maria Pereira, foi-lhes pedido um projeto e a associação contactou a autarquia para que colabore na elaboração da proposta e candidatura ao financiamento.

O vice-presidente da autarquia, Hugo Oliveira, pretende colaborar com a associação do bordado, considerando que “há todo o interesse em continuar a estabelecer um protocolo de cooperação com as entidades italianas daquela região de Itália” destinado a valorizar os bordados dos dois países e a aceder a fundos comunitários que apoiem ações relacionadas com esta arte manual”.

A Associação do Bordado das Caldas pretende a certificação e o selo de autenticidade.

Para Idalina Lameiras “tem de se pensar objetivamente na formação de gente jovem, que dê continuidade e que inove com qualidade os bordados das Caldas”.

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