Trata-se de um projeto inscrito no orçamento participativo 2013 mas que só foi concretizado em 2016. Com a designação “Caldas Com (Vida) – Hortas Urbanas”, o projeto foi uma das propostas apresentadas pelos munícipes caldenses Carlos Fernandes, Lacerda da Fonseca, Agostinho Brandão e Ricardo Azevedo, com objetivo de criar hortas urbanas, em terreno cedido pela Câmara Municipal.
Com um terreno de seis mil metros quadrados, próximo do Colégio Rainha D. Leonor, as hortas urbanas possuem 79 talhões, sendo que 68 estão ocupados com todo o tipo de vegetais e produtos hortícolas da época.
Após o primeiro ano de atividade, Bernardo Bernardino, tesoureiro do projeto Hortas Urbanas, sublinhou que o projeto tem sido “um sucesso”, com “praticamente todos os talhões ocupados”, uns sociais outros pagos.
Neste momento, segundo o tesoureiro, “temos a lotação praticamente esgotada nas hortas. E isso é muito bom, sem dúvida nenhuma”.
Para o tesoureiro, o primeiro ano de atividade foi “extremamente positivo”, quer em termos de parceria com a Câmara Municipal, quer em termos financeiros. “Sem esquecer que estamos a promover uma alimentação mais saudável e ao mesmo tempo a combater a exclusão social e diminuição da pobreza”, disse.
Contudo, o responsável apontou que “gostaríamos de alargar o espaço das hortas urbanas e sei que iria continuar a ter uma grande adesão das pessoas”.
O projeto passará a ser gerido por uma nova Comissão de Gestão das Hortas Urbanas a partir de 1 de julho, eleita durante a Assembleia Geral das Hortas Urbanas, que decorreu no início deste mês.
Em dia de aniversário, o JORNAL DAS CALDAS falou com alguns dos proprietários das hortas para saber como tem corrido a experiência deste “passatempo”, considerado por alguns perfeito para quem gosta de mexer na terra.
Valdemar Varanda, um dos ocupantes da Hortas Urbanas, cultiva um “pouco de tudo desta época”, desde pepinos, tomates, feijão-verde, pimento, curgetes, e principalmente os morangos. Ocupante de um dos talhões há seis meses, relatou que “a experiência tem sido muito boa e estou a adorar a ser agricultor”.
Sem qualquer ligação ao sector agrícola, Valdemar Varanda admitiu que “recorri frequentemente ao motor de busca, o Google, para aprender a cultivar”.
Divide o tempo entre o emprego em Lisboa e as hortas urbanas. “Quando chego do emprego venho para aqui regar a horta, o que ajuda a desanuviar”, disse.
Além disso, o responsável destacou o convívio e a amizade que existe entre os vizinhos.
Outro dos ocupantes é Sabino Bonifácio, que mal soube do projeto do Orçamento Participativo fez questão de ter “um talhão” nas hortas urbanas para a “minha plantação”.
Durante um ano cultivou pimentos, peninos, feijão, cebola, alface, curgete, “tudo o que é possível para consumo próprio”.
“Esta experiência tem sido muito boa, pois sabemos o que estamos a colocar na mesa lá de casa”, explicou o responsável, adiantando que “ainda ajudou a poupar nas compras”. Mas sobretudo, “alivia-nos do stress do dia-a-dia”.
“Enquanto rego a minha plantação troco dois dedos de conversa com os vizinhos”, frisou o responsável.
Em contacto pela primeira vez com agricultura, Sabino Bonifácio divide o seu tempo entre o voluntariado nos bombeiros, o trabalho e as hortas.
“Já tinhas umas nuances, mas nunca tinha cultivado nada”, frisou o responsável, acrescentando que “ao falar com as plantas também ajuda a que elas cresçam”.
Quem também faz parte deste projeto é Luísa Garcia, elemento da nova Comissão de Gestão das Hortas Urbanas.
Apesar de alguns “contratempos que existem sempre”, sublinhou que “o primeiro ano de atividade correu muitíssimo bem”. Além do convívio que existem entre colegas diariamente, nota-se “uma grande amizade que se desenvolveu entre vizinhos”.
Para a utente das hortas, “sabe sempre bem após um dia de trabalho vir à horta aliviar o stress e levamos diariamente para casa qualquer coisinha, seja couve, alface, feijão, etc”.
Apesar de ter tido ligações ao sector só na infância, Luísa Garcia admitiu que “só agora é que realmente sei o que é cultivar”.
Na sua horta cultiva um “pouco de tudo”, desde alfaces, beterrabas, salsa, feijão-verde entre outros produtos. Mas tudo, segundo a responsável, é para “consumo próprio, o que tem ajudado a poupar nas compras lá de casa”.
Para o próximo mandato, Luísa Garcia pretende “continuar e melhorar o que for necessário para que as hortas urbanas vivam”.
Mariana Martinho






0 Comentários