Estudos para modernizar linha do Oeste só contemplam ligação entre Sintra e Caldas da Rainha

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O Diário Económico revela que a Refer foi autorizada a modernizar quatro linhas ferroviárias, entre as quais a do Oeste. "O procedimento de valor mais elevado respeita ao concurso para a prestação de serviços de elaboração dos estudos e projetos de modernização do troço da linha do Oeste, entre Meleças [Sintra] e Caldas da Rainha, com um preço-base de 4,990 milhões de euros, sem IVA", refere o diário. O estudo não contempla a ligação entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz. Para o presidente da Comunidade Intermunicipal do Oeste (OesteCim), Carlos Miguel, o anúncio que vão ser elaborados estudos para a requalificação da linha ferroviária do Oeste trata-se de uma "pequeníssima boa notícia".
Os estudos não contemplam a ligação entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz

“A modernização da linha do Oeste implica duas coisas, a sua eletrificação e a melhoria do material circulante, o que são boas notícias, mas não resolve o problema determinante da linha, a sua ‘amarração’ a Lisboa”, considerou Carlos Miguel à agência Lusa.

O também presidente da Câmara de Torres Vedras explicou que “a linha, quando chega à Malveira, em vez de infletir para a zona de Lisboa, inflete para o lado de Cascais, por isso vai encontrar-se com esta linha no Cacém”.

“Enquanto não se estudar um canal para que a linha a partir da Malveira comece a dirigir-se a Lisboa, ‘amarrando-se’ à linha do Norte ou mesmo à estação do Oriente, a linha do Oeste nunca será competitiva, nem atrativa”, defendeu.

A este propósito, referiu que Torres Vedras “tem, entre as 07:00 e as 10:00, oferta diária de autocarros de sete em sete minutos para Lisboa”, onde demoram a chegar 35 minutos.

“Para esse período horário, temos dois comboios que demoram rigorosamente o dobro”, notou, reconhecendo que, com a eletrificação, poupa-se apenas 10 minutos na viagem, o que “nunca será uma oferta atrativa para o passageiro”.

Carlos Miguel insistiu que só “há uma solução”, o estudo de “um espaço canal da amarração da linha a Lisboa, servindo inclusivamente Loures que não tem ferrovia”, mas o pedido “não teve anuência do Governo”.

“Temos consciência de que o país não tem condições atuais para uma empreitada destas, mas o que pedimos é um estudo para, quando haver possibilidades, avançar”, declarou, convicto que sem esta opção a linha do Oeste nunca será competitiva.

Por outro lado, o presidente da associação empresarial de Leiria – Nerlei, Jorge Santos, manifestou o desejo de que a modernização seja alargada até à Figueira da Foz.

“Para a Nerlei, sempre foi um anseio a modernização da linha do Oeste para estar ao serviço das pessoas e das empresas”, afirmou Jorge Santos, salientando que é necessário trabalhar “para depois concretizar os investimentos” desses projetos.

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