Óbidos quer criar mais riqueza com o turismo religioso

Marlene Sousa

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Óbidos quer criar mais riqueza com o turismo religioso O Cardeal Patriarca de Lisboa, que encerrou as terceiras Jornadas de Museologia nas Misericórdias, que decorreu em Óbidos no passado dia 6, disse que nas origens das Misericórdias, que remontam há cinco séculos, está o “culto cristão”, que tem a essência da “cultura” que “se cultiva com algo experienciado”. “Não admira que as quase 500 misericórdias portuguesas transportem não apenas a realidade da solidariedade da atenção ao outro, mas também conduzem aos elementos culturais que este culto cria”, sublinhou D. Manuel Clemente.
Humberto Marques, presidente da Câmara de Óbidos, D. Manuel Clemente, cardeal patriarca de Lisboa, Bernardo Reis, do Secretariado da União das Misericórdias Portuguesas, e Carlos Rodrigues, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos

Nas jornadas que debateram o contributo social e cultural das procissões junto da população, o cardeal patriarca adiantou que repara sempre com muito agrado como “o programa cultural nas misericórdias portuguesas continua vivo”. “A cultura é o sujeito ativo, são as pessoas, as ideias, os sentimentos e as Misericórdias têm isso tudo”, adiantou.

D. Manuel Clemente recordou que as Misericórdias “têm uma existência global” e não são apenas para “dar comida a quem tem fome, a quem tem sede, a vestir os nus ou visitar os presos e os doentes”.

Referiu que estamos “perante a primeira geração que gagueja quando se pergunta de onde é”. “Hoje a maioria das pessoas são urbanas de semana e rurais ao fim de semana. A dispersão é um fator novo”, afirmou, fazendo notar que perante este desafio hoje “temos a oportunidade de ter encontros muitos diversificados e que se conjugam com a nova forma de viver a vida”. Manifestou, no entanto, que este grande interesse turístico “tem que ser humanizado” e não “tão episódico, e circunstancial”.

As III Jornadas de Museologia nas Misericórdias, organizadas pela União das Misericórdias Portuguesas e Santa Casa da Misericórdia de Óbidos, tiveram o apoio do Município de Óbidos.

O presidente da Câmara de Óbidos realçou que o turismo vive da “diferenciação” dos produtos existentes e que o “turismo religioso tem crescido bastante nos últimos anos”. “Como é que as misericórdias, a partir de uma identidade e uma resposta local podem posicionar-se para criar riqueza”, questionou Humberto Marques.

Carlos Rodrigues, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos, fez um balanço positivo das jornadas, que levou as santas casas reunidas em Óbidos a fazerem uma reflexão crítica sobre o seu património.

O provedor destacou o património edificado, que nasceu e se “conserva nas misericórdias, que têm aproximadamente 60 museus em todo o país”, revelando que as cerimónias da Semana Santa em Óbidos são um “fator de atração que se tem desenvolvido”.

Disse que quer intensificar a atividade cultural da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos e ver “de que forma se pode enriquecer a economia local” através do turismo religios, para que seja “um elemento distintivo do Oeste”.

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