António José Correia, presidente da autarquia de Peniche, afirmou no final do encontro com a Federação dos Sindicatos da Pesca que “há margem” para o aumento da quota sem colocar em causa a quantidade da espécie.
“A inflexibilidade do Governo deve dar lugar à responsabilidade social”, argumentou, defendendo também que sejam “imediatamente tomadas medidas de acompanhamento social” dos pescadores, para responder aos problemas resultantes da interdição e da imobilização temporária das embarcações.
A posição, subscrita pelas câmaras de Matosinhos, Figueira da Foz, Nazaré, Peniche, Sesimbra, Setúbal, Sines, Portimão, Loulé e Olhão, apela ainda ao Governo para que não siga a recomendação do Conselho Internacional para a Exploração dos Mares para que a captura de sardinha em 2016 passe das atuais treze mil toneladas para apenas 1587 toneladas.
A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, já afirmou que “os números têm de ser cumpridos”, porque houve “um acordo entre Portuga e Espanha validado por Bruxelas e não podemos, de repente, a meio da execução do plano, dizer que queremos mais quota e mais flexibilidade”.
“Já demos toda a flexibilidade que podíamos. As organizações de produtores geriram de acordo com o que entenderam ser melhor. Há dez organizações que ainda têm quota e não podemos arriscar deitar por água abaixo o trabalho feito e que amanhã venha Bruxelas impor uma quota mais restritiva do que temos neste momento”, referiu.
Segundo Humberto Jorge, da Opcentro, organização de produtores da pesca do Centro, que viu esgotada a possibilidade de capturar sardinha pelas embarcações suas associadas, dos portos de Peniche e da Nazaré, foram apresentadas nas últimas semanas propostas que viabilizavam a possibilidade de continuar a pesca da sardinha por mais algumas semanas e que não punham em causa os principais objetivos do Plano de Ação da pesca da Sardinha. Estas propostas não tiveram resposta positiva por parte do Governo.
Pescadores indignados
“Estamos indignados, foi uma grande surpresa depois de termos sido obrigados muitos meses a parar e agora dizem-nos que a quota está acabada. Um país que está em crise precisa de pescar. Se não nos querem deixar trabalhar, então peçam dinheiro a Bruxelas e abatam os barcos, e nós vamos apanhar fruta”, desabafou Joaquim Zarro, pescador da Nazaré, onde cinco embarcações e cinquenta homens que se dedicam à pesca da sardinha.
Sem poderem apanhar sardinha, não existem outras espécies economicamente viáveis para a atividade das embarcações da pesca do cerco. João Januário, mestre da embarcação “Estrela do Paraíso”, comentou que “o carapau não compensa porque não tem preço suficiente. Não é a apanhar vinte ou trinta cabazes e fazer duzentos e trezentos euros que pagamos as despesas”.
Em Peniche, catorze embarcações e 280 homens estão na mesma situação, reclamando a extensão da quota da sardinha para permitir a manutenção da atividade até fim de setembro.





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