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X Congresso da SPHM colocou Caldas no mapa do termalismo internacional

Mariana Martinho

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A Semana Termal, que pretendeu afirmar Caldas da Rainha como cidade das águas, englobou um conjunto de iniciativas no âmbito do termalismo, incluindo o X Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica - SPHM, que terminou no passado sábado. Sob o lema "Cidades Termais”, o encontro, que contou com a presença de dezenas congressistas ligados à saúde e à atividade termal, ficou marcado pela vinda do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que afirmou que “o Ministério da Saúde encara com otimismo o futuro termal para Portugal, estando ciente da importância estratégia do setor para a economia portuguesa e das regiões, bem como na saúde de doentes que veem nestas estâncias a oportunidade de recuperar a sua saúde”. Além dos encontros, o congresso ficou marcado pela inauguração da exposição fotográfica e lançamento do livro “Cidade da Água - Hospital Termal das Caldas da Rainha 1989”.
Lançamento do livro “Cidade da Água- Hospital Termal das Caldas da Rainha 1989”

O congresso decorreu entre 18 e 20 de maio, nas Caldas da Rainha, e contou na cerimónia de abertura com a presença do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado.

Em representação do Ministro da Saúde, começou por afirmar que “eu próprio sou de uma região termal por excelência, Chaves”. Destacou também a “riqueza natural das nossas águas medicinais”, que na sua opinião “é um dom que a natureza nos proporciona e que devemos preservar e aproveitar para melhorar a qualidade de vida dos doentes nas áreas das doenças respiratórias, e não só”.

Manel Delgado alertou também para a necessidade de haver um “esforço concertado entre a saúde, as autarquias e o turismo”, no sentido de promover “fórmulas colaborativas que criem valor económico em diferentes pontos do território nacional”. Afirmou que o Estado está a trabalhar para definir formas de comparticipação específicas para tratamentos termais e um programa para reativar o termalismo sénior, no sentido de dinamizar as termas durante a época baixa.

Para terminar, referiu que “podem contar com a nossa total abertura para em conjunto encontrar melhores soluções para o futuro das termas portuguesas”.

Tinta Ferreira, presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, sublinhou que “esta Semana Termal permitiu que Caldas da Rainha fosse a capital europeia” e “só temos que exaltar todo o conjunto de iniciativas que temos tido e esperar que elas contribuam para o desenvolvimento do termalismo, bem como da saúde e do desenvolvimento socioeconómico do concelho”.

“Este congresso valorizou e pôs Caldas da Rainha no mapa científico e na discussão do termalismo”, afirmou.

O autarca frisou que “estamos muito empenhados no processo de reabilitação do Património Termal”, explicando todo o processo de intervenções que vai permitir que as “termas das Caldas da Rainha possam abrir de forma faseada até 2019”. Além disso, falou da falta de investimento nas últimas décadas no termalismo, que “não é considerado necessariamente saúde“ por parte do Estado.

Para o edil, “seria mais confortável que a reabilitação do Património Termal fosse acompanhado pelo Estado e pelo Ministério da Saúde, com adequada colaboração para poder chegar mais longe”.

Novos equipamentos para o Hospital das Caldas

Relativamente ao Centro Hospitalar do Oeste (CHO), Tinta Ferreira não deixou de manifestar esperar que aquilo que o Ministro da Saúde, Adalberto Campos “se comprometeu, se concretize rapidamente”. Equipamentos novos e obras no serviço de urgência são“os investimentos necessários que permitem deixar de nos preocupar”. “Neste momento as Caldas da Rainha está preocupada com o funcionamento do hospital”, frisou Tinta Ferreira, alertando que “não podemos correr o risco de um dia acontecer ao CHO o mesmo que aconteceu ao Hospital Termal”.

A cerimónia contou também com a presença Humberto Solimene, presidente da Federação Hidroterapia e Cromoterapia, que entregou lembranças às entidades presentes, Luís Cardoso Oliveira, em representação da Ordem dos Médicos, Santos Silva, responsável pelo Congresso Internacional, e ainda Pedro Cantista, presidente da SPHM, que decidiu homenagear Manuel Delgado e Tinta Ferreira com entrega de medalhas da SPHM.

“Cidade da Água” marca o início do Congresso

Trinta imagens a preto e branco que traduzem momentos vividos de terapia e de espera, bem como os espaços e os usos de um passado relativamente próximo do Hospital Termal, fazem parte da exposição de fotografia de Clara de Azevedo, que foi inaugurada na passada quinta-feira à noite, juntamente com o lançamento do livro “Cidade da Água- Hospital Termal das Caldas da Rainha 1989”, no Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha. A mostra estará patente até ao final do mês.

