A apresentação vai estar a cargo do juiz conselheiro Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, do Conselho de Prevenção da Corrupção e do Centro Nacional de Cultura. Antes da apresentação vai haver um momento de recriação musical pelo aluno da Escola de Música do Conservatório Nacional, Francisco Almeida Luís.
A obra retrata o momento em que o corpo do rei D. João II foi exumado da Sé de Silves, com vista à trasladação para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Um sobressalto percorre os altos dignitários do reino: o corpo do monarca mantém-se incorrupto. “Milagre!”, grita-se nas ruas. Peçonha, sugere um conceituado físico, que procura no envenenamento uma explicação para o não apodrecimento do corpo sem vida, descrente da santidade de um monarca implacável com os inimigos, que não hesitou em apunhalar o irmão da rainha.
Desterrado no Mosteiro de Nossa Senhora da Misericórdia, na ilha da Berlenga, o narrador, que fez parte do corpo de ginetes, guarda pretoriana do rei, vive atormentado com a suspeita do envolvimento da rainha na morte solitária e precoce do soberano na única batalha por ele perdida: a da sua sucessão. Pela memória inquieta de quem viveu aqueles tempos, desfila a vida conturbada de um rei que ousou sonhar um reino para além do mar e das fronteiras daquele que herdou.
“Brisa ou Tufão” com Mafalda Saloio
No dia 17 de outubro, pelas 21h30, realiza-se no CCC um espetáculo intitulado “Brisa ou Tufão”, de Mafalda Saloio. “Este é um espetáculo que fala sobre a leveza, o respirar, como viver os dias sem se ser engolido por este lufa-lufa que nos esgota. É um trabalho sobre a força e a leveza do ar que nos rodeia. E dependendo da sorte geográfica, emocional e humano este ar pode fazer-nos brisa ou tufão. É nesse encontro entre o corpo e o ar que nasce a história de uma mulher que mede o ar para arejar lugares, prevenir catástrofes e ensinar-nos a conviver com este invisível suave e rebelde da vida”, pode ler-se na descrição do evento.
Este espetáculo nasce a partir de diferentes personagens que Mafalda Saloio foi criando ao longo da carreira como atriz.
“Brisa ou Tufão “é um espetáculo que nasceu de um projeto de teatro-dança chamado “Lembranças”, realizado em 2005 e dirigido pela coreógrafa Madalena Victorino, onde participaram 16 atores/criadores. E desta “lembrança” nasceu a vontade de criar agora um espetáculo.
“Os acontecimentos” de David Greig
David Greig escreveu a obra “Os Acontecimentos” com base na tragédia do dia 22 de julho de 2011, em que Anders Breivik matou na Noruega 68 pessoas, a maioria adolescentes. A peça vai ser apresentada no dia 10 de outubro, pelas 21h30, no CCC.
A obra conta com a presença de dois atores e um coro que contam a tragédia, a obsessão e o desejo para compreender o incompreensível.
“Os Acontecimentos” passa-se numa terra sem nome no rescaldo de uma atrocidade, em que um atirador entrou num ensaio do coro local, abriu fogo. Um ano após o tiroteio, Claire, que se escondeu do atirador na sala de música e testemunhou a morte à queima-roupa de um dos cantores principais, luta para perceber o que viu. Torna-se obcecada com o atirador, entrevista a sua família e amigos, os políticos de extrema-direita a quem ele se associou e, numa emocionante cena final, o próprio atirador. Será ele louco ou um demónio? Ou apenas alguém zangado com uma arma? David Greig procura um retrato tanto do homem por detrás da atrocidade como das suas vítimas.




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