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Recordar a tradição com a descamisada do milho

Marlene Sousa

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Recordar e os costumes e tradições foi o que aconteceu no passado dia 18 de agosto à tarde na freguesia do Vimeiro (Ribeira do Marete), em Alcobaça, para a “descamisada do milho”.
Recordar o passado com a descamisada do milho

Trinta pessoas, algumas das Caldas da Rainha, deslocaram-se a casa de Luís Miguel para descascar cerca dois mil quilos de milho, que será moído para fazer farinha para a broa. Algum do milho também servirá para alimentaras galinhas.

Recorde-se que o milho era apanhado à mão e levado para as eiras. Depois, juntavam-se pessoas, que de eira em eira iam à descamisada do milho, entre canções, danças e muito convívio. “O objetivo da iniciativa prende-se em manter viva esta tradição, dando a conhecer aos mais novos uma atividade que se vai perdendo, e que para os mais velhos é o recordar os bons tempos”, disse ao JORNAL DAS CALDAS o produtor do milho.

Na iniciativa também participaram alguns jovens e crianças que viram como se procedia ao tratamento e recolha do milho há cinquenta anos. Luís Miguel explicou aos mais novos, fazendo relembrar aos mais velhos o que era uma descamisada, sublinhando que “este trabalho agrícola proporcionava uma boa solidariedade entre famílias e vizinhos, pois ajudavam-se mutuamente nesta tarefa”.

Maria Siopa, de São Martinho do Porto, de 67 anos, lembrou esta atividade com um grande sorriso, revelando que tinha 14 anos e ela e suas duas irmãs andavam quilómetros de casa a casa para a descamisada do milho, o que era “divertidíssimo”. “Eram serões muito bem passados. Reuníamo-nos um grande grupo de pessoas e havia sempre alguém que levava um acordeão e cantávamos e no fim havia um bailarico”, recordou. Disse ainda que no meio de centenas de maçarocas apareciam por vezes algumas com cores diferentes. E aí havia uma tradição. Quem encontrasse uma maçaroca de cor preta tinha que dar um beijo a uma pessoa do grupo, sendo uma alegria para os rapazes darem um beijo às raparigas”.

Adiantou que era uma das formas que as pessoas tinham para poder dar um beijo em público sem que fossem criticadas. Nalguns casos esta brincadeira chegava a dar em namoro.

Luís Miguel disse que esta tradição já se perdeu. “Desde a preparação do terreno até à apanha é tudo quase tudo feito por máquinas. Devido às grandes explorações a cultura do milho é na maioria mecanizada. Por isso, é importante chamar os mais velhos para mostrar aos mais novos as tradições do passado.

Marlene Sousa

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