Segundo a Anopcerco, “foram os pescadores portugueses de sardinha que, em nome da defesa e da preservação do recurso sardinha, e no respeito pela informação científica produzida, aceitaram participar, ao longo dos últimos anos, na aplicação do Plano de Gestão da Sardinha que nos introduziu medidas drásticas de gestão do recurso e nos reduziu substancialmente as nossas possibilidades anuais de captura de sardinha, que culminaram nas 13 mil toneladas para 2015, que, relembre-se, ainda não foram atingidas apesar de se terem já verificado interdições para os pescadores da Nazaré, Peniche e Portimão”.
“Foram os pescadores portugueses que, em nome da defesa e da preservação do recurso sardinha, e no respeito pela informação científica produzida, aceitaram parar a sua atividade em 19 de setembro de 2014 tendo retomado a captura de sardinha apenas em abril / maio do corrente ano”, recorda a Anopcerco.
“São os pescadores portugueses que, em nome da defesa e da preservação do recurso sardinha, e em estreita colaboração com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), cedem a utilização das suas embarcações para que a comunidade científica possa aprofundar o seu conhecimento sobre a evolução do estado do stock de sardinha na nossa costa”, acrescenta.
A associação recorda que o secretário de Estado do Mar informou, no dia 16 de julho, que a definição de um limite de 30 mil toneladas para 2016 permitiria, mesmo assim, o crescimento do stock da sardinha em 2%. “Ou seja, mesmo que se definisse um limite de captura para 2016 largamente superior ao que está definido para 2015, esse aumento não iria pôr em causa o estado do stock da sardinha, permitindo inclusivamente a sua melhoria”, esclarece.
“Entretanto o IPMA, no Relatório de Campanha de Rastreio Acústico (abril/maio 2015) apresentou um dado bastante gratificante para todos os pescadores portugueses de sardinha, no nosso entender como resultado das fortes medidas de gestão que foram aplicadas nos últimos anos e particularmente em 2014/2015, e que diz que, de 2014 para 2015, a biomassa de sardinha disponível aumentou 34,2% na costa portuguesa. Esta informação foi formalmente apresentada ao sr. Presidente da República a bordo do navio de investigação Noruega, fundeado em Peniche a 14 de julho, e permitiu-lhe anunciar ao País o seu otimismo moderado em relação à evolução do estado do stock de sardinha em Portugal”, indica a Anopcerco.
“Da leitura deste dois exemplos facilmente se conclui que não são os pescadores portugueses que afirmam que se pode pescar mais em 2016. É o próprio Governo português. E o que é que dizem os pescadores portugueses e as suas organizações representativas? Começamos por afirmar que, de acordo com a avaliação diária da disponibilidade de sardinha nas nossas águas que efetuámos nos últimos 4/5 meses, o stock de sardinha apresenta nítidas melhorias em termos de dimensão e de diversidade da sua localização, confirmando assim a informação do IPMA”, refere.
“Salientamos também o acréscimo muito relevante e o volume bastante mais significativo de juvenis (petinga) que tem sido recentemente detetado pelos nossos equipamentos de pesquisa, que é largamente superior àquele que foi detetado em anos anteriores neste mesmo período. É necessário prosseguir com uma gestão equilibrada e inteligente do recurso sardinha e deve-se assumir para 2016 uma posição que por um lado mantenha a precaução e a prudência em relação ao nível do que se poderá capturar, mas que, por outro, vá ao encontro das nossas legítimas aspirações de poder aumentar ligeiramente as possibilidades de captura. É nesse sentido que entendemos que o limite de captura para 2016 poderá aumentar em 30% face à limitação definida para 2015, ou seja para 16.900 toneladas”, conclui a Anopcerco, deixando um aviso: ”Face aos cenários negros para o futuro das embarcações da pesca de cerco e das respetivas tripulações que os próximos 7/8 meses de proibição de capturar sardinha irão provocar, qualquer solução que não vá ao seu encontro nunca será compreendida pelos nossos pescadores e irá gerar ondas de contestação e de protesto cuja dimensão e amplitude não somos capazes de prever”.
Francisco Gomes




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