Entre outros sabores de tradição conventual, encontravam-se cornucópias, pão de ló de Alfeizerão, trouxas de ovos e ginja de Alcobaça, os pastéis de Santa Clara (Coimbra), brisas do Liz (Leiria), licor de Singeverga (Roriz – Santo Tirso), D. Rodrigo (Portimão), pão de Rala (Alentejo), trouxas do Mondego (Tentúgal), pudim Abade de Priscos (Braga), rosáceas de Bande da Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo e muitos doces pecados de receitas antigas de monges e monjas transformadas para os tempos atuais mas sem perderem as virtudes que deliciaram os antepassados.
“É o nosso salário, é o nosso trabalho. Temos todos os dias cinco horas e meia de ofício divino, que é o nosso primeiro dever, e depois temos de ganhar o nosso pão, porque não somos assalariadas”, contou a irmã Fátima, das Monjas Cistercienses de Rio Caldo, que ganharam o prémio de melhor compota conventual, atribuído à compota de ameixa com chocolate preto.
A irmã Maria, freira do Mosteiro do Carmelo do Porto, relatou que “são segredos bem guardados, alguns inventados por nós, e são saborosos. Está aqui uma compota que tenho dado a provar e as pessoas gostam imenso”.
“Nós temos que reduzir o açúcar, mas de resto mantemos a tradição e o método de fabrico também é o mesmo”, afirmou Catarina Saraiva, Atelier do Doce.
A ginja de Alcobaça também não faltou nesta mostra. “O sabor é excelente e é um licor bastante agradável”, referiu Rosa Maria, da empresa A. Gerardo, distinguida com o título de melhor licor conventual.
E outra atração para experimentar era a cerveja conventual belga da Abadia de Herkenrode. “Têm aqui duas qualidades. A mais clarinha é parecida com a portuguesa, mas ambas dão para beber mais porque têm menos teor alcoólico do que as nossas. Mas são boas”, manifestou Celeste Almeida, uma visitante.
Os doces também deixaram satisfeitos quem provou. Orlando Neto confessou: “É de comer até não parar. Muito bom e recomendo”. “Sentimos o cheiro e é impossível não querer provar”, acrescentou Alessandra Pontes.
O prémio do melhor doce conventual foi atribuído à Pastelaria Alcôa com o seu torreão real. A Escola Profissional Agrícola e Desenvolvimento Rural de Cister venceu o prémio inovação conventual com o “Pudim de Ginja M.S.R. David Pinto”.
Francisco Gomes







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