Liberdade de (ex)pressão?

José Lucas jcmlucas@gmail.com

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O terrorismo está na berra, depois dos ataques terroristas em França. As TV’s e os jornais, paradoxalmente, esqueceram mais de 2 mil mortos na Nigéria, vítimas do terrorismo, em cinco dias, curiosamente na mesma altura em que, em França, eram mortas 20 pessoas. Quase todos os Chefes de Estado rumaram a França, indignados. Nenhum foi à Nigéria… Estávamos numa mesa de café a saborear um cafezinho bem português, quando íamos ouvindo a conversa na mesa ao lado, em torno do tema em epígrafe.

Desenrolavam-se argumentos a favor e contra esta ou aquela situação, se os “cartoons “ satíricos eram oportunos ou não, se as vidas de 20 franceses valiam mais que 2 mil vidas nigerianas, entre muitas outras observações que patenteavam o estado social explosivo em que vivemos no planeta Terra.

Das soluções preconizadas para resolver tão dramático problema, todas elas envolviam a violência, como solução para a … violência.

Os problemas sociais, bem como as leis criadas pelo ser humano, neste ou naquele país, têm as suas raízes no íntimo do Homem, daí que, qualquer solução para os dramas sociais que temos no quotidiano, passam inevitavelmente pelo íntimo de cada um de nós.

Queremos ser livres, ter liberdade de expressão, mas quando é para os outros, que pensam de maneira diferente utilizamos sim a liberdade de…pressão.

Queremos que os outros pensem como nós, falem como nós, ajam como nós.

Somos intolerantes com a diferença, exigindo dos outros aquilo que eles não podem dar. Daí à violência, é um passo. Começa no lar e arrasta-se às relações sociais e relações entre Estados.

Queremos ser respeitados, mas não respeitamos os outros.

Quando nos desrespeitam, invocamos o direito ao respeito, quando as nossas atitudes são colocadas em causa, invocamos a liberdade de expressão.

Ser livre, é essencialmente estar em paz consigo mesmo e com os outros.

Ser livre é ter serenidade que flui do bem-estar interior, que, por sua vez, vem da noção do dever cumprido e da consciência tranquila.

Queremos uma sociedade pacífica e somos belicosos.

Queremos uma sociedade honesta e igualitária e roubamos e enganamos.

Queremos oportunidades iguais, mas buscamos sempre mais e o melhor para nós, em detrimento do próximo.

Queremos paz no mundo e semeamos guerras (mentais, nos sentimentos, nas atitudes…).

A Doutrina Espírita ou Espiritismo (que não é mais uma seita nem mais uma religião) vem trazer à Humanidade a noção de espiritualidade sadia, independentemente do local onde vivamos no planeta Terra, das nossas convicções.

O Espiritismo ensina-nos que só seremos mais felizes quando semearmos a felicidade… dentro de nós.

Para isso, urge que cada um faça aos outros o que desejaria que lhe fizessem, se estivesse no lugar do outro.

O Espiritismo ensina-nos que “fora da caridade não há salvação”, demonstrando que somente a fraternidade, o auxílio mútuo desinteressado, geram atitudes e pensamentos elevados que, nos conduzam a patamares superiores de espiritualidade.

O Espiritismo ensina-nos que devemos respeitar o próximo, aceitá-lo como ele é (sem ser conivente com o erro), auxiliar ao invés de criticar, amparar ao invés de acusar, conversar ao invés de gritar, colocar o bem comum acima do bem pessoal.

A decisão é nossa, a de estagnarmos na evolução intelectual e moral, encharcando-nos no ódio, na discórdia, na intolerância ou a de evoluirmos por dentro, pacificando sentimentos, pensamentos e tendo atitudes fraternas, semeando assim um futuro mais pacificado dentro de nós e ao nosso redor.

Quando sairmos da ilha do egoísmo que nos destrói e, conseguirmos sentir carinho por aquele que nos hostiliza, que de nós discorda e, soubermos entender que, apesar de tudo, são apenas opiniões que passam, mas que são seres humanos imortais como nós, então, estaremos a caminho de uma sociedade mais pacificada, pondo em prática os ensinamentos de Jesus de Nazaré (que são universais): “Não faças ao outro o que não gostarias que te fizessem” e “amar o próximo como a si mesmo”.

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