Ora então o Vinho Leve, que é sempre um produto certificado, ou seja neste caso é sempre um Vinho Regional Lisboa, tem esta característica de ter um baixo teor de álcool, pois o seu grau tem obrigatoriamente que se situar entre um mínimo de 9%Vol e o máximo de 10% Vol., e tem uma acidez que não pode estar abaixo de 4,5 gr/litro o que o faz ser muito “vivo” na boca e um ótimo aperitivo.
O concelho do Cadaval entendeu por bem há vários anos fazer, durante a Festa das Adiafas, o Festival Nacional do Vinho Leve e por isso estes dois eventos estão desde há uns sete anos associados um com o outro.
A Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa espera este ano uma colheita regular em que a quantidade vai apresentar perdas na casa dos 15% mas em que a qualidade será muito boa, pois as uvas beneficiaram de um clima muito favorável durante o mês de setembro e puderam recuperar das vicissitudes do inverno e da primavera passados, e ainda do calor abrasador que se fez sentir este verão. Tradicionalmente o Vinho Leve representa 10% do vinho produzido e certificado pela região, e este ano tem aumentado o volume de vinho certificado em 12% em relação ao ano anterior e têm crescido as vendas de Vinho Leve também, em proporção semelhante.
Os Vinhos Leves da Região dos Vinhos Lisboa, que se produzem hoje em dia são essencialmente os brancos e os rosados ou rosés. Na verdade o Atlântico, que sempre nos atraiu, e a barreira natural que é o Montejunto, criam um microclima muito marcado. As videiras de entre o mar e Montejunto dão origem a vinhos de baixo grau, frutados, com agradável acidez e notável equilíbrio. São os Vinhos Leves da Região de Lisboa. Brancos ou rosados têm uma graduação alcoólica entre 9 e 10%Vol., podem beber-se a toda a hora, de cada dia, com peixe; mariscos; comidas pouco pesadas e sorvetes deliciosos.
Os nossos Vinhos Leves beneficiam ainda e por causa do Oceano Atlântico, de uma constante humidade marítima que, no Verão, é extremamente útil pois substitui a rega de que tantas vinhas, noutras regiões de Portugal, precisam absolutamente. Esta humidade chama-se o rocio e para nós o rocio quando vem é oiro que entra nas nossas vinhas.
Os Vinhos Leves são exportados mas o seu mercado principal é o doméstico e também o mercado dos países onde há emigrantes portugueses que o conhecem e utilizam.
Este ano estão as uvas atrasadas e por isso estamos ainda em vindima. Assim, deixo por aqui estas palavras e vamos festejar o Vinho Leve no Cadaval, na Festa das Adiafas!
Vasco d’Avillez
Presidente da Direção da Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa



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