Em declarações aos órgãos de comunicação que acompanharam a ação, o autarca relembrou as afirmações do secretário de Estado do Mar sobre a sardinha de que “mesmo que Portugal capturasse trinta mil toneladas de sardinha num ano, o stock seria recuperado em 2%”, para apelar ao aumento da quota, pois a concretizar-se a recomendação do Conselho Internacional para a Exploração dos Mares para que os totais admissíveis de capturas da sardinha em águas ibéricas se limitem às 1.587 toneladas no próximo ano, “verificar-se-á um estrangulamento da atividade”.
“Serão atiradas para a miséria cerca de 100 famílias, na Nazaré, que vivem da pesca da sardinha, e verificar-se-á a morte de um conjunto de setores da economia ligados à pesca”, afirmou Walter Chicharro, que não compreende os “esforços assegurados por armadores e pescadores decorrentes da implementação do Plano de Ação da Pesca da Sardinha (2012-2015), com o objetivo de assegurar a sustentabilidade do recurso”, para se chegar a uma situação de nova redução das capturas.
A confirmarem-se as 1587 toneladas para 2016 “será a ruína”, afirmou Joaquim Zarro, que garante “nunca ter existido tanta sardinha, como agora, no mar nacional”.
“A sardinha faz um percurso de sul para norte, e se nós não a apanharmos, Espanha e França fá-lo-ão”, disse o armador do cerco, que terminou com um apelo ao Ministério: “Temos os recursos e os meios, por isso, deixem-nos trabalhar mais meses ao ano”.
Compensação de 20 euros por dia
Os armadores e tripulantes vão receber compensações financeiras pela interdição da pesca de sardinha, segundo uma portaria publicada em Diário da República.
A compensação aos armadores – os donos das embarcações – é calculada em função de uma fórmula que tem em conta a categoria da embarcação. Já as compensações salariais aos tripulantes são fixas: 20 euros para marinheiros/pescadores, 24 euros para mestres e 27 euros para oficiais.
Os pescadores já manifestaram que estes valores não compensam.
Plataforma defende quotas
A Plataforma de Organizações Não-Governamentais para a Pesca (PONG-Pesca) tem seguido a situação da sardinha ibérica e reforça “a importância de utilizar o melhor aconselhamento científico disponível para uma gestão sustentável”.
“Respeitar os pareceres científicos, nomeadamente as capturas máximas aconselhadas (quotas), é essencial para a recuperação do stock para níveis que permitam uma exploração sustentável. Para que isso aconteça, é necessário aplicar recursos de forma a melhorar a capacidade de recolha de dados científicos e encontrar medidas que permitam ao setor adaptar-se à diminuição das capturas. Desta forma, apoiamos as tomadas de decisão que vão no sentido de aceitar os pareceres científicos de não aumentar as quotas”, manifesta a Plataforma.





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