Possivelmente, os responsáveis do órgão que defende a biodiversidade da Reserva Natural desta ilha nunca tiveram o privilégio de viver meses seguidos neste local, e de observar, que de tempos em tempos, há um março ou um abril, em que ocorre um aguaceiro fortíssimo e repentino, que inunda toda a superfície da Ilha, formando sete cascatas, cujas torrentes arrastam grande parte dos infelizes mamíferos, (ratos – pretos), para o mar, onde não sobrevivem. Parecendo que a mãe–natureza assim se manifesta para nos lembrar que é a entidade a quem pertence a exclusividade de decidir e de equilibrar a existência dos seres vivos que ela própria criou na Terra…
Que direito temos nós de erradicar o coelho na Berlenga, cuja espécie poderá ter sido introduzida na ilha pelos capitães das naus de Cristo, a mando do Infante D. Henrique, afim de servirem de alimento em meses de invernia aos mareantes que ali aportavam para se abrigarem das fortes “nortadas” que as suas frágeis embarcações não podiam vencer?
Quanto aos “ratos–pretos”, se não saltaram para terra de uma qualquer galé que ali haja naufragado há séculos(?), então, talvez tenham saltado das chalupas dos galeões do almirante Ybarra, quando vararam a praia da pequena anseada junto à Fortaleza de S. João Batista, que o almirante Castelhano nos conquistou, em luta épica, comandando uma esquadra composta de 15 navios de guerra com 1500 combatentes, no ano de 1666.
Como se depreende, tanto os coelhos como os ratos pretos desta ilha fazem parte da nossa história, o que justifica sem quaisquer dúvidas que temos a obrigação de preservar, controlar (se necessário), mas jamais de erradicar. Não se pode permitir, que uma qualquer entidade (talvez porque tenha aversão aos ratos e não goste de coelhos), se sirva do poder de que está imbuída, para satisfazer o seu próprio capricho.



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