Newark, a cidade com maior população no estado de Nova Jérsia, é uma cidade repleta de portugueses: e de padarias, oficinas, supermercados, lojas, pequenos-comércios e tudo mais, de alma lusa. Mas mais que isso, encontrámos aqui mesmo uma família de Caldas da Rainha – aquela a que pertence a nossa saudade – e somos-lhes tão, tão, gratos, pela forma como nos receberam, nos sorriram e nos acolheram! Aliás, vínhamos por três ou quatro noites, e depressa nos rendemos a mais do dobro. Soubemo-nos bem e felizes, com tanta gente comum e tantos hábitos tão nossos!
Pusemos então em prática a nossa língua materna e deixámo-nos deslumbrar pela vida por aqui. Em todo e qualquer lado, nesta cidade mais multicultural que americana, se ouve mais português ou espanhol, que inglês. Incrédulos, foi enquanto caminhámos pelas ruas que nos pudemos aperceber disso mesmo: e é também por isso que muitos dos que para aqui emigraram que têm dificuldade em melhorar a sua segunda língua, o inglês, não sendo esta necessária. Pelas ruas, é o português que mais se ouve; e mesmo assim, são muitos os que nos dizem que hoje em dia é já menos quando comparado com o que já foi.
Dada a instabilidade de Newark e a (in)segurança, são muitos os portugueses que já optaram por se mudar para a periferia e hoje em dia a cidade é mais habitada por brasileiros e hispanofalantes. Os maiores conflitos existem a norte da cidade, e é à noite que esta zona acusa ser menos confiável ou tranquila, havendo com frequência notícias de maior alarme.
A cadeia de supermercados Seabra, existente em vários estados dos Estados Unidos, foi também uma grande surpresa em nós, pela variedade de produtos internacionais e, muitos, vindos de Portugal. Pudemos ver o mesmo noutros países com grandes comunidades portuguesas, ou em Timor-Leste, mas nunca com dimensão de supermercado, onde até mesmo o pão caseiro consegue ser o mesmo! Também um jardim de infância fez as nossas delícias, por permitir às crianças aprender em português e, sem esperarmos, até os nossos bancos encontrámos.
No fundo, em Newark, pudemos perceber que a comunidade emigrante vive feliz e, com orgulho, veste a camisola do seu país e, principalmente, perante a família que nos acolheu, veste a camisola da sua cidade. Vieram, claro, à procura de uma vida melhor, mas não se esquecem das suas origens, sobre as quais falam com ternura.
Com um comboio apenas, chega-se de Newark à cidade de Nova Iorque, por ser uma cidade da região metropolitana do Estado de Nova Iorque. Esta, tão perto, é a cidade das estrelas e da luz, onde é fácil sonhar acordado, sobre a qual falaremos na próxima crónica.
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