Feira Internacional junta cuteleiros de seis países nas Caldas

Marlene Sousa

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Caldas da Rainha vai receber de 1 a 3 de julho a primeira Feira Internacional de Cutelaria, que vai reunir no foyer do Centro Cultural e Congressos (CCC) profissionais de cinco países apostados em recuperar o fabrico tradicional de facas e canivetes e divulgar uma arte com forte implantação na região.
Apresentação do certame, que irá decorrer no CCC

A organização deste evento está a cargo da Lombo do Ferreiro, uma empresa com sede em Relvas (Santa Catarina) que tem apostado na revitalização da tradição da cutelaria nesta região. O certame, que pretende ser um ponto de encontro entre produtores, fornecedores e aficionados pela arte da cutelaria, foi apresentado no passado dia 4, numa conferência de imprensa que decorreu no espaço multiusos do novo Posto de Turismo das Caldas.

Filipa Norte, responsável pela empresa, quer que a mostra “aproxime a população de uma arte portuguesa com uma grande tradição histórica” e que tem gerado, nos últimos anos, “um forte interesse junto de artesãos jovens que, aliando as novas tecnologias ao design, estão a criar peças únicas”.

A feira tem já confirmadas as presenças de cuteleiros da Rússia, França, Espanha e Paquistão. Os Estados Unidos da América também estarão representados com trabalho em pele.

Também está prevista a presença do Museu de Cutelaria de Albacete (Espanha), o qual também promove anualmente uma feira do género.

Durante os três dias do evento o público terá a oportunidade de apreciar peças únicas de cutelaria de produção nacional e internacional, contactar diretamente com os seus produtores, participar em ateliês como “Monta a tua própria navalha” e assistir à demonstração do processo de afiar uma lâmina. Vai realizar-se também um sorteio de peças de cutelaria entre o público visitante.

As inscrições para os participantes já estão abertas e encerram a 15 de maio, sendo que atualmente já estão confirmados 16 expositores.

Filipa Norte considera que há aqui um “nicho de mercado que é muito importante ser explorado pelas Caldas da Rainha”. Destacou o grande incentivo que receberam por parte da Câmara Municipal das Caldas da Rainha quando apresentaram a ideia de realizar a feira. “Estamos a ter um apoio incrível por parte do município, da Junta de Freguesia de Santa Catarina e do CCC”, afirmou.

Segundo a responsável, já há participantes que estão a aproveitar para virem à região à feira e trazer a sua família para fazer turismo. “Temos tido um bom ‘feedback’ por parte das unidades hoteleiras das Caldas”, disse.

Presente na apresentação, o vice-presidente da Câmara das Caldas, Hugo Oliveira, elogiou o Lombo do Ferreiro pelo trabalho que tem tido na divulgação “de um dos ativos do concelho, que é a cutelaria”. O autarca salientou que está a ser constituída uma associação da cutelaria, que irá envolver Santa Catarina e Benedita. Os estatutos já estão criados e, em breve, esta irá ser constituída.

“Esta feira tem uma importância muito grande, pela sua ligação à cutelaria artesanal e por também chamar a si a componente industrial, com os convites às fábricas de Santa Catarina e Benedita”, acrescentou Hugo Oliveira.

O autarca acredita que a feira irá servir para potenciar ainda mais o crescimento da cutelaria artesanal na região, revelando que tem a intenção de adquirir “navalhas personalizadas para serem vendidas no posto de turismo e oferecidas pela Câmara a entidades” que visitam o concelho.

Lombo do Ferreiro é uma plataforma criada no âmbito da marca com o mesmo nome, que pretende divulgar a cutelaria e todos os artesãos de várias áreas que integram este projeto.

Carlos Norte, cuteleiro da Lombo do Ferreiro, referiu a importância que esta arte tem tido na região desde há muitos anos, a partir dos instrumentos que eram forjados para a agricultura. “Em tempos, todos os homens traziam um canivete no bolso e não saíam de casa sem ele”, comentou.

“O meu bisavô e avô vinham para o mercado das Caldas vender as suas navalhas, que eram peças com muito valor e difíceis de fazer”, disse Carlos Norte.

Actualmente, a nível mundial, começam a ser os chefs que querem levar para os seus restaurantes peças de valor acrescentado, principalmente em estabelecimentos de luxo.

O próprio Carlos Norte é o responsável pela produção das Rocks Knives, um projeto de chef Nuno Mendes (que lidera a cozinha do famoso restaurante “Chiltern Fire House” em Londres) e do diretor das Edições do Gosto, Paulo Amado.

O cuteleiro tem também trabalhado com outros artesãos que começaram a trabalhar o ferro na sua oficina e têm tido grande sucesso.

Em paralelo, a oficina tem apostado na recuperação das tradicionais navalhas com recurso “a matérias naturais como o chifre, corno, osso e madeiras nobres”, em detrimento do uso de plástico na produção dos cabos.

A feira terá entradas gratuitas e será uma troca de experiências, mostra de peças únicas e divulgação junto da população.

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