Integrada no X Congresso Internacional da SPHM, a obra contou com a colaboração da fotógrafa Clara Azevedo e do arquiteto Jorge Mangorrinha, autor do texto que acompanha o livro.

Segundo a fotógrafa, “este foi um dos primeiros trabalhos que eu fiz na área do fotojornalismo e que deu origem a um livro”. Essa obra, “Termas Portuguesas”, realizada em finais de 80, em parceria com a fotógrafa Lúcia Vasconcelos (já falecida), possui uma série de imagens a preto e branco de estâncias termais por todo o país, incluído termas que na altura já se encontravam a atravessar um período de decadência e outras de “grande azáfama e vivência”, como é o caso do Hospital Termal das Caldas.

“Quisemos recuperar da memória o tempo em que as pessoas viviam as termas”, disse.

A autora, que trabalhou como fotojornalista no Expresso e na Visão, disse que “fotografámos intensamente as termas das Caldas nesse ano” e por isso, quando Jorge Mangorrinha “desafiou-me regressar ao trabalho dessa altura, para mim foi um gosto voltar a ver os negativos e perceber que há imagens ainda muito atuais”. Destacou também que o Hospital Termal “era muito frequentado, pois tinha uma vivência enorme e é isso que eu desejo que volte a ter”.

Jorge Mangorrinha disse que “escrevi sobre um património material e humano carregado de uma expressividade tão bem registada pela câmara fotográfica de Clara Azevedo”, adiantando que o “Hospital Termal é uma casa com marcas dos tempos”. Destacou também que as imagens presentes na obra “traduzem momentos vivos de terapia e de espera. Lembram-nos momentos anteriores às transformações que se verificaram no termalismo internacional e nacional”.

Segundo o autor, “nós olhamos e vemos um passado simultaneamente próximo, pois de facto as ambiências, as personagens e alguns acessórios relacionados com as atividades terapêuticas já não são os mesmos que utilizamos atualmente nas termas portuguesas”. Aliás, alertou que “1989 foi um ano de charneira e de uma grande evolução das termas portuguesas para um novo paradigma, no entanto, o Hospital Termal manteve-se praticamente assim até ao seu fecho mais recentemente”.

O autor salientou que a obra procura ser “uma celebração do património termal, em termos das suas vivências, espaços e da luz mas também de um património humano que de alguma forma já se perdeu. Não os rituais mas ambiência humana que de alguma forma é irrecuperável”. Como tal, frisou que a “Cidade da Água” é uma “mais-valia para todos nós voltarmos a este passado distante que tem de ser preservado”.

Ao representar um marco na história do termalismo, Jorge Mangorrinha disse que “os cidadãos das Caldas da Rainha esperavam novos desafios para uma verdadeira cidade termal. Uma espera ainda em espera”.

A apresentação da obra, que contou com a presença de diversas personalidades, teve o patrocínio da Câmara Municipal e a sessão foi organizada pelo Conselho da Cidade – Associação para a Cidadania.

Ana Leal, presidente do Conselho da Cidade, sublinhou que devido “à importância que o Hospital Termal imprimiu às Caldas”, o Conselho da Cidade propôs que a exposição defotografia e lançamento de livro – “Cidade da Água” estivessem inseridos na Semana do Termalismo.

No decorrer da sessão o presidente da SPHM entregou uma medalha a Jorge Mangorrinha, como forma de o “homenagear pelo trabalho feito e como tem contribuído para o conhecimento”. Também caracterizou a obra como um “magnífico documento que marca a prosperidade termal vivida nas Caldas”.

O presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha explicou que esta obra está inserida num ”livro mais completo”, intitulado “Regresso às Termas”, de Clara Azevedo e Jorge Mangorrinha, que será apresentado noutra ocasião.

Agradeceu a iniciativa de Jorge Mangorrinha escrever um livro e à fotojornalista Clara Azevedo por ter “aceitado dar a conhecer o seu espólio de 1989, que a preto e branco deu nota de alguns aspetos particulares da atividade termal dessa data”.

Para destacar os benefícios da atividade termal, o autarca recordou o seu caso, que durante seis anos fez períodos de inalações no Hospital Termal. “Acredito na qualidade das águas termais do Hospital Termal”, frisou Tinta Ferreira, adiantando que “queremos voltar a ter nas Caldas termas a funcionar e adequadas que permitam as pessoas beneficiar das virtudes das águas e que permita à comunidade beneficiar da riqueza e do desenvolvimento económico que as termas possam proporcionar”. Também explicou mais uma vez que o regresso às termas “vai ser faseado, pois não temos condições financeiras nem administrativas para reabrir tudo de uma vez”.

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