O nosso Hospital está vivo!

Carlos Sá Presidente do Conselho de Administração do CHO

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As urgências hospitalares são o principal suporte à prestação de cuidados de saúde na região. Funcionam como centro de saúde (43% dos utentes da urgência, não são efetivamente urgentes), como extensão de lares e como resposta à falta de camas de cuidados continuados e repositório de casos sociais (a idade média dos doentes acamados na urgência é superior a 83 anos). De um modo simples, estes fatores são os principais responsáveis pela acumulação de macas nos corredores e tempos de espera aumentados.

A urgência de Caldas não tem condições físicas para o número e perfil de doentes que recebe. Sendo um problema antigo, importa saber porque se gastaram há cerca de 5 anos, com o apoio de alguns dos que agora criticam o CHO, centenas de milhares de euros em céus-de-vidro, parques de estacionamento, calcetamentos e escadas, em vez de recuperar a urgência?

Enquanto responsável pelo CHO, desde 2013 que solicito junto da tutela verba para o alargamento da urgência. O CHO tem aplicado o pequeno orçamento disponível para investimento, exclusivamente, na área da prestação de cuidados, em equipamentos e nas áreas de internamento.

Em relação ao texto “O nosso hospital está a morrer”, importa referir as contradições do autor:

Elogia-se os profissionais da urgência, mas criticam-se os enfermeiros da triagem. Eu apoio-os incondicionalmente! O sistema de triagem de Manchester foi desenvolvido há largos anos e é utilizado diariamente em milhares de hospitais, recorrendo a um fluxograma consolidado. O autor do texto entende que não funciona e que está na origem de várias mortes!…Fala, portanto, do que desconhece!

Quanto aos tempos de espera aumentados, acontecem pontualmente para os casos não-urgentes. Desde dezembro de 2014, os doentes urgentes (amarelos) esperaram em média 55 minutos, pela primeira consulta médica após triagem. Os emergentes (laranja) 18 minutos (fonte: ALERT).

O hospital das Caldas perdeu 2 especialidades (reumatologia e urologia) e ganhou 3 novas especialidades (pneumologia, infeciologia e imunoalergologia) relativamente a 2010. Em 2014 aumentámos uma vez mais o número de consultas e de cirurgias (fonte: SONHO). Não me espantará que, à semelhança do ano passado, o autor do texto defenda que os números são manipulados!

Para o autor, gerir bem um hospital é fazer exames de diagnóstico no setor privado, é endividar o hospital a tal ponto que tinha, em 2010, uma dívida superior a 45 milhões de euros, com um prazo de pagamentos superior a 3 anos, com cortes de fornecimento, 15% dos trabalhadores como prestadores de serviço e atividade a diminuir.

Embora tenhamos áreas a melhorar, nos últimos 4 anos e num contexto difícil, foi possível criar uma organização sustentável, internalizar exames adquirindo equipamentos para tal, fazer obras de melhoria nos internamentos e substituir equipamentos em fim-de-vida, aumentar a atividade e integrar no mapa de pessoal cerca de metade dos profissionais que estavam com contratos precários. Tudo isto demonstra incompetência?

Termino com uma sugestão: se o principal objetivo do autor do texto é a melhoria da prestação de cuidados de saúde, canalize as suas energias em prol do bem-estar dos doentes, por exemplo através da participação nas atividades de voluntariado da Liga de Amigos do Hospital das Caldas da Rainha. Essas pessoas, sim, dedicam-se incansavelmente a apoiar quem precisa.

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