Mulher assaltante aguarda pulseira eletrónica

Francisco Gomes

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A mulher de 52 anos que anda a escalar vedações e subir até janelas partindo os vidros para entrar em vivendas e furtar artigos pode vir a sair de prisão preventiva e passar a ficar sujeita a prisão domiciliária com pulseira electrónica.

A medida consta da decisão do juiz de instrução criminal a que foi presente para determinação das medidas de coação até ao julgamento.

Verificando-se a existência de perigo de continuação de atividade criminosa, no primeiro interrogatório judicial o juiz deliberou que a arguida aguardasse os trâmites do processo sujeita, cumulativamente, às obrigações decorrentes do termo de identidade e residência e à medida de obrigação de permanência na habitação, com recurso de meios técnicos de controlo à distância (vigilância eletrónica), devendo, porém, aguardar em prisão preventiva tal implementação, o que acontece actualmente, tendo sido remetida para a cadeia de Tires.

A mulher tinha sido detida no dia 26 de dezembro do ano passado pelo núcleo de investigação criminal da GNR das Caldas da Rainha.

Foi apurado que nos dias 25 e 26 de dezembro introduziu-se em duas residências situadas nos arredores de Alcobaça e do seu interior retirou diversos bens, designadamente anéis, fios, brincos, pulseiras e óculos.

No âmbito de buscas realizadas à residência da arguida, no Bombarral, foram apreendidos vários objetos, nomeadamente telemóveis, computadores portáteis, bijutaria diversa e relógios, por se suspeitar que os mesmos foram retirados do interior de outras habitações, ação que, segundo o destacamento da GNR das Caldas da Rainha, repetiu pelo menos dez vezes com sucesso em dezembro, em oito concelhos da zona Oeste, sendo nesta altura referenciada como a principal assaltante ao interior de residências que operava na região.

Apresentando grande destreza para a idade, a mulher não se intimidava com os obstáculos que lhe apareciam pela frente e chegava a escalar dois metros para penetrar no interior das casas, sempre na ausência dos moradores, e furtava jóias, relógios, telemóveis, peças cerâmicas, cobertores, toalhas, entre outros artigos, inclusive um computador e uma televisão.

No passado dia 22, pelas treze horas, foi denunciada por populares que viram-na a assaltar uma residência em Peniche. Foi detida pela GNR mas o tribunal deixou-a em liberdade no dia seguinte com termo de identidade e residência.

Voltou a ser apanhada em flagrante cerca da meia-noite de dia 26, na casa de emigrantes, em Alcobaça.

Fazia dos assaltos o seu modo de vida, não se conhecendo outra fonte de rendimento, após ter sido operária fabril. Com três filhos adultos e sendo inclusive já avó, a detida é natural da aldeia da Murteira, no Cadaval.

O método que utilizava para assaltar as casas era basicamente repetido: Escolhia vivendas antigas e não novas com receio destas terem alarme e serem protegidas por cães, e atacava quando não estava ninguém no interior, a qualquer hora, estudando bem os locais antes de atuar. Escalava vedações, por vezes com recurso ao escadote, e subia até janelas partindo os vidros com o martelo para entrar nas vivendas. Depois de furtar o recheio que estava à mão, saía por portadas laterais.

Foram recuperados diversos objetos furtados, para além de dois carros utilizados nos assaltos e várias chapas de matrícula que usava para não ser detetada.

Divorciada, a mulher atuaria sozinha e é suspeita de também ter assaltado casas na região do Algarve, lesando os respetivos proprietários em milhares de euros em artigos.

É indiciada da prática de 17 crimes, entre os quais furtos no interior de residência, abastecimentos de viatura com fuga sem pagar, furto de chapas de matrícula e circulação com chapas de matrículas falsas.

Francisco Gomes

